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Capa Memória Colunistas Nos tempos do vinil Gringos made in Brasil
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Gringos made in Brasil Imprimir
Escrito por Luis Bustamante   
Terça, 31 de Agosto de 2010 - 13:34

compactoBA era vinil teve momentos marcantes, e um dos mais curiosos foi quando se deu o boom de artistas brasileiros gravando músicas em inglês lá pelo início dos anos 70. Primeiro porque vivia-se o ufanismo patrocinado pela ditadura militar, em que se procurava valorizar o produto verde-amarelo em contraposição a culturas externas que, hipoteticamente, ameaçavam o regime de fardas. Além disso, naquele momento o idioma inglês ainda não era tão popularizado, ficando mais restrito às elites intelectuais ou financeiramente abastadas.

O fato é que, de repente, os brasileiros começaram a cantar em inglês – e não somente os hits internacionais que, até então, circulavam em versões livres adaptadas ao gosto nacional. Nossos artistas gravaram músicas compostas aqui, mas em inglês e com seus nomes artísticos também em inglês, como fizeram Christian (o goiano José Prereira da Silva Neto, mais tarde da dupla Christian & Ralf), Morris Albert (o paulista Maurício Alberto Kaisermann) e as bandas Pholhas e Light Reflections, só pra citar alguns exemplos.

O fenômeno dos brasileiros cantando em inglês pode ter várias explicações. Uma delas é que, naquele tempo, os sucessos internacionais chegavam às rádios principalmente através de fitas e compactos trazidos de fora, muitas vezes por funcionários de empresas aéreas. As canções tocavam no rádio, mas não estavam disponíveis nas lojas, o que fez com que as gravadoras percebessem um novo nicho de mercado e resolvessem lançar brasileiros cantando em inglês. A estratégia tanto deu certo que alguns expoentes viraram hits lá fora, como Morris Albert e Light Reflections. Muita gente nem sequer sabia que, por trás das canções que invadiam as rádios, as pistas e as trilhas das novelas, estavam compatriotas.

A mania dos cantores internacionais made in Brazil começou a decair no início dos anos 80, quando a música brasileira ganhou mais espaço nas rádios. As gravadoras constataram que a longo prazo era mais negócio investir em samba e sertanejo. Vários dos artistas daquela época permaneceram em evidência, com seus nomes verdadeiros ou mantendo os pseudônimos, como Michael Sullivan, por exemplo, que transformou-se num compositor de sucesso, com músicas gravadas por Tim Maia, Gal Costa, Paulo Ricardo, Roberto Carlos, Fagner, Alcione.

Intelectuais mais voltados às coisas da terra até hoje não poupam críticas contrárias àquele período, tachado de colonialismo cultural ou neocolonialismo, ainda mais quando nossa formação portuguesa tem fortes influências do espanhol, italiano, francês, alemão. Certo é que o inglês predominou, gerou uma série de gringos postiços e encantou e embalou toda uma geração aos sussurros de love me, kiss me, baby, my life e outras expressões que acabaram incorporadas ao linguajar brazuca sem se aportuguesarem como aconteceu com futebol (foot-ball), gol (goal), time (team), entre outras. Vale conferir a seguir, por saudade ou curiosidade. Play it!

1B-christian

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2B-Morris-Albert

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3B-Pholhas

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4B-Light-Reflections

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Não use drogas. Diga não a qualquer forma de violência. Se beber, não dirija.

 


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