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Guerras e tormentas nas páginas de um livro Imprimir
Escrito por Andréia Pires   
Quinta, 08 de Dezembro de 2011 - 07:52

guerras-tormentas-lopesUm livro tem despertado a atenção dos estudantes de Jornalismo, além de ser tema de bate-papos e discussões de quem se identifica com o jornalismo internacional. Trata-se da primeira obra do repórter Rodrigo Lopes, Guerras e Tormentas - Diário de um Correspondente Internacional, lançado pela Editora Besouro Box. Nele, o repórter relata as suas coberturas e traz ao leitor a sensação de estar presente nos históricos episódios mundiais.

Formado pela UFRGS, com especialização em Jornalismo Literário, o repórter multimídia do Grupo RBS registra, entre tantos episódios, a Catástrofe do Furacão Katrina, a morte do papa João Paulo II e a eleição do primeiro presidente negro dos Estados Unidos.

Rodrigo pisou pela primeira vez na Praça de Autógrafos da Feira do Livro deste ano e resumiu a sua sensação ao afirmar: "É como estar do outro lado do espelho". Simpático e muito humano falou para o Universo IPA sobre a sua carreira, trabalhos e futuros projetos profissionais.

O escritor já colhe resultados deste trabalho e destaca que o mais importante são os relatos dos leitores, pois "para cada pessoa, o livro tem um impacto diferente". O maior elogio, ressalta o autor, é ouvir das pessoas que elas se sentiram no local dos fatos durante a leitura, pois este é o maior objetivo do enviado especial: "Tocar o publico através de seus relatos de maneira que se sintam lá".

Em cada viagem, em cada cobertura especial que faz, Rodrigo evidencia o seu lado humano, ao contar a história através de pessoas comuns que entram no seu caminho. Muitas vezes o intérprete local, o taxista, por estarem próximos ao fato e retratarem de forma clara e real o ambiente, se transformam em personagens da matéria. Na visão do jornalista, fora do Brasil, tudo o que ocorre integra a reportagem: "O processo da reportagem, já é reportagem. A tua saída já é a matéria".

Sobre outros livros, o jornalista diz estar cada vez mais entusiasmado com a idéia de escrever sobre as suas vivências. E entre elas destaca como futuro projeto em potencial , 'O Caminho até o Piratini', aventura jornalística na qual, acompanhado do fotógrafo-cinegrafista, Jefferson Botega, atravessou o Estado em 31 dias, para contar a história das pessoas que encontrava em cada cidade do roteiro.

Das coberturas internacionais que fez, a mais marcante, relata Rodrigo, foi sobre o Haiti. Ao chegar ao país no pós-terremoto encontrou muitas dificuldades, além da tragédia, do cheiro de morte e destruição por toda parte. Em suas palestras em universidades, o repórter conta um pouco da sua trajetória profissional e exibe alguns vídeos, como o que fez numa visita ao Hospital do país, onde, abalado com as cenas que viu, chorou. Por isto, esta cobertura, em sua opinião, está entre as mais humanas que fez, além de ser "a mais difícil em termos psicológicos".

O sonho de cobrir uma guerra e conhecer os seus correspondentes o repórter realizou no Líbano, onde foi o único jornalista brasileiro a estar dos dois lados. Mesmo tendo que enfrentar dificuldades, conseguiu alcançar o seu objetivo, o que faz desta, a cobertura que mais gostou, apesar dos riscos que correu.

Seu mais recente trabalho internacional foi referente aos 10 anos do 11 de setembro. Uma cobertura pontual, onde tudo ocorria tranqüilamente, até a emissão de um alerta sobre o risco de um possível atentado. As informações eram de que três homens haviam entrado nos Estados Unidos com esta missão. Ao ver os policiais ocupando as ruas, além de outras medidas de segurança, ficou claro para o repórter: "O mundo ainda é refém do terrorismo". Com um cerimonial, marcado pela comoção dos familiares foi inaugurado o Memorial, erguido em homenagem às 3000 vítimas dos atentados. Foi um "mexer na ferida", relembra Rodrigo, mas também um gesto de reverência às famílias que não tiveram corpos para velar.

Para quem ainda não adquiriu o livro é possível encontrá-lo nas livrarias. E a sua leitura, certamente, fará com que você viaje pelo mundo através dos relatos de um jornalista internacional que dá o seu pontapé inicial como escritor.

 


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