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Muito além do voto Imprimir
Escrito por Gabriel Guidotti   
Quarta, 25 de Fevereiro de 2015 - 16:29

s1noticias4Às vésperas da grande festa da democracia, candidatos se mobilizam na busca dos votos necessários à conquista do mandato público. As campanhas se estendem por todos os meios de comunicação, estimulando o povo a escolher o projeto que a maioria considere mais adequado ao país. Este é o momento onde as pessoas precisam estar atentas, caso contrário partidos viram siglas, e a suposta “renovação no poder”, tão veiculada pelo estafe dos políticos, se transforma em uma anedota de muito mau gosto.

O voto, muito mais que um compromisso mecânico de apertar em uma tecla, é um momento solene e inviolável de cidadania; uma missão-chave atribuída aos filhos da pátria! Entretanto, é instigante pensar no teor crítico com o qual o eleitor pondera sua escolha na urna. Terá sido influenciado cegamente por um carisma forjado pelo marketing eleitoral? Recebeu algo em troca? Ou, como todos deveriam proceder, pensou, relativizou e avaliou a história do candidato antes de cumprir o dever máximo da democracia?

Um cidadão precisa ser crítico e ter pensamento crítico. Mas a crítica como condição intelectual, não como veiculação escrachada, tal qual fazem os candidatos em época de eleição – quando buscam ralhar a imagem de seus concorrentes. Sem entrar em números, Tarso Genro teve um governo de conquistas e quedas. Ana Amélia, se eleita, fará o mesmo, assim como José Ivo Sartori ou qualquer outro pleiteante ao Piratini. Ninguém é tão desprezível como pintam os adversários. E ninguém chega ao topo sozinho. O mesmo vale aos presidenciáveis.

Como escolher, então? Informação. Ir muito além do voto, muito tempo antes. Fazer o protesto nas urnas e permanecer cobrando os representantes eleitos do início ao fim do mandato. Existem inúmeras ferramentas para isso, e o povo brasileiro já mostrou, em exibições recentes, o seu inestimável poder. Para exigir, contudo, é necessário escolher bem, isto é, avaliar o que os programas de campanha não mostram e conhecer o real temperamento de quem se está depositando confiança.

As alamedas do Estado, já há algum tempo, foram tomadas por uma série de materiais gráficos referentes às eleições. Recentemente, exposto em uma rua de grande circulação de Porto Alegre, um cavalete exibia a propaganda de um homem pleiteante à vaga de deputado federal. O sorriso largo, os braços cruzados indicando seriedade, talvez austeridade, contrastavam com a brincadeira que transeuntes “engraçadinhos” fizeram. Para começar, os dentes do candidato foram picotados com manchas pretas, que agora revelavam sérias obturações. Em vez de óculos de leitura, um sombrio óculos solar foi pintado, preenchendo as têmporas antes vivas e bem tratadas – no computador.

Para finalizar a obra-prima, chifres exóticos do Anjo Caído, como se todas as cirurgias anteriores não fossem o bastante. Os passantes da área observavam o quadro exibindo um lustroso sorriso de bom humor. O que depreendi disso? Uma crítica, não apenas uma piada, mas uma crítica que se encerra ali, sem desdobramentos materiais. Não concordo com o vandalismo; há outros modos de manifestar insatisfação.

Antes de gestores públicos, o Brasil precisa formar eleitores. Responsabilidade social é obrigação, embora muito prefiram estigmatizar o país, como se a corrupção lhe fosse característica endêmica. Não é. Há meios de mudar a realidade. O voto é uma obra-prima que não se encerra com a eleição. Trata-se de um contrato de vida, um elo cujas consequências vão acompanhar o cidadão para sempre, sem a prerrogativa de voltar atrás. Pensando no futuro, portanto, a escolha se fundamenta de ainda mais importância. Vote direito! O país precisa de você.

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