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Dia de celebrar a vida Imprimir
Escrito por Gabriel Guidotti   
Domingo, 08 de Março de 2015 - 21:03

mascarasPoucas vezes tive o sentimento de perda na família. Duas, para ser mais exato. Foram dolorosas, mas o fundamento da vida é caminhar rumo ao horizonte, resguardando-se ao passado e resignando-se ao futuro. A Quarta-Feira de Cinzas serve como alento aos vivos que desejam prestar homenagens aos mortos – lembrar, sorrir com bons momentos. Não se trata, portanto, de mais um dia de finados, pois as memórias jamais morrerão.

A data é reflexiva. Para o bom pensador, vale idealizar algumas perguntas existenciais. Aonde vamos? De onde viemos? O ciclo se encerra com o término da carne? Dizem que Deus não pede a mudança do mundo, apenas que levemos boas vidas. Será o julgamento a etapa imediata após a morte? Quem nos receberá? Ao compasso dos questionamentos, surge a sensação de frustração, pois não há resposta a ser alcançada neste mundo. E não se trata de ignorância exclusiva: todos são ignorantes.

Às vezes a morte vem aos poucos, como um problema cardíaco que se arrasta. Há ocasiões onde ela ocorre repentina, em terríveis acidentes. Engana-se, entretanto, quem vincula a existência à conjunção humana de braços, pernas, sistema nervoso, cardíaco e respiratório – todo funcionando plenamente. É possível deixar este mundo muito antes, quando à vida falta propósito. Sem objetivos somos nada, menos que um sopro de vento; aberrações a uma natureza que foi tão justa conosco, nos garantindo o benefício da razão.

Quem deixa de viver, vivo, joga fora fervilhantes potencialidades. Parece negativa a circunstância dos restos mortais habitarem um caixão pela eternidade, mas e os que não saem de seu caixão à luz do dia, aos olhos de todos? Os mortos, pelo menos, regozijam-se de descanso imaculado. Os mortos-vivos, bem, permanecerão dentro do torvelinho do sofrimento, incapazes de sair ou enveredar por qualquer direção diferente daquela. A homenagem não parece tão ruim agora, não é?

E hoje é dia de merecidas homenagens. Renovar as flores do túmulo, abraçar com carinho fotos de ocasiões especiais e, principalmente, celebrar a continuidade! Um olho se fecha, dois se abrem, essa é a história do mundo. E onde não se pode ver, é possível sentir por meio das gerações. Funciona dessa maneira: uma grande árvore que renova seus frutos ao tempo, dando e tirando, passando por intempéries, mas ao final mantendo sua incolumidade. É a árvore da vida; imortal!

Portanto, nada de choro, pois o destino é errático e embora a humanidade tente criar direcionamentos à própria existência, há aspectos incontroláveis, independentemente das tentativas do homem em controlar. A morte é uma delas. O tempo é curto, então resta aproveitar, tomar jeito, ambicionar ser melhor. Estagnação, submissão não levam ninguém a qualquer lugar. É a hora de correr contra o relógio, vivendo dia a dia.

E aos meus parentes que se foram, não se preocupem, estou muito bem. E sinto que vocês também estão. Essa sensação vai além da ciência, como se estivéssemos conectados por um elo superior. Não sei onde estão ou por quais meios podem me ouvir, mas tenho convicção que vão receber minha mensagem.

Feliz dia de celebrar a vida!

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