banner multi
Capa Memória Colunistas Cronicando A desconstrução de Marina Silva
A desconstrução de Marina Silva Imprimir
Escrito por Gabriel Guidotti   
Sexta, 20 de Fevereiro de 2015 - 17:49

marina silvaTida como um furacão das pesquisas eleitorais após a lamentável morte de Eduardo Campos, Marina Silva, do PSB, deixou escapulir a presidência da República. Implacavelmente criticada durante a campanha, especialmente pelo PT, a candidata viu seus adversários desconstruírem paulatinamente sua imagem, desqualificando-a como uma personalidade capaz de comandar o Brasil.

A estratégia dos rivais deu certo. Embora a ex-senadora tenha conquistado mais de 22 milhões de votos, o segundo turno confrontará Dilma Rousseff, do PT, e Aécio Neves, do PSDB. O tucano, aliás, deve estar faceiro: contrariou todos os levantamentos pré-eleitorais ao acumular contagem maior do que a prevista. Sua ideia era clara: ele se formalizou como oposição de fato, algo que a ex-senadora nunca deixou claro – a exceção de algumas trocas de farpas.

O cenário nacional se revelou deveras surpreendente. Marina, em vez de um furacão, provou-se uma brisa de primavera. A candidata surgiu como “salvadora da pátria” e cresceu meteoricamente em todas as pesquisas ao ponto de rivalizar com Dilma já no primeiro turno. Entretanto, ela não era uma unanimidade nem entre seus correligionários. A queda também se justifica nesta falta de sintonia – uma relação tensa desde o princípio da chapa.

Marina, a bem da verdade, não conseguiu explicar, de forma didática, o que era a sua proposta para a “nova política”. Sempre se utilizou de argumentos generalistas que incluíam apenas as suas pretensões pessoais de um Brasil melhor. O Congresso Nacional estaria disposto em seguir tal novidade? Dificilmente. Faltou um conceito de campanha e muitos erros foram cometidos. O PSB não soube manter a candidata no segundo turno. Igualmente, a passividade da sigla em aceitar as contundentes críticas petistas foi fatal.

Após a negativa nas urnas, Marina discursou em São Paulo com face de alívio. Acompanhada de seu vice, Beto Albuquerque, ela disse ter feito o possível para honrar o legado de Eduardo Campos. De imediato, desconversou sobre a possibilidade de aliança com os tucanos e falou sobre os próximos passos a serem tomados pela chapa. “O que decidimos é que queremos tomar uma posição conjunta, mantendo nosso programa, que é a nossa referência. (…) Estaremos dialogando ao mesmo tempo entre nós. Sabemos que o Brasil sinalizou claramente que não concorda com o que aí está”, declarou.

É consenso nacional: eleições emocionantes assim não se viam desde 1989, quando Fernando Collor de Mello derrotou Luiz Inácio Lula da Silva no primeiro pleito da redemocratização. Os ingredientes de 2014 convergiram para uma saudável disputa, que confrontou visões sensivelmente diferentes para o Brasil – dos “grandes” aos “nanicos”. Marina sai derrotada, mas se locupleta por sua história de luta e militância. Caiu de pé. No segundo turno, permanece a velha polarização que já comanda a nação há 20 anos. Agora é Dilma ou Aécio.

A festa da democracia escreveu mais um capítulo. Resta a última etapa, mais um pequeno veredito que contempla grandes repercussões. O povo brasileiro decidiu por meio do voto igualitário e obrigatório. O sufrágio universal mostrou sua importância e valor. A eleição ainda não terminou, não deixe esmorecer. Fique atento, pelo futuro do país e por uma sociedade mais digna.

Visite também o blog do aluno: http://gabrielguidotti.wordpress.com/

 


Notícias relacionadas


Expediente

Mapa do Site :: Portal Universo IPA - 1º lugar na Intercom Nacional de 2008 :: Expediente
Creative Commons © 2005-2013 :: AJor - Agência Experimental de Jornalismo IPA