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Renato Russo vive Imprimir
Escrito por Daniel Freire   
Quarta, 18 de Outubro de 2006 - 17:20

renato-viveNo espetáculo musical "Renato Russo - A peça", que estreou na última quinta-feira (12/06), no palco do Centro Cultural dos Correios, no Rio de Janeiro, o ator Bruce Gomlewski encarna com precisão a figura do legionário símbolo da geração anos 80, que deixou esse mundo há dez anos, mas que continua, até hoje, por intermédio de sua obra, conquistando milhares de fãs por todo o País.

Durante os 115 minutos de espetáculo, o ator, que conseguiu assemelhar-se muito a Renato no físico, no gestual e na oralidade, relembra toda trajetória do líder da Legião Urbana, passando pelo período inicial da carreira, em Brasília, na banda Aborto Elétrico, de segmentação Punk, à dificuldade em conseguir gravadora; chegando ao auge da Legião e, sutilmente, à morte. Acompanhado da banda Arte Profana, Bruce reproduz algumas das mais significativas músicas compostas pelo poeta. O espetáculo tem direção de Mauro Mendonça Filho e texto de Daniela Pereira de Carvalho, e é o primeiro autorizado pela família de Renato. Teve inspiração no livro "Renato Russo, o trovador solitário", de Arthur Dapieve.

Renato, juntamente com Cazuza, é considerado, pelos fãs e pela crítica, o maior exponencial do movimento BRock (Rock Brasil) e sua obra continua muito atual. Suas letras traduzem as inquietações de uma juventude pós-ditadura militar, de pessoas engajadas, que anseiam pelas transformações sociais do mundo, e, mais especificamente, do Brasil. É incrível a capacidade de criação, qualitativa, tanto em canções de cunho político-social, quanto em canções de amor. Letras como "Que País é Esse"; "Faroeste Caboclo"; "Perfeição", alguns dos inúmeros sucessos da Legião, possuem uma profundidade de perspicácia e denotam a realidade de nosso País.

Renato Russo morreu no dia 11 de outubro de 1996, aos 36 anos, vítima de AIDS, em sua casa, no bairro de Ipanema, no Rio de Janeiro. Deixou uma obra vasta, com mensagens atemporais, além de um filho, Giuliano, hoje com 17 anos. Lutou cerca de seis anos contra o vírus HIV. Nos últimos meses de vida, desanimado com o rumo da sua situação e de seu País, prostrou-se. Porém, não transpareceu - talvez tenha sido o único momento de não autenticidade na relação com os fãs - e fez questão de deixar, em seu último trabalho com a Legião Urbana, uma mensagem de força e fé: "quando tudo está perdido, sempre existe um caminho; quando tudo está perdido, sempre existe uma luz".

Seu biográfo, o jornalista Arthur Dapieve, a respeito da preocupação que Renato tinha de despertar um senso crítico nas pessoas, fazendo-as enxergar a "imoralidade" do Brasil, sentencia: "há uma bonita ironia que Renato - roqueiro, homossexual, alcoólatra, soropositivo, tudo o que a hipocrisia condena - seja um dos bastiões morais do Brasil. Por isso, ele vive!".

 


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