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Esgrima Brasileira: muito talento, mas pouco investimento Imprimir
Escrito por Giovani Gafforelli   
Sexta, 22 de Junho de 2012 - 21:56

equipe-brasileiraManuscritos sobre a prática da esgrima remontam o século XVI. Na França, no período do absolutismo (séculos XVII e XVIII), havia competições de lutas com a utilização de sabres e espadas. No ano de 1896, nos Jogos Olímpicos de Atenas, a esgrima fez parte do quadro de modalidades esportivas. O esporte chegou ao Brasil durante o período Imperial. No começo do século XX, militares do Rio de Janeiro passaram a adotar a prática da esgrima durante os treinamentos.

Safra boa em 2011

A esgrima brasileira vem crescendo e tem conquistado bons resultados nos últimos anos. No ano passado, o Brasil obteve a medalha de bronze inédita na categoria por equipes, no Pan Americano de Guadalajara. Para o gaúcho Tywillian Guzenski, atleta da Sociedade Ginástica de Porto Alegre (SOGIPA), com o número de talentos que temos, se houvesse um maior investimento na esgrima, o Brasil poderia tornar-se uma potência.

Profissionalização

tywillianTywillian é o 3º melhor esgrimista brasileiro e o segundo no ranking da Confederação Brasileira de esgrima (CBE). Ele tem uma rotina de treinos exaustiva (em média de 6 horas diárias) e relata que uma das principais dificuldades para quem joga Esgrima é se sustentar no meio.

O esgrimista gaúcho fez sua estréia em 2005, no Campeonato Sul Americano, mas se profissionalizou no esporte em 2008, quando começou a receber premiações e ajudas de custo. "Tenho direito ao bolsa-atleta, um programa do Governo Federal que estimula o esporte, visando as Olimpíadas de 2016, no Brasil. Não é um dinheiro ideal, mas ajuda bastante. E o clube, no meu caso, a Sogipa, sempre me deu uma força com passagens e despesas nas viagens. Há também um que outro patrocínio pontual, para uma competição em especial". Entretanto, com relação aos lucros que a esgrima tem rendido, Tywillian ressalta: Eu acho que não é o ideal".

Iniciação ao esporte

O atleta Gaúcho afirma que treina esgrima desde seus nove anos de idade. Começou em 1998, quando conheceu a esgrima através do "Projeto Criança", da SOGIPA, que faz uma introdução às diversas modalidades esportivas. É de lá que grandes nomes do esporte gaúcho se sobressaíram, e entre eles, o judoca Bicampeão Mundial, João Derly.

"A Sogipa tem o Projeto Criança, onde a criançada vai no turno inverso ao do colégio. Como eu estudava à tarde, comparecia lá pela manhã. E nesse projeto tu praticas todos os esportes que têm lá. Foi ali que eu conheci a Esgrima. Quando comecei na Sogipa, o meu treinador disse que eu levava jeito, e me convidou para treinar em outro turno também, depois do colégio. Eu gostava e comecei, desde então eu nunca parei", diz Tywillian, explicando como surgiu seu interesse pelo esporte.

Palavra de quem sabe

tywillian-03Sem dúvidas, projetos como o da SOGIPA formam, sim, futuros atletas com potencial para serem campeões. Quando se aprende a modalidade desde pequeno, as ações motoras e os movimentos técnicos ficam registrados em nossa memória, tornando-se quase automatizados na hora do jogo, explica o professor de Educação Física, Willian Snair Moraes, formado em Ciências do Desporto na PUCRS.

Treino é jogo, jogo é guerra

tywillian-02O atleta Tywillian tem uma rotina diária de 6 horas em média de treinos. Atualmente, além de treinar e se preparar no Brasil com seu treinador cubano Velásquez, o esgrimista também faz sua preparação na Hungria, pois além do nível técnico e competitivo, a infraestrutura é muito melhor.

"Infelizmente o Brasil ainda não é grande nesse tipo de esporte. A diferença é que na Europa eu tenho mais pessoas para treinar e o nível de competitividade lá é bem maior. No nosso país, o esporte é ainda muito limitado, e por isso opto por treinar na Europa", explica Tywillian. E o resultado de seus treinos foi nítido, pois conquistou uma medalha de bronze inédita no Pan Americano de Guadalajara.

Segundo Taylane Guzenski, irmã e também esgrimista - jogadora de florete - a qualidade técnica do irmão aumentou muito, em níveis de agilidade, técnica, ações, e até o mental. "O Tylli, apelido carinhoso dado pela família e amigos, sem dúvidas evoluiu muito o seu jogo, as suas ações. Quando tu observas o jogo dele, tu percebes que ele está mais rápido, que suas ações são mais diretas, mais objetivas. Esta é a diferença de fato".

De acordo com Tayane, quando o atleta quer evoluir deve procurar quem entenda de esgrima. Mas para ela infelizmente os esgrimistas brasileiros estão longe do nível europeu. "Espero também, após me formar na faculdade, ter essa experiência de treinar na Europa, quem sabe junto com meu irmão na Hungria".

Para Tywillian, a sua maior conquista foi a medalha de bronze que conquistou no Pan Americano de Guadalajara. "O duelo, estava muito equilibrado, até que o jogo terminou com o Brasil à frente da Venezuela, por 2 pontos de diferença".

ATENÇÃO! Precisa-se de investimentos

Para a esgrimista Taylane Guzenski é necessário que o Brasil invista em melhores condições para os treinos e banque treinadores qualificados, pois só assim os atletas poderão retornar com medalhas no peito, como o seu irmão. Taylane resslta que tais requisitos são decisivos para os Jogos Olímpicos, em 2016, no Rio de Janeiro e lembra: "O Brasil é um país que tem muito potencial bruto, mas que ainda não foi lapidado", afirma Taylane.

Londres 2012

A expectativa para os jogos de Londres, neste ano, é que o esgrimista Guilherme Toldo, do Florete individual, traga alguma medalha. Mas para que isso aconteça, Taylane ressalta que Toldo deverá estar preparado, pois apesar de ser muito bom tecnicamente, ainda falta experiência para cadenciar o jogo. "Com certeza seus treinadores terão que preparar seu psicológico para as batalhas que virão, mas capacidade e talento para tal feito o mesmo possuí", explica a esgrimista.

Outro brasileiro que gera expectativas para Tywillian é Renzo Agresta, 1º colocado do ranking nacional na categoria dos Sabres. O esgrimista do Clube Pinheiros, de São Paulo, agrada e muito, pois nos últimos momentos por poucos pontos de diferença conquistou a última vaga para Londres. Além de técnica, o paulista já possui alguma experiência no cenário internacional.

 


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