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O exemplo de José Mujica Imprimir
Escrito por Gabriel Guidotti   
Segunda, 23 de Fevereiro de 2015 - 10:15

foto lauro alves agencia rbsIdeologias políticas todas as figuras públicas têm. Mas foi José Mujica, presidente do Uruguai, que quebrou paradigmas ao tratar, com naturalidade, temas polêmicos que dividiam a sociedade do seu país – e ainda dividem a do mundo. Sob a singela perspectiva de “encarar os fatos”, o mandatário, um progressista de carteirinha, esteve no Rio Grande do Sul nesta semana para cumprir agenda. Em destaque, participou da abertura do “Seminário Internacional Universidade, Sociedade, Estado”, na UFRGS.

O Uruguai promoveu reformas no modelo conservador que calcava o país. Impulsionou, sob a influência de Mujica, renovações legislativas controversas, como a descriminalização do aborto, a legalização do casamento gay e um plano inédito para garantir ao Estado a exploração produtiva e comercial da maconha. A repercussão internacional de tais iniciativas alavancou a fama do presidente, tornando-o uma referência para forças de situação e oposição.

A presença do líder político em solo gaúcho coincide com o acirrado pleito eleitoral que se avizinha em Terra Tupiniquim. Tarso Genro, governador do Estado – e candidato atrás nas pesquisas – acompanhou a visita com grande interesse, conduzindo Mujica com singular simpatia. Sobre as eleições de 5 de outubro, entretanto, o presidente procurou abster-se de comentar. Deixou nas mãos do povo a escolha do melhor projeto de governo, indicando uma convergência cada vez maior entre as nações latino-americanas. Criticou a sociedade de consumo e, arrancando aplausos por onde passou, mostrou-se um entusiasta do diálogo entre partes díspares.

Personalidade inspiradora, o progressista cativa o povo com atitudes populares, como se fosse um cidadão comum entre milhões. Afinidade ou não por seu estilo de governo, um fenômeno é inegável: ele tem brios. É o tipo de homem de coragem que falta no Brasil, capaz de transformações sociais significativas. No Rio Grande do Sul, abrilhantou espectadores com seus posicionamentos firmes, abdicando de visões estreitas, intolerantes e retrógradas da realidade.

Que seu exemplo estimule positivamente as eleições brasileiras – o país está precisando. O projeto dos partidos nacionais engloba velhas práticas sob a máscara da “nova política”. Expressão, aliás, viciada, pois não há estafe de campanha que não a utilize. Afinal, o que seria a “nova política”? Pulverizar os esforços da situação? Criticar gestões anteriores da oposição? Nada disso. Ser “novo” é quebrar velhos ritos, acabar com a zona de conforto de repartições e mandatários, buscando igualdade e justiça social. José Mujica o fez sem a necessidade de grandes discursos ou eventos de luxo. Ao contrário, atuou na base da riqueza espiritual, colocando os interesses do povo acima do poder a ele concedido. Isso é raro.

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