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Uma vida pela ecologia Imprimir
Escrito por Renato Araújo   
Segunda, 16 de Abril de 2012 - 13:25

Lutz3Ao lermos ou ouvirmos falar da história de vida do ecologista José Lutzenberger, que há uma década nos deixou, ficaremos surpresos com a sua abnegação pela luta da questão ecológica. Após anos como alto executivo da empresa multinacional BASF, produtora de adubos químicos, Lutzenberger, no auge dos seus 45 anos, abdicou de toda a estabilidade profissional para se dedicar exclusivamente à causa ecológica. Mas o que seria esta causa ecológica? Para a grande maioria da sociedade a questão ecológica está restrita a preservação da fauna e flora, onde se tem uma percepção bastante equivocada do que realmente é a ecologia defendida por Lutzenberger. Sim, ecologia não é apenas conservação da natureza.

Seguindo os ensinamentos de Lutzenberger, entramos em contato com uma noção de ecologia mais aprofundada do que nos ensinam nas escolas e faculdades. Esta corrente de ecologia chega a alcançar um grau de escola filosófica, pois aborda toda uma cosmovisão da existência, ou seja, ela possui uma explicação própria de como a vida se manifesta. A partir desta ótica, em meus estudos sobre a ecologia, pude chegar à conclusão que Lutz lutava por dois aspectos fundamentais: a organização do sistema produtivo e a distribuição da renda gerada por ele. Esta é a causa ecológica numa ótica mais aprofundada. Entretanto, para conseguir chegar à essência dessa questão se faz necessário a utilização da visão sistêmica da vida, visto que através de uma análise fragmentada da realidade nunca conseguiremos conceber o todo. Tal como se refere Aristóteles: "O inteiro é mais que a simples soma de suas partes". O pensamento mecanicista, desencadeado pelas descobertas de Descartes, faz acreditar que a natureza deva também ser fragmentada para sua compreensão, mas novas descobertas no âmbito da biologia nos mostram como a Natureza toda está interconectada.

Existem pessoas que dedicam suas vidas a um futuro melhor para a vida na Terra. Usufruir do caldo cultural formado pelo conhecimento de pensadores como os físicos Fritjof Capra, Vandana Shiva e Wangari Maathai, a ganhadora do prêmio Nobel, representa uma oportunidade para cada um de nós interferir para deter o comportamento suicida que a humanidade adotou com seu capitalismo neoliberal. Na sociedade do consumo pelo consumo, onde Ter significa mais do que Ser, temos a distorcida visão que a vida é uma competição, e que o mais forte é o vitorioso. Mas a vida é uma sinfonia estruturada de forma cooperativa, onde os mais adaptados ao meio sobreviverão, e evoluirão aqueles que estiverem em harmonia com o todo.

Para avançar em um campo tão complexo como esse, se faz necessário uma sistematização do que já foi dito e escrito pelo ecologista José Lutzenberger. Em suas palestras e conferências, está a coluna vertebral de uma visão filosófica que o homem moderno ainda não se atreveu a vivenciar. A percepção de que a Natureza se encontra no íntimo de cada um e ao mesmo tempo em todo o Universo é um dos ensinamentos que essa visão nos traz. É um momento de redescoberta de nós mesmos, para enfim nos sentimos partes integrantes de algo maior.

 


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