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Violência ideológica Imprimir
Escrito por Gabriel Guidotti   
Sexta, 20 de Fevereiro de 2015 - 17:39

violencia verbalO presidente do Brasil para o próximo quadriênio já está definido, mas a eleição, no que toca o conflito de ideologias, vai se prolongar por muitos e muitos anos. A polarização do pleito deste ano causou tamanha animosidade que focos de vencidos ainda não aceitam o resultado soberano do palanque eletrônico. Na última semana, uma série de protestos tomou conta do país pedindo o impeachment de Dilma Rousseff e, pasmem, a volta do regime militar.

No Rio Grande do Sul, um caso aconteceu em Porto Alegre. Manifestantes, após combinarem um encontro pela internet, se concentraram nos arredores do Parcão, uma das localidades mais frequentadas da cidade, para depois iniciarem uma marcha de protesto. O ato compõe uma mobilização nacional que pede o fechamento do PT, a prisão dos envolvidos no escândalo da Petrobras e a responsabilização do presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), Dias Toffoli, por suposta fraude nas eleições.

As manifestações contra a decisão das urnas são legítimas. Inconformidade pacífica, discordância intelectual; no país, sempre existirão dois lados da moeda. É genuíno, inclusive, uma revista afirmar, na capa, que dois presidentes sabiam de um dos maiores escândalos de corrupção da história. As consequências, entretanto, são dela para suportar. E o julgamento do público é sempre implacável. Lembrando que jornalismo não se faz, nem nunca se fez, no mero relato de fatos; se constrói na credibilidade da boa apuração.

De outro lado, é preciso admitir, a liberdade de expressão, no Brasil, ficou míope e aloprada. Todos se locupletam do poder da informação; muitos sofrem de “Síndrome de Watergate”, achando que contestar o veredito da maioria derrubaria um presidente. Qual o problema em acatar o resultado e tentar formar, em conjunto, um país melhor? É democrático, é a melhor forma de se fazer justiça social.

Imediatamente após o fim da contagem de votos, as redes sociais tornaram-se uma zona nociva, contaminada pela ignorância humana. O alvo? O Nordeste brasileiro que, segundo os críticos, definiu a eleição. Inequívoco é afirmar que o PT venceu nas regiões Norte e Nordeste. Aécio, por sua vez, sagrou-se vitorioso no Sul, Sudeste e Centro-Oeste. Desse modo, não há perigo em falar que sim, existe um mapa da política, mas jamais uma divisão em solo nacional. O separatismo pregado por inúmeros usuários da web só se confirma no centro da insanidade de suas cabeças. E em nenhum outro lugar.

Conturbado é aventar o retorno dos tempos onde não havia liberdade alguma, nem para ser separatista. Em 1964, os julgadores eram sumários em decidir destinos – inapelavelmente. Os mesmos militares que uma fração de manifestantes apoiam hoje, ontem se viraram contra qualquer forma de expressão. Calar-se para obter segurança e sanidade – o segredo para sobreviver ao autoritarismo. Há vida mais ameaçadora que essa? Mesmo uma suposta “ditadura do PT” oferece melhores condições de cidadania.

O Brasil vive um período de ódio. Quem não votou em Dilma precisa aprender a viver com isso, pois é da caneta dela que, nos próximos quatro anos, avançaremos ou retrocederemos décadas. As urnas deram seu recado. Cabe ao cidadão uma fiscalização permanente e irrestrita, mas, acima de tudo, respeitosa e razoável. Chega violência ideológica; cansou. Por um futuro mais digno, que a paz reine em solo nacional.

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