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Eleição de surpresas Imprimir
Escrito por Gabriel Guidotti   
Sexta, 20 de Fevereiro de 2015 - 17:52

1 11É consenso nacional: eleições emocionantes assim não se viam desde 1989, quando Fernando Collor de Mello derrotou Luiz Inácio Lula da Silva no primeiro pleito da redemocratização. Em 2014, os requintes de surpresa e acirramento também estão presentes. Respectivamente, a Cadeira Nacional será disputada no segundo turno por Dilma Rousseff, do PT, e Aécio Neves, do PSDB. Marina Silva ficou de fora. Na Cadeira Estadual, sentará o fenômeno José Ivo Sartori, do PMDB, líder da contagem oficial, ou o atual governador, Tarso Genro, do PT.

Começando pelo quadro gaúcho, o PMDB merece todos os créditos pela ascensão de Sartori à liderança do primeiro turno. O partido criou um conceito de campanha, ignorando velhos clichês da política e aproximando o candidato às massas ao caracterizá-lo como um homem simples e trabalhador. O mesmo já havia ocorrido com Germano Rigotto, em 2002. Neste ano, o crescimento do peemedebista aconteceu em hora decisiva, amealhando votos de eleitores anti-petistas e daqueles que desistiram de Ana Amélia.

A partir de Agora, Tarso deverá suar sangue para brecar a eleição de seu rival – um político com baixa rejeição e que deverá herdar os votos da progressista. O PT ainda sofreu outro revés com a vitória de Lasier Martins sobre Olívio Dutra no Senado. A conquista confirma o que vinham pregando os levantamentos eleitorais. Após uma disputa de altos e baixos, e de muitas críticas de uma parte a outra, a virada do ex-governador foi possível apenas dentro da margem de erro. Agora a bancada gaúcha terá PP, PT e PDT.

O cenário nacional conseguiu ser ainda mais surpreendente. O furacão Marina Silva, do PSB, provou-se uma brisa de primavera. A candidata, após a morte de Eduardo Campos, surgiu como “salvadora da pátria” e cresceu meteoricamente em todas as pesquisas, ao ponto de rivalizar com Dilma já no primeiro turno. Entretanto, ela não era uma unanimidade nem entre seus correligionários. A derrota é histórica e se justifica nesta falta de sintonia – uma relação tensa desde o princípio.

Marina, a bem da verdade, não conseguiu explicar, de forma didática, o que era a sua proposta para a “nova política”. Sempre se utilizou de argumentos generalistas que incluíam apenas as suas pretensões pessoais de um Brasil melhor. O Congresso Nacional estaria disposto em seguir tal novidade? Dificilmente. Muitos erros foram cometidos. O PSB não soube manter a candidata no segundo turno. Igualmente, a passividade da sigla em aceitar as contundentes críticas petistas foi fatal.

Quem ri dessa situação é Aécio Neves. O tucano aproveitou a derrocada de Marina e, em vez de disparar críticas contra ela, se formalizou como oposição ao PT, estratégia que a ex-senadora nunca deixou clara – a exceção de algumas trocas de farpas. Ele deu vazão a um jogo eleitoral elegante por meio de uma campanha sólida que acusava o atual governo de “falta de pulso” para comandar o Brasil. Teve êxito em mostrar seu ponto, especialmente após o debate realizado pela TV Globo. Contudo, embora as pesquisas tenham errado grosseiramente sua contagem – o que afeta a projeção de segundo turno – Aécio terá muito trabalho para retirar Dilma do poder.

Foi-se o primeiro turno. A festa da democracia escreveu mais um capítulo. Resta a última etapa, mais um pequeno veredito que contempla grandes repercussões. O povo brasileiro decidiu por meio do voto igualitário e obrigatório. O sufrágio universal mostrou sua importância e valor. A eleição ainda não terminou, não deixe esmorecer. Fique atento, pelo futuro do país e por uma sociedade mais digna.

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