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Escrito por Matheus Pannebecker   
Quarta, 21 de Setembro de 2011 - 15:12

Philip-GlassPoucos minutos depois das nove horas da noite do dia 19 de setembro, um senhor vestido de preto entrou no palco do Theatro São Pedro, em Porto Alegre, e arrancou aplausos da plateia. Ele, com jeito muito tímido, saudou a todos com um "boa noite" em português. Era o músico norte-americano Philip Glass que, em sua terceira apresentação na capital gaúcha, mostrou o porquê é considerado um dos profissionais mais influentes de sua área. Ele falou em português a noite inteira, surpreendendo, e fez uma apresenteção de quase duas horas – excedendo a duração inicial programada para apenas 80 minutos.

Philip Glass, hoje com 74 anos, já transitou entre os mais variados cenários musicais: compôs para o teatro, criou óperas, dedicou-se a solos em piano, trabalhou para o cinema e já direcionou o seu talento para inúmeros instrumentos. O autor das espetaculares trilhas de As Horas (sua obra-prima definitiva) e Koyaanisqatsi – Uma Vida Fora de Equilíbrio, alcançou fãs incondicionais ao redor do mundo com obras extremamente íntimas e singulares em suas sonoridades. Se Einstein on the Beach é o seu trabalho mais aclamado, também não podemos de citar passagens da carreira de Glass igualmente impressionantes, como o álbum Solo Piano.

Apresentando-se com o violinista Tim Fain, Philip Glass revelou que a obra selecionada para aquele momento era extremamente pessoal e que quase nunca se apresenta desta maneira. O evento teve alternância entre solos de piano e violino, para, depois, unir os dois instrumentos nos melhores momentos da apresentação: Music for The Screens e a recente Pendulum. Nas três divisões de Music for The Screens (onde podemos destacar a maravilhosa The French Lieutenant) e também na breve Pendulum, fica evidente a eficiente parceria de Glass e Fain.

A apresentação, que teve início mais do que marcante com a belíssima Metamorphosis Two (composição que serviu de inspiração para algumas das melodias da trilha de As Horas), foi um verdadeiro espetáculo para os apaixonados por música. Não só por ter como principal estrela Philip Glass, mas, também, por revelar o jovem Tim Fain, que já foi solista de várias orquestras do mundo tocando de Beethoven à Tchaikovsky. É uma dupla que faz o melhor com seus respectivos instrumentos, mostrando, claro, forte dedicação pela arte.

Aplaudidos fervorosamente, Glass e Fain retornaram ao palco duas vezes após o anúncio do final da apresentação. O veterano compositor, então, disse que o bis seria dividido entre ele e Fain. Enquanto o violinista tocou de forma impressionante uma parte de Einstein on the Beach (obra que é um verdadeiro desafio para se tocar em solo), Glass encerrou sua passagem por Porto Alegre com Opening, de Glassworks. Em qualquer momento da noite, o veterano compositor transpareceu sua paixão por música: fácil vê-lo tocando de olhos fechados, como se estivesse "sentindo" a música.

Glass, portanto, recebeu pelo menos três agradecimentos. Primeiro, o da plateia, que estava visivelmente encantada. Segundo, o de Fain (numa escala de tempo, tem mais aparição que o próprio Glass, devido ao maior tempo dos solos de violino), que muito em breve deve seguir os passos de outro pupilo de Glass: Nico Muhly, que foi assistente do compositor em Notas Sobre Um Escândalo e, depois, fez sucesso e compôs a trilha de O Leitor. E, por último, o meu. As três horas de fila para conseguir ingresso valeram a pena. Obrigado, sr. Glass, por uma das noites mais incríveis da minha vida!

 


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