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Cidadania de Gaia Imprimir
Escrito por Renato Araújo   
Terça, 13 de Março de 2012 - 12:41

gaiaSeguindo a tradição política dos gregos, boa parcela das sociedades contemporâneas adotam o sistema democrático de governo, onde cada in­tegrante dessa sociedade possui o direito de voto e a capacidade de se candidatar a um cargo pú­blico.

O fazer político na Grécia antiga, no en­tanto, abrangia grande parte da sociedade. Estava mais próximo da pessoa comum, e em grandes as­sembléias focava os direitos de cada indivíduo pe­rante a coletividade. Herdamos os conceitos, mas não o comportamento político dos gregos. Hoje, o que vemos aqui, no Brasil, é a construção de políticas públicas em salas fechadas, com meia dú­zia decidindo nosso rumo. E, na outra margem, cabe questionar onde foi que colocamos nossos deveres? Vejo que de fato esquecemos dos nossos deveres como cidadãos. Não podemos agir como indivíduos desconexos, tendo a distorcida percep­ção que a "minha ação" não afetará o coletivo.

Os gregos também nos deixaram de herança a con­cepção de Gaia, a deusa Mãe primordial, uma das primeiras divindades a habitar o Olimpo, gerado­ra de todos os deuses, a deusa-terra. E dessa visão mítica, o renomado cientista e ambientalista James Lovelock elaborou a teoria de Gaia, que estabelece a íntima integração entre a biosfera e os compo­nentes físicos da Terra, de modo a formar um com­plexo sistema que mantêm as condições climáticas e biogeoquímicas, preferivelmente em homeostase.

Em outras palavras, significa que o sistema re­gula seu ambiente interno de modo a manter uma condição estável, mediante múltiplos ajust­es de equilíbrio dinâmico controlados por me­canismos de regulação interrelacionados. A vida na Terra é possível devida uma complexa intera­ção entre todos os componentes existentes no planeta. É a ideia de que nosso planeta é um su­perorganismo que, de certa maneira, está "vivo".

Em seu artigo "Gaia", o ecologista gaúcho José Lu­tzenberger explica a interdependência dos animais com as plantas. Como no ciclo da respiração e no da fotossíntese, que são intimamente relaciona­dos. Assim refere Lutzenberger em seu artigo: "As ár­vores, florestas, pradarias, os banhados e as algas microscópicas dos oceanos, são órgãos nossos, tão nossos quanto nosso pulmão, coração, fígado ou baço. Poderíamos chamá-los de "nossos órgãos ex­ternos", enquanto estes últimos são nossos órgãos internos. Mas nós somos órgãos externos delas! "O Organismo Maior é um só".

Esta é uma abordagem sistêmica da existência da vida. A realidade está toda interconectada, onde a espécie humana é apenas um fio dessa rede, tão importantes quanto os plânc­tons dos oceanos.

A trama que propicia a existência de vida na Terra é complexa e tênue, e está ameaçada pelo comportamento de um de seus fios, a humani­dade.A situação é dramática: criamos um sistema humano que não é suportável pelo sistema ter­restre, do qual fazemos parte, ameaçando a supor­tabilidade do planeta Terra, que está em seu limite.

 
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