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Tom Wolfe encerra o Fronteiras 2009 Imprimir
Escrito por Manoel Canepa   
Quarta, 18 de Novembro de 2009 - 10:04

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O escritor e jornalista, Tom Wolfe, foi o último conferencista do ciclo de palestras Fronteiras do Pensamento de 2009. Responsável por produzir um novo estilo de reportagem, chamado de Novo Jornalismo, o norte-americano abordou o tema O espírito de nossa Época, e finalizou, no dia 11 de novembro, a edição atual do evento.

Wolfe começou sua carreira como colaborador de jornais como o The Washington Post, Enquirer e New York Herald. No início dos anos 60 passou a produzir reportagens que mudaram radicalmente o formato conhecido até então. Misturou jornalismo com literatura. Esse estilo ficou conhecido como o Novo Jornalismo.

Conhecido como um crítico impiedoso da vida de seu país, escreveu atualmente diversos artigos sobre o momento complicado da sociedade norte-americana. “Estamos vivenciando nos Estados Unidos, e quem sabe no mundo, o fim de um modelo social”, comentou.

Porém, ao falar sobre as transformações que a sociedade vem passando, disse que a crise econômica é apenas uma delas. E possivelmente não a mais profunda. “A revolução sexual mudou muito mais a sociedade do que a quebra de modelos econômicos”.

Outro fator que vem mudando radicalmente a vida humana, segundo Wolfe, é a ascensão da neurociência e da pesquisa genética. A ideia de que o cérebro é uma espécie de software e de que a vida estaria programada, ganhou força entre a aristocracia norte-americana. “A suposição de que o ser humano vive sem o livre arbítrio provoca mudanças intensas no mundo”, disse o jornalista.

Para Wolfe, essa concepção de que a vida estaria programada traz consequências tão amplas, que pode inclusive por em xeque as leis que conhecemos: “Como pode-se condenar alguém que não tem escolha sobre os seus atos?”.

Essas transformações seriam mais drásticas do que as vividas no século 20, onde tivemos a ocorrência de movimentos como o nazismo, fascismo e comunismo. Para Wolfe, no século 21, o fenômeno para qual caminhamos é ainda mais perigoso: “Estamos nos dirigindo para o abandono de todos os valores conhecidos”.

Entre trabalhos importantes de reportagens de Wolfe, destacam-se: O teste do ácido do refresco elétrico, livro-reportagem que fala sobre jovens e o LSD nos anos 60. Fogueira das vaidades critica os investidores de Wall Street, nos anos 80. E em Eu sou Charlotte Simmons retrata as universidades norte-americanas e a vida desregrada de seus estudantes. Além disso tem publicações importantes em ficção e não ficção, como Um homem por inteiro (1998), Emboscada no Fort Bragg (1996) e Os eleitos (1979).

No final, perguntado se era pessimista, Wolfe respondeu: “Não. Me considero antes de tudo um jornalista. É que a comédia humana nunca termina, está sempre acontecendo. Eu só observo os fatos”. E com Tom Wolfe, o Fronteiras do Pensamento de 2009 chegou ao fim. Pelo menos até o ano que vem.

 


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