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La Sombra, Zona Livre e Hora Extra Imprimir
Escrito por Manoela Rysdyk   
Sexta, 23 de Outubro de 2009 - 16:23

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A mostra Cine en Construcion, de quinta-feira (22), no Santander Cultural, exibiu La sombra del Caminante de Ciro Guerra. Logo depois foi a vez do longa Praia do Futuro, uma produção coletiva.

La Sombra Del Caminante mostra a história de dois homens marcados pelo passado. Um deles é Mañe, que mora em um quarto de pensão dem Bogotá. Sem dinheiro, desemprego, aleijado e com traumas ele tenta arrumar um trabalho.

Nas idas e vindas ao centro da cidade, ao ser atacado por um grupo de meninos, ele recebe ajuda. Quando acorda está em um barraco. Quem o ajudou foi um homem que também tem a vida marcada por traumas. O homem carrega gente em uma cadeira adaptada nas suas costas por uma bagatela de 500 pesos.

Os dois começam uma amizade rodeada de desconfiança. Um ajuda o outro. Mas, o mistério e as memórias do passado são mais fortes. No primeiro momento, o passado sofrido os une. No decorrer da trama, conforme vão se conhecendo, suas vidas se entrelaçam. O homem desconhecido que ajudou Mañe, na realidade, não era um total estranho. Para a estudante Maria Laura, o filme passou o sentimento de muita gente que vive nas margens da sociedade. “Escuro e trágico, muito bom”, completou a estudante.

O cenário é o mesmo, a Praia do Futuro, mas a visão é diferente. Vários diretores, sentimentos, lembranças de uma parte muito conhecida de Fortaleza. No total são 15 episódios que formam o filme. Em um bate-papo depois da exibição, os diretores Guto Parente e Fred Bevides apontaram alguns fatores da produção.

A ideia é de grupo multifacetado e por isso a percepção de unidade já nasce impossibilitada. “O filme sempre foi pensado no plural e errôneo. Foi um aprender a tolerar e aprender com as diferenças”, ressalta Fred Bevides. A produção interfere na cidade projetada e a urbanização faz parte disso. “Lá, ou você é muito rico ou muito pobre”, completa.

Guto Parente dirigiu e atuou no primeiro episódio, o qual retrata a ida de uma família à praia. A filha do casal brinca no banco de trás do carro até chegarem ao local. A expectativa é grande, ela quer muito chegar à Praia do Futuro. Enfim, quando lá chega, ela corre para brincar em uma piscina de um quiosque que fica na praia. O diretor fala que cresceu indo à praia com seu pai e que hoje o local é diferente: “existem essas barracas com piscina, para os pais é muito cômodo e para a menina ir à praia, é ir para piscina”. Guto afirmou que vários episódios têm uma questão de incômodo, que podem estar nas entrelinhas. “Essa é uma forma da praia que me incomoda, por exemplo”.

A mostra de longas metragens do festival tem seu último filme apresentado hoje, com reprise amanhã. O encerramento do CEN ocorre na Usina do Gasômetro, às 22 horas.

 

Sentimentos aflorados e tecnologia

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A mostra “Zona Livre 4” contou com a exibição de três filmes: Haze, Influenza e Vibroboy. Na saída da sessão, Bruno Viana começava a Hora Extra com sua engrenagem cinematográfica.

Os filmes exibidos na sessão das 17 horas da Usina do Gasômetro de quarta-feira (21) são produções do Japão, Coréia do Sul e França. Haze foi o primeiro da lista e contagiou o público com a sua agonia. Na tentativa de sair de um suposto labirinto onde era quase impossível mover-se, o ator depara com obstáculos torturantes. Claustrofóbico e agonizante.

Influenza usa câmeras de segurança da Coréia do Sul para mostrar o que antecedeu com um homem que tenta pular da ponte do Rio Han. Ele passa por banheiro, metrô, lixo, caixas eletrônicos e estacionamento sempre aplicando truques na tentativa de se dar bem. Quando entra no banco com a sua companheira, ambos armados para supostamente assaltar, são presenteados com dinheiro por ser o cliente número 1000 da agência.

O francês Vibroboy mostra o travesti francesca que presenteia sua vizinha de trailer, Brigittie, com uma estátua asteca. Leon, que não consegue controlar seus atos de euforia, raiva e ciúmes, quebra sem querer a estátua de onde sai outro aparato, uma espécie de vibrador asteca. Enlouquecido ele morre e ressurge como Vibroboy com sua arma vibratória. A sessão passou do nítido desconforto da plateia em suas poltronas para risadas, porém ainda agonizante.

No lounge do CEN, o público comentava a sessão. Pedro Henrique, estudante de Análise de Sistemas, disse que o filme Vibroboy foi o que mais o agradou, devido ao ar undergound. Sobre o primeiro filme, o estudante comentou: “é envolvente, porém quando o ator começou a escutar vozes achei a narrativa desnecessária, pois já estava passando aquilo que a voz dizia”.

Já o Influenza foi engraçado e a montagem interessante, segundo o estudante. Bruna Dal Sasso, estudante, disse: “Quase vomitei. Todos os três filmes são agonizantes. Acho que foi por isso que reuniram todos na mesma sessão”. Alice Castil, estudante de Cinema viveu uma contradição: “ Eu queria sair do cinema e ao mesmo tempo saber como ia acabar”.

Os comentários foram contidos, pois já estava começando o Hora Extra, com Bruno Vianna, que demonstrou como funciona a interface onde ele decidi qual cena vai para tela grande. A edição é feita na hora, as cenas são representadas por pontos luminosos projetados da tela. Com os dedos, Vianna monta o filme e ainda é possível manipular o plano das sequências que serão usadas .

O público ficou curioso com a tecnologia levada por Vianna. Carla Silva, estudante, disse: “desperta o lado lúdico, só não sei se tanta tecnologia pega”. O diretor vai exibir o filme Ressaca amanhã, às 21 horas, na sala P.F. Gastal, com reprise sábado (24), às 17 horas, no Santander Cultural.

 


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