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Capa Memória Colunistas Nos tempos do vinil Yes, temos rock rural!
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Yes, temos rock rural! Imprimir
Escrito por Luis Bustamante   
Quarta, 18 de Agosto de 2010 - 15:23

rock-cabocloUma das características dos tempos do vinil foi o experimentalismo – não que hoje não se façam experiências; o que andam fazendo fica mais restrito aos estúdios, aos computadores. À época, as inovações saíam para as ruas, se popularizavam, viravam sucessos nacionais, talvez devido à influência do rádio, à maior incidência de programas musicais na tv e até mesmo pela presença do vinil, que era a forma concreta de se perceber a música, com suas capas coloridas, intrigantes, muitas vezes polêmicas.

Uma dessas experiências foi o rock rural, leitura cabocla do rock'n'roll com influências do folk e do country ingleses e americanos e dos nossos caipira e sertanejo – na verdade um jeitinho brasileiro de entrarmos na onda do rock progressivo que se espalhava pelo mundo com Beatles, Pink Floyd, Doors e outros tantos. Foi também o canal para a rapaziada do momento manter um pé nas raízes interioranas sem ser rechaçada pela urbanização que começava a globalizar o país. Sem o sotaque de Tonico & Tinoco, era chique e moderno ser (ou parecer) caipira ou interiorano.

O rock rural foi importante na passagem da década de 1960 para a década de 1970, quando o mundo experimentava grandes mudanças sociais, políticas e culturais, no Brasil principalmente essas últimas. Cantávamos e dançávamos o rock dos anos 50, ligeiramente modificado pelo movimento do 'ié-ié-ié', aqui traduzido como jovem guarda. Junto ao movimento tropicalista e ao que restava da bossa nova, os novos roqueiros buscavam uma identidade brasileira para o rock, sem traduções, sem versões e com temas bem coisa nossa.

Os primeiros a se aventurarem na ruralização do rock foram Os Mutantes (Rita Lee, Arnaldo Batista e Sérgio Dias), que inovaram acrescentando distorções e efeitos instrumentais a canções com jeito caipira Na esteira vieram Brazilian Bitles, ainda com toques jovenguardistas, Os Caçiulas (considerados os Mamas and Papas brasileiros), o pernambucano Paulo Diniz, O Terço (que foi do Flávio Venturini) e os nossos Almôndegas. Há quem diga que o trio Sá, Rodrix e Guarabira foi o pioneiro, mas eles já pegaram o trem andando, lá por 75, 76.

Adotado com plena brasilidade, o rock rural, devido à sua origem angloamericana, só perdeu em autenticidade para o samba e suas variações. O certo é que trouxe grande contribuição ao cenário musical brasileiro, encorajando a propagação das canções de raiz, até então só tocadas nas rádios eruditas, representadas por Renato Teixeira, Zé Geraldo, Almir Sater, Rosinha de Valença, Tetê Espíndola. Sim, também gerou o sertanejo pop das Irmãs Galvão, Chitãozinho e Xororó, Zezé di Camargo & Luciano... aí são outras histórias. Aos players, então!

1-mutantes

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 5-terco  

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 6-almondegas  

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Não use drogas. Diga não a qualquer forma de violência. Se beber, não dirija.

 


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