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Um gringo conquista o Brasil Imprimir
Escrito por Luís Bustamante   
Terça, 20 de Julho de 2010 - 00:35

Malcolm_RobertsSetembro de 1969. O Brasil ainda comemorava a façanha dos três norte-americanos que pisaram na Lua, quando um inglês, só conhecido na terra dele, aportou no Rio de Janeiro e logo tornou-se o centro das atenções.

Chamava-se Malcolm Roberts e vinha participar do IV Festival Internacional da Canção – FIC – defendendo a balada Love is all, composta pelos conterrâneos Les Reed e Barry Mason. Dois incidentes marcaram a estréia do cantor num Maracanãzinho lotado: primeiro, Malcolm chega atrasado, sem documentos e quase é barrado pela segurança do estádio; depois, por um erro de um membro do júri, fica em terceiro lugar, quando a música que defendeu foi escolhida por unanimidade pelo público (cerca de 30 mil pessoas) que a aplaudiu em pé e ruidosamente.

A música que ficou em primeiro lugar, Cantiga por Luciana, havia vencido a fase nacional do FIC, mas não era a favorita. Composição de Paulino Tapajós e Edmundo Souto, interpretada magistralmente pela cantora Evinha, falava dos encantos de uma menina de forma um tanto hermética, o que, naqueles tempos de ditadura militar, não era muito apreciado pelo povo – coisa de intelectual, dizia-se. Love is all simplesmente dizia que o amor é tudo, de forma açucarada, na voz potente de um britânico loiro e charmoso, o que, para os padrões da época, era o must.

Malcolm Roberts gravou pelo menos umas seis músicas – inclusive a concorrente Cantiga por Luciana –, porém no Brasil foi um dos sucessos de uma só música. Love is all permaneceu nas paradas brasileiras por mais de seis meses, apoiada por uma versão livre interpretada pelo cantor Agnaldo Rayol. Depois do festival, a canção foi gravada em estúdio, com orquestra, coro e o melhor da tecnologia – ouvindo-se o player, constata-se que não perde em muito para o que se faz hoje.

Depois de um tempo bem curtido no Rio, Malcolm voltou para a Inglaterra, passando a viver as glórias da música que o consagrou, com direito a fã-clube e agrados da imprensa local. Morreu em 2003, com 58 anos após sofrer um ataque cardíaco numa localidade próxima à Manchester, cidade onde nasceu e onde deixou como lembrança um disco de ouro que ganhou pelos milhares de vinis que deixou espalhados pelo mundo.

Love Is All

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