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O revival dos anos 90 Imprimir
Escrito por Matheus Pannebecker   
Terça, 01 de Novembro de 2011 - 09:02

boomdiegoamorimOs anos 90 representaram uma época em que não tínhamos acesso à internet. Para conhecer músicas e artistas, era necessário assistir a TV ou, então, sintonizar em alguma estação de rádio. Valorizava-se mais a vontade de ouvir músicas, pois tínhamos que ir atrás. Hoje, o acesso a ela, assim como a sua criação, já bem mais fácil. Por isso mesmo, é fácil encontrar artistas que repetem muito do que já foi sucesso um dia. Em tempos de Lady Gaga, Ke$ha e afins, são poucas as canções contemporâneas que podemos dizer que fazem parte da vida de todos. A pluralidade musical e o fácil acesso de hoje impedem que o público possua tantos gostos em comum de forma tão forte como antes.

Nos anos 90, era justamente o contrário: impossível não compartilhar do mesmo gosto musical ou, então, não decorar todas as canções que estavam nas paradas de sucesso. O cenário musical mudou e, ainda hoje, as músicas que fizeram sucesso na naquela década permanecem intactas na mente das pessoas. Ao celebrar essa nostálgica época em que a música, independente do estilo, era fator comum a todos, a festa Boomshakalaika, do Laika Club (av. Venâncio Aires, 59), reúne todos as clássicas canções dos anos 90 e aqueles que ainda possuem o espírito livre de preconceito musical. É o revival dos anos 90, um assunto relativamente novo em Porto Alegre, cidade que costuma sempre ser cenário de festas que resgatam apenas músicas dos anos 80.

É possível, portanto, embarcar no clima da festa e relembrar clássicos como "Lua de Cristal", da Xuxa, ou até mesmo "Erguei as Mãos", do Padre Marcelo Rossi. Para a DJ da festa, Karla Hofmann, é esse clima de ouvir canções que parecem quase impossíveis de serem tocadas numa festa de sábado à noite que é o destaque da Boom: "O mais importante é o clima da festa, do público sair de casa sabendo que vai ouvir coisas absurdas. Então, você já está numa vibe descontraída, pronto pra experimentar e ficar muito feliz de ouvir aquela música que você já tinha esquecido ou pra ouvir aquela que fez parte da sua história, por pior que seja!".

É a diversificada seleção musical que diferencia a festa, justamente por possuir algo raro: identidade. É resgatando memórias de todos os seus frequentadores que a Boom se consolida como uma opção repleta de momentos divertidos. O outro DJ da festa, Márcio Telles, atribui a boa recepção do público a essa identidade formada ao longo de 13 edições. "A formação da nossa identidade foi quase imediata... Acho que teve umas três edições de indefinição, mas a partir da quarta, quando 'liberamos geral' e adotamos as brincadeiras, a galera começou a sacar que tava rolando algo ali que só podia rolar na Boom. Acho que é esse desprendimento, sem-vergonhice do que tocamos, que é o principal da festa!", comenta.

O público, claro, não deixa de se divertir com o repertório. A estudante Carolina Luft diz que o preconceito não tem vez na Boom e que aproveitar clássicos da infância numa festa de sábado à noite é uma sensação incomparável: "Nada melhor do que ouvir as músicas que marcaram a tua juventude e, como é a única festa que eu conheço que faz isso, não tem como eu não ir. Eles sempre acertam na dose". Luft ressalta que não existe festa igual em Porto Alegre e que é uma opção onde o que vale é a alegria e os momentos saudosistas presentes durante a festa. "Tu olha pros lados e todos estão cantando e dançando as músicas juntos, é uma grande festa", completa.

Quem também sempre participa da festa é o estudante Acauã Brondani, que brinca ao dizer que o repertório apresentado na Boomshakalaika marcou sua formação cultural: "Os artistas que tocam nessa festa são meus ídolos da infância e da adolescência, definiram meu caráter!". Assim como Luft, ele comenta que os anos 90 são tempos que não voltam mais e que celebrar o cenário musical daquela época é uma verdadeira satisfação, pois eram tempos em que existia uma aura de "alegria coletiva", onde todos sabiam as letras e as coreografias da música. "É muito bom ver isso na Boom, pois lá podemos entrar no clima de diversão sem medo algum", comenta.

É a interação com o público e a animação que toma conta do lugar que o DJ Buzz Lightyear, ressalta como o ponto alto: "O pessoal curte a festa toda, mas tem uns momentos, que surgem principalmente por músicas-chave, que geram uma espécie de transe coletivo no pessoal. Fica parecendo que vai pegar fogo no Laika! Às vezes eu me assusto com a agitação do pessoal.". Entre as músicas-chave da Boomshakalaika, os DJs destacam: Xuxa (Lua de Cristal), Padre Marcelo Rossi (Erguei as Mãos), Netinho (Milla), Los Hermanos (Anna Júlia), Shakira (Estoy aqui), Lacre azul do cachorrinho (sim, aquela do Liquigás!), Chitãozinho e Xororó (Evidências), Celine Dion (My Heart Will Go On), Asa de águia (Xô Satanás) e Araketu (Pipoca).

Com temáticas que variam desde a novela Vamp e a piscina do Gugu até o mágico Mr. M., a Boomshakalaika se destaca no cenário de Porto Alegre, portanto, por fazer algo diferente, apostando num tema que, até então, só era explorado por outra festa do Laika Club, a Bailalaika. A DJ Karla Hofmann comemora o resultado, dedicando o sucesso da festa a todos os seus frequentadores, os "boomshakers", como são carinhosamente chamados: "Juro que vejo todo tipo de pessoa por lá: os frequentadores assíduos do Laika, os roqueiros extravasando, pessoas que nunca vi na vida, gente nova, gente mais velha, a Boom é muito democrática, todo mundo tem alguma memória com as músicas que tocamos. Nós somos apenas os caras-de-pau que dão o play!".

A Boomshakalaika acontece uma vez a cada dois meses, com a próxima edição marcada para o dia 17 de dezembro.

 


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