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As expectativas do Oscar para os melhores filmes de 2009 Imprimir
Escrito por Matheus Pannebecker   
Quinta, 04 de Março de 2010 - 12:14

Oscar-2010Ocorre nesse domingo a entrega do principal prêmio do cinema, o Oscar, que completa 82 anos de existência e traz uma lista de indicados muito diversificada. Tal fato deve-se ao aumento de indicados na categoria principal. Os cinco filmes que antes concorriama ao prêmio máximo, agora são dez. Essa decisão trouxe um caráter muito mais amplo para o prêmio, que continuava a sofrer críticas por ainda ter um quê de conservadorismo - principalmente após deixar longas populares e elogiados como WALL-E e Batman - O Cavaleiro das Trevas, de fora da disputa ao prêmio de melhor filme.

Mas se a decisão parecia acertada, eis que os votantes da Academia foram infelizes no timing. Não poderiam ter escolhido momento mais fraco para tomar essa decisão. Não dá para entender como longas simplesmente medianos (Distrito 9), para não dizer fracos (Um Sonho Possível) foram figurar entre os grandes filmes do ano. Culpa inteiramente do ano de 2009 é que não foi. Existiam outros filmes muito mais interessantes que poderiam facilmente estar entre os dez selecionados, ao exemplo de (500) Dias Com Ela e Star Trek, por exemplo.

Pode-se até dizer que o Oscar não foi muito feliz nas escolhas da categoria principal, mas, de resto, não há muito do que se reclamar. Abaixo, uma análise pessoal das categorias, os favoritos, quem ficou de fora e quem merece levar.

MELHOR FILME

A surpresa chamada Guerra ao Terror (que existe desde abril de 2009 em dvd, mas só agora foi parar nos cinemas) deve levar a melhor. Ganhou o BAFTA (o Oscar britânico) em todas as categorias principais, e ainda tem um forte apelo político que atinge os americanos. Também podemos contar com o fato de ser dirigido por uma mulher. Fato que por si só já atrai atenções para o longa. E, de fato, a diretora Kathryn Bigelow se saiu maravilhosa na direção. Mas fica aquela sensação de que, por si só, fica essa impressão porque ela é uma figura feminina. Correndo atrás, vem o arrasa-quarteirões, Avatar, que já é a maior bilheteria da história, e ainda tem um intenso apoio do público. O problema é que o longa-metragem de James Cameron não tem atores e nem mesmo o roteiro na disputa. Quem merecia, no final das contas, é Educação ou Amor Sem Escalas, produções bem menores, mas muito mais emotivas e maduras.

MELHOR DIREÇÃO

Para fazer uma dobradinha com a categoria principal, Kathryn Bigelow deve levar. Além de ser um prêmio histórico (ela seria a primeira mulher a vencer nessa categoria), a diretora realmente merece - principalmente porque não é todo dia que se vê uma pessoa do sexo feminino dirigindo um filme tão intenso e com tanta habilidade. Logo atrás vem o seu ex-marido James Cameron, que já deveria estar mais do que satisfeito com a vida, uma vez que seus dois últimos filmes são as duas maiores bilheterias do cinema de todos os tempos e ainda porque já tem o prêmio em casa pelo grandioso Titanic.

MELHOR ATRIZ

Essa é a disputa mais indefinida desse ano. Apesar de cinco indicadas, somente duas estão realmente na corrida pela estatueta. A primeira é a veterana hors-concours Meryl Streep. A atriz, que chega ao prêmio com sua décima-sexta indicação (a recordista absoluta), já concorreu onze vezes desde que ganhou seu último Oscar, em 1983, e parece vir com força total para finalmente ganhar seu terceiro prêmio. A segunda é a queridinha Sandra Bullock. Ela até então não tinha qualquer campanha para vencer, mas bastou vencer o Globo de Ouro e o Screen Actors Guild que suas chances cresceram exponencialmente. Conhecida por ser uma figura adorada pelo público, a simpatia de Bullock foi tão grande que inclusive conseguiu com que o filme fosse indicado na categoria principal. Só isso para explicar o favoritismo de uma atuação tão nada demais como essa. Se existisse justiça certeira nesse mundo, a inglesa Carey Mulligan vencia por Educação. Mas como ela já não tem qualquer campanha para vencer, a torcida de coração vai para Meryl mesmo.

