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Páscoa de comunhão Imprimir
Escrito por Gabriel Guidotti   
Domingo, 08 de Março de 2015 - 20:55

chocolateO Coelho da Páscoa penetra em casas e apartamentos sem ninguém perceber, técnica esta desenvolvida junto ao seu amigo do norte, o Papai Noel. Na sala, em cima da mesa ou ao lado da cama de milhares de crianças agitadas pelo torvelinho da imaginação, deposita seus ovos de chocolate, mas o faz àqueles que se comportaram bem. Se a estória pertence ao fabulário, não importa. Faz rir, faz sonhar e transforma os pequenos em seres humanos melhores – coisa que o mundo está precisando.

Não sou especialista, mas, por experiência própria, acredito que esperar o Coelho, bem como aguardar o Papai Noel, ajudou na formação de meu caráter. Permitiu que eu viajasse dentro de minha mente, que eu fosse um bom menino o ano inteiro, não apenas em meses circunvizinhos. E esse é um dos principais significados da Páscoa: transformar adultos em crianças novamente; crianças em inocentes pensadores deste mundo e de todos os outros. Viver a data é desfrutar da adrenalina que é abrir um ovinho e descobrir a surpresa a seguir, independentemente de possíveis dissabores da expectativa.

Para alguns, é uma intertemporada em meio de campeonato. Feriado especial ainda nos meses iniciais do ano, que permite espairecer a cabeça após a dura rotina vivida pelas massas diariamente. Para outros, contudo, há muito significado. Trata-se de uma ocasião ora religiosa, ora pertencente à comunhão familiar. Fiéis rezam em nome do Salvador; famílias se reúnem para confraternizar. Atendo-se à religião, é o evento mais importante do Cristianismo. Os devotos celebram a Ressurreição de Jesus.

Mas Páscoa é também comprar e vender, e o plano mercadológico deste ano foi traçado com antecipação. Em um clima mais frio, o chocolate é um atrativo a mais a consumidores e em supermercados. Segundo estudo encomendado pela Associação Gaúcha de Supermercados (AGAS) ao Instituto Segmento Pesquisas, prevê-se crescimento das vendas do setor em 2% em relação ao ano passado. Ao todo, os supermercados do Rio Grande do Sul vão comercializar nove milhões de ovos de chocolate, alavancando um faturamento de R$ 96 milhões para o setor – 10,9% deles produzidos pela indústria gaúcha.

Se os ovos são caros – 12,4% em relação a 2013, segundo o levantamento – é autêntico discutir. É verdade, também houve incremento no preço da carne para churrasco (+8,8%) e as caixas de bombom (+7,6%). Provavelmente, o valor dos itens de Páscoa já foi menor em outros tempos – e a substância maior. Pensando na economia, as pessoas foram tão engolidas pelo meio, que perderam sua capacidade de se admirar. E isso é muito ruim. Parece que a data perdeu o glamour e virou atividade anual meramente mecânica. Onde isso vai parar? Para retomar o rumo, é preciso trocar a palavra comprar, por diversificar. Consumir, por contribuir ao próximo, dando muito mais que um ovo. Esse é o espírito da Páscoa. Não podemos desonrá-lo.

A data é convidativa ao esquecimento de nocivas influências externas que rondam nossas vidas. Celebre a Páscoa, reúna a família, espere o Coelhinho, leia um bom livro! O período pede não apenas comunhão com as pessoas, mas comunhão com o próprio ser. Pense nisso e bom feriado a todos!

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