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Escrito por Gabriel Guidotti   
Sexta, 20 de Fevereiro de 2015 - 17:44

eleicoes 2014Esta foi uma eleição de surpresas, de altos e baixos e da convicção de que a democracia saiu mais uma vez vitoriosa. Entretanto, ajustes são necessários, buscando aperfeiçoar o pleito e transformar as campanhas em embates por políticas de estado, não de governo. Dilma Rousseff (PT) e Aécio Neves (PSDB) protagonizaram, com efervescência histórica, um jogo de pancadaria verborrágica em nível nacional. Consequentemente, atiçaram a paciência do eleitorado e dos eméritos “fiscalizadores” da corrida presidencial.

O Tribunal Superior Eleitoral (TSE), atento à briga de boteco que se instaurou, decidiu abrir um precedente salutar que encaminha os próximos pleitos a uma disputa limpa, propositiva. Na última semana, a Corte acolheu solicitação da coligação do PSDB que pedia suspensão de material veiculado pelos petistas na rádio. A publicidade trazia o depoimento de uma ex-presidente do sindicato dos jornalistas de Minas Gerais em que ela acusava Aécio de “ameaçar” o emprego de profissionais cujas matérias eram contrárias ao governo.

Os ministros favoráveis argumentaram que propagandas eleitorais gratuitas não podem servir para ataques aos oponentes, mas sim ao debate de ideias. Dias após a deliberação, outros processos seguiram o mesmo rumo. A proibição, naturalmente, não abarca outros meios de divulgação, assim como não atinge debates, entrevistas, bem como outras manifestações dos candidatos. Em suma, a novidade visa cutucar o Legislativo: é preciso acabar com o baixo nível das campanhas.

Outro importante legado deste pleito é a discussão sobre o fim da reeleição. Aécio, nesse tema, venceu sua oponente de lavada. Marina Silva, inclusive, apontou este projeto como condicionante de apoio ao tucano no segundo turno. Dilma, por sua vez, foi comedida, considerando que uma nova investidura é tudo que deseja. Aliás, a campanha a afastou do cargo em inúmeros momentos, assim como aconteceu no fim do primeiro mandato de Fernando Henrique e Lula. Ela, bem como seus antecessores, deveria estar comandando o país.

Trata-se de um desrespeito ao povo brasileiro, que padece frente às opções da coalizão. A reeleição tem retraído o tempo útil de governo, separando eleitos de seus ofícios públicos. Aécio defende a medida à presidência, mas, inevitavelmente, os efeitos alcançariam todos os cargos eletivos. Criaria, desse modo, uma espécie de fidelidade que já deveria estar incrustada no íntimo de nossos representantes. Não está. Necessitar-se-á emendar a Constituição para atingir tal intento.

O término da reeleição e o fechamento do cerco, por parte do TSE, às propagandas acusatórias – e irresponsáveis – dos partidos aventam um futuro promissor no que tocas as próximas disputas, em 2016 e 2018. A democracia não pressupõe liberdade absoluta: é preciso haver sensatez sobre a importância dos cargos que os mandatários ocupam e razoabilidade para o fim do “marketing da pancadaria” – fórmula que está absolutamente esgotada. Um candidato deve ganhar o voto do eleitor por seus méritos, não pelos deméritos dos adversários.

Destarte, o resultado das eleições de 2014, independentemente da vitória de Dilma ou Aécio, já ganhou cicatrizes irreparáveis, como nunca se viram no país: a animosidade, os sofismas e as condutas beligerantes. Contudo, os legados podem ser maiores, desde que sejam confirmados os projetos citados anteriormente. O Brasil é muito maior do que as discordâncias de dois partidos, muito maior do que as vaidades de uma personalidade pública. Portanto, pela última vez em 2014, vote direito!

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