MELHOR ATOR

Foi um ano muito fraco para os atores. Tanto, que não existem sinais de grandes interpretações ou torcidas se exaltando. O nome mais cotado é o de Jeff Bridges por Coração Louco. O ator, muito conhecido, e que já atuou em diversos filmes, parece carregar o favoritismo por conta de sua carreira diversificada e, não, necessariamente, por seu desempenho ou sequer pelo filme que foi mal recebido pela crítica. Bridges ganhou quase todos os prêmios da temporada e dispara como o mais provável vencedor. Se existe alguém que pode ser uma surpresa nessa história é Colin Firth, que venceu o BAFTA. Em Direito de Amar, Firth interpreta um gay que acaba de perder o companheiro e tem que aprender a lidas com as dores trazidas por esse acontecimento. É um tipo de papel que a Academia gosta, e que, também, foi premiado no festival de Veneza. O problema é que o filme é independente demais, foi pouco visto e não teve boa distribuição (aqui no Brasil, por exemplo, teve sua estreia adiada em cima da hora). Deslocado na lista está Jeremy Renner, em uma indicação incompreensível.

MELHOR ATRIZ COADJUVANTE

Mo'Nique tem um dos papeis mais asquerosos dos últimos tempos em Preciosa - Uma História de Esperança. Contudo, em uma determinada cena, muda a nossa opinião trazendo uma grande humanidade para sua personagem. É mais especificamente por esse momento que a atriz vem faturando todos os prêmios possíveis, uma vez que a personagem não tem variações emocionais mais significativas além dessa cena. Mo'Nique realmente impressiona e é impossível que ela não saia da festa com a estatueta em mãos no domingo. Essa é uma categoria meio bagunçada. Podemos ressaltar, por exemplo, a nomeação de Maggie Gyllenhaal por Coração Louco. Além de não ter sido previamente indicada a nada, a atriz ainda foi alvo de críticas que disseram que sua indicação é só pelo conjunto de sua carreira e não pelo trabalho em si. Penélope Cruz, a atual vencedora da categoria, recebeu uma nomeação absurda de injusta (era a sua companheira de tela Marion Cotillard que merecia reconhecimento pelo mediano Nine). A ausência de Julianne Moore por Direito de Amar també foi sentida. Um prêmio para Mo'Nique e para Vera Farmiga (Amor Sem Escalas) seriam bem agradáveis. O Oscar estaria em boas mãos de qualquer uma das duas.

MELHOR ATOR COADJUVANTE

Se existisse uma categoria em quem ninguém aposta outra coisa essa é a de ator coadjuvante. Não existe sombra de dúvida que Christoph Waltz ganhará por seu desempenho brilhante em Bastardos Inglórios. Nada mais merecido, o desempenho do ator é inquestionável, pois ele alcançou o completo nível do brilhantismo.

MELHOR ROTEIRO ORIGINAL

Categoria meio duvidosa. Existem duas opções aqui. A primeira é que o vencedor do roteiro original pode refletir o vencedor da categoria de melhor filme. Ou seja, Guerra ao Terror. Ou, então, os votantes podem premiar o roteiro de Quentin Tarantino para Bastardos Inglórios como uma forma de reconhecimento maior para o filme, que deve passar quase que em branco. A possibilidade mais plausível é a primeira, pois o Oscar parece realmente ter se apaixonado por Guerra ao Terror , já que o filme concorre até onde não deveria - como em trilha sonora, por exemplo.

MELHOR ROTEIRO ADAPTADO

Infelizmente, deve ser o único coroamento que o ótimo Amor Sem Escalas receberá. Nenhum outro concorrente ameaça as chances do filme levar. Prêmio mais que justo: o filme estrelado por George Clooney é maduro, reflexivo e sentimental na medida exata, além de discutir questões bem atuais.

PAINEL DE APOSTAS

Filme: Guerra ao Terror
Direção: Kathryn Bigelow (Guerra ao Terror)
Roteiro Original: Guerra ao Terror
Roteiro Adaptado: Amor Sem Escalas
Atriz: Meryl Streep (Julie & Julia)
Ator: Jeff Bridges (Coração Louco)
Atriz Coadjuvante: Mo'Nique (Preciosa - Uma História de Esperança)
Ator Coadjuvante: Christoph Waltz (Bastardos Inglórios)
Montagem: Guerra ao Terror
Trilha Sonora: Up - Altas Aventuras
Edição de Som: Avatar
Mixagem de Som: Avatar
Direção de Arte: Avatar
Filme Estrangeiro: O Segredo de Seus Olhos (Argentina)
Fotografia: A Fita Branca
Animação: Up - Altas Aventuras
Efeitos Especiais: Avatar
Maquiagem: Star Trek
Figurino: A Jovem Vitória
Canção Original: The Weary Kind (Coração Louco)

 


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