No buraco Imprimir
Escrito por Anselmo Cunha dos Santos   
Quarta, 20 de Outubro de 2010 - 10:52

buracoDepois de dois meses embaixo da terra os 33 mineiros foram finalmente resgatados e trazidos de volta à sociedade. Ao saírem da clausura, foram recebidos por suas famílias, uma singela equipe de engenheiros e a figura excepcional do presidente do Chile, Sebastian Pinheiro. Assim que passarem os exames médicos os mineiros voltarão a suas rotinas e, com o tempo, se informarão de tudo que ocorreu no país enquanto estavam presos. Mas e se fosse no Brasil, o que contaríamos para nossos mineiros?

Começaríamos falando da valorização do real em comparação ao dólar, notícia agradável para não assustar os pobres mineiros brasileiros. Mas logo se tornaria impossível esconder as notícias desagradáveis, que aqui estão por todos os lados.

Ao ligarem suas televisões, veriam reality shows com pessoas comendo baratas e vermes por dinheiro. A expressão reality deveria ser trocada por banality, afinal, onde está a realidade em pessoas fazendo absurdos para divertimento alheio em troca de dinheiro?Mas, como diz o dito popular, eles são o que comem.

"Tudo bem, basta não ligar a tv que estaremos salvos da babaquice", diriam os mineiros, mas estariam redondamente enganados. A não ser que fossem displicentes de política, como a maioria dos desacreditados brasileiros, veriam uma campanha vergonhosa e mesquinha. Candidatos que antes apenas se alfinetavam, agora trocam golpes de espada no segundo turno.

Para se distrair os mineiros, que já não iam querer saber de mais notícias ruins, perguntariam como andam seus times de futebol. O entretenimento do esporte os distrairia depois de tanto maus agouros. Porém, no esporte também veriam absurdos, como o caso do jogador do Santos, que ainda nem saiu das fraldas e já expulsou o técnico do time num duelo infantil de poder.

Os mineiros brasileiros que sairiam felizes da mina, em pouco tempo, poderiam constatar que mudaram de lugar, mas caíram num outro buraco, onde a demora para o resgate será bem maior do que os dois meses transcorridos na mina chilena. E com relação ao Chile, há uma vantagem: lá os mineiros poderão escolher se querem ou não voltar para a mina.

 


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