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Mary e Max, uma amizade diferente Imprimir
Escrito por Matheus Pannebecker   
Quinta, 29 de Abril de 2010 - 11:00

mary-max"O doutor Bernard Hazelhof disse que se eu estivesse numa ilha deserta, teria que me acostumar com a minha própria companhia. Estaria apenas eu e os coqueiros. Ele disse, que tenho que me aceitar e também aceitar os meus defeitos e tudo mais. Disse que nós não escolhemos os nossos defeitos – eles são parte de nós e temos que aprender a lidar com eles. Podemos, no entanto, escolher os nossos amigos. E sou feliz por ter escolhido você". Esse é o trecho de uma carta que Max (dublado por Philip Seymour Hoffman) escreve para Mary (voz de Toni Collette).

Max é um norte-americano de 44 anos que sofre da síndrome de Asperger. Ele não possui qualquer contato mais significativo com as pessoas do mundo e tem uma vida roteirizada minuciosamente. Um dia, no entanto, a rotina de Max muda quando ele recebe uma carta de Mary. A princípio, receoso de se comunicar com a garota, ele, aos poucos, começa a escrever e passa a ser amigo dela.

Mary tem oito anos, mora na Austrália e tem uma vida tão problemática quanto a de Max. Ela não tem amigos na escola (onde, constantemente, é perturbada por outros estudantes), sua mãe é alcoólatra e seu pai, uma figura distante. Mary é sozinha, cheia de questionamentos e muito inteligente para idade que tem. Um dia, por curiosidade, resolve escrever para alguém da América com o objetivo de saber como nascem os bebês. O escolhido para receber a carta é Max.

A partir do momento em que os dois começam a se escrever, imediatamente surge uma afinidade entre os dois. Ambos encontram, um no outro, o amigo que nunca tiveram. É por meio dessas cartas que o roteiro de Mary e Max – Uma Amizade Diferente se desenvolve. A animação, que está em cartaz na cidade de Porto Alegre, desde a última sexta-feira, versa sobre como uma única amizade pode ser decisiva na vida de alguém. E, também, como um amigo pode ser a solução para todos os problemas.

Muitos podem pensar que a animação cai no clichê. Não é verdade. Mary e Max já começa se diferenciando na própria abordagem: temos aqui um desenho totalmente voltado para os adultos - em algumas partes, inclusive, temos tentativa de suicídio e até um personagem se descobrindo gay, por exemplo. É uma história construída para o público maduro que aprecia animações.

Mas, não dá para se enganar: a animação de Adam Elliot, apesar do enredo triste e quase tétrico, tem bastante humor – que é representado através de muita ironia e crítica. É um programa, apesar de tudo, leve e acessível. Não que isso torne a experiência menos interessante do que deveria. Até porque, nos momentos finais, é difícil não se comover com os rumos tomados. É um filme muito agridoce e que, se apreciado da maneira correta, pode trazer uma grande reflexão de vida sobre a amizade. Quem tem um verdadeiro amigo, mesmo que seja apenas alguém que more a milhas de distância, sabe o quão verdadeiro é o roteiro dessa animação.

 


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