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Mudar o país para sempre Imprimir
Escrito por Gabriel Guidotti   
Sexta, 20 de Fevereiro de 2015 - 17:32

dilmaO Brasil está cansado de ser afrontado pela corrupção (e da politização em volta dela). Entre dezenas de denúncias, o Mensalão já culminou em um processo desgastante, que levou embora a confiança do povo no atual sistema eleitoral – vide os protestos ocorridos em 2013. Entretanto, os escândalos não pararam por aí. O mais recente, o caso da Petrobras, reacendeu uma impressão nacional de que, em um país polarizado, tudo descamba para a troca de acusações.

Dilma Rousseff, ao falar sobre o escarcéu em nossa maior empresa, perdeu uma boa oportunidade de ficar calada. Em entrevista concedida na Austrália – a presidente participou de reunião entre as maiores 20 economias do mundo, o G-20 – ela opinou que o desfecho do processo da estatal poderá “mudar o país para sempre”, sendo essa a principal finalidade da investigação, isto é, não torná-la “engavetável”. O comentário atiça os rivais tucanos, que, após o fim do pleito, não deram trégua às críticas, concedendo uma amostra do que serão os próximos quatro anos.

Durante o pleito de 2014, Dilma rebateu os ataques de Aécio sobre a Petrobras com a tese do engavetamento. Ela afirmou que na gestão de Fernando Henrique Cardoso supostas ocorrências de corrupção eram arquivadas pela Procuradoria Geral da República. A presidente reeditou esse argumento em um momento onde a Operação Lava Jato está em polvorosa. Na semana passada, a Polícia Federal (PF) executou uma série de mandados, garantindo a prisão preventiva de novos suspeitos.

Dilma deu sua versão dos fatos, mas aproveitou também para polemizar em um momento inadequado. Precipitou-se ao subir no palanque de campanha quando deveria primar pela integridade nacional – ferida com a corrupção. Por sua vez, Aécio Neves (PSDB-MG), presidenciável derrotado, afirmou que o governo atual insiste em dar “tratamento político a um caso que é de polícia”. O senador procurou responder as declarações do ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo, que sugeriu que a oposição está tentando criar um “terceiro turno eleitoral” com as investigações da PF.

Na Austrália, Dilma incentivou esse joguinho de bate e rebate, essa troca de farpas que atende a interesses escusos. Trata-se de um desleixo tão grave quanto aquele que permitiu o escândalo na Petrobras. É a honra do povo que está em voga. O interminável embate entre direita e esquerda esconde a inação, ou seja, a inoperância que tanto nos governos do PT quanto do PSDB a população precisou conviver. É por essa razão que, há décadas, muitos dos mesmos problemas permanecem assolando a vida do cidadão. Até quando? Já passou da hora de mudar o país para sempre.

No Brasil, os casos de corrupção derrubaram possíveis presidenciáveis do PT. A se confirmar a intenção do ex-presidente Lula em concorrer novamente, os petistas poderão conquistar o quinto mandato de forma triunfal, reelegendo o seu mais expoente representante. De outra via, se Dilma fizer um governo que frustre as expectativas, o partido poderá se encaminhar para sua mais acachapante derrota. Caberá a atual presidente, portanto, quatro anos satisfatórios, de prosperidade em todas as áreas. E, sobretudo, que os escândalos cessem, dando vazão à nova lei anticorrupção.

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