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Das ruas para as galerias Imprimir
Escrito por Fredo Tarasuk, Bruno Moura e Ana Scheffre   
Quarta, 15 de Junho de 2011 - 13:52

grafite-01O grafite brasileiro conquista seguidores e espalha cores pelos muros da cidade

Já faz alguns anos que se percebe o crescimento da chamada 'street art'. Tanto nas ruas, como em diversos outros meios, é possível constatar a presença, cada vez mais forte, desta nova forma de produzir arte.

O grafite, estilo difundido no Brasil durante a década de 70, conquista, dia após dia, mais espaço e apreciadores. O Univreso IPA conversou com Lucas Machado e Marco Antonio, o 'Marcolino Mundowos', integrantes do Núcleo Urbanóide. Na sede do Núcleo Urbanóide, na rua Lopo Gonçalves, no bairro Cidade Baixa, a dupla relatou um pouco da história e cultura do Grafite e Street Art.

O Núcleo Urbanóide integrou o projeto 'Identidade de Rua', uma iniciativa da comunidade que pratica a street art, e, juntamente com o Instituto Trocando Ideia, foi convidado a grafitar os trens que ligam Porto Alegre à Região Metropolitana. O Núcleo existe desde 2007, e foi fruto de uma ideia coletiva dos artistas Carioca e Trampo. Atualmente está constituido por sete integrantes: Jotape, Careca, Marcolino, Anão, Mikeseilá, Grazi e Yara. Porém, o time do núcleo também é formado por integrantes flutuantes. Além do grafite, o grupo trabalha com outros tipos de street art, como a colagem e o estêncil, voltados tanto para a rua quanto à decoração. Há, também, a realização de oficinas onde o núcleo se propõe a ensinar a arte de rua.

Pensando em uma maneira de difundir a arte, o Urbanóide realiza várias atividades de cunho social, junto a escolas e associações de bairros, com o intuito de afastar o jovem da marginalidade. Esse é o caso do artista Lucas Machado, que começou na pichação e acabou migrando para o grafite. "Eu me senti atraído pela cultura do hip hop e grafite, acabei largando a pichação. Fui aprendendo e me interessando cada vez mais pela arte". É o que ressalta o artista.

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Segundo a lei 12.408, o grafite deixa de ser constituído como um crime, desde que haja consentimento do proprietário do local onde a arte será realizada, de modo a tratar o grafite como uma forma de arte. Outro aspecto da lei que vai regrar a atividade é a proibição da venda de tintas em embalagens de aerosol para menores de 18 anos.

Com a nova lei que diferencia a pichação do grafite, Marcolino acredita que o próximo passo seja a profissionalização da atividade de grafiteiro. "Quanto mais profissionalizarem o negócio, melhor para nós. Porque é o que agente quer, e hoje também queremos ganhar dinheiro com isso. Eu quero que, para o meu filho e meu enteado, que queiram trabalhar com grafite, haja um mercado". O grafiteiro também faz a relação do grafite no Brasil com outros países, e destaca: "Hoje em dia estamos em outro nível no grafite. O Brasil é o único lugar onde eles dão verbas nas escolas só para grafite. Eles estão ensinando grafite nas escolas. Eu acabei uma oficina há poucos dias na minha cidade, que foi ensinar uma galerinha. Comprei 50 latas e gastei dentro do colégio com a gurizada".

Tanto Marcolino quanto Lucas Machado revelam que levará um tempo até a sociedade se conscientizar plenamente da existência do grafite e da cultura que envolve esse estilo de arte. Para eles, hoje estão sendo colhidos frutos de trabalhos passados. Entretanto, afirmam que está longe de ser o ideal almejado, que é viver tranquilamente de sua arte. Apesar de tudo, os artistas concordam que muitos frutos promissores poderão ser colhidos daqui a algum tempo.

 


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