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A performance da arte Imprimir
Escrito por Giselle Hirtz   
Quinta, 10 de Junho de 2010 - 10:11

horizonte-expandidoNo dia 26 de maio, no Santander Cultural, teve início a exposição de arte "Horizonte Expandido", com a curadoria dos artistas plásticos Maria Helena Bernardes e André Severo. A mostra é uma reunião de obras de artistas dos anos 70 que incorporaram o movimento da Land Art. Este movimento teve como característica principal a saída do artista para além dos muros de seus ateliers propondo a interação da arte com o corpo e a natureza.

A proposta marca os dez anos do Grupo Areal de arte e traz artistas que influenciaram em suas obras. A exposição se propõe não somente trazer as obras, mas também debater sobre os limites da arte contemporânea e a sua interação com o público. Como esta é a primeira mostra trazida pelo grupo, foi privilegiado um trabalho heterogêneo, trazendo artista das décadas de 60 e 70, de diferentes movimentos, todos que souberam romper como o 'establishment' das instituições museológicas.

Dentre as obras que integram a exposição, estão os vídeos da Spiral Jetty, do artista Robert Smithson (1938-1973). A obra nasceu em 1970 e está representada em uma faixa de 5m de largura e 500m de extensão, composta por toneladas de rochas basálticas, desenhando uma espiral no Great Salk Lake (Grande Lago Salgado) do estado do Utah, nos EUA. Para Smithison, a natureza era algo inacabado, cabendo a arte preencher essas lacunas dos meios naturais. Assim, estes artistas da Land Art, vão buscar no conceito de Escultura em Campo Expandido, a ideia de afrontar as dimensões da natureza com a arte.

Outros artistas que estão presentes na mostra e que merecem toda a nossa admiração são Marina Abramovic, Ana Mandieta, Valie Export, Helio Oiticica, Joseph Beuys, entre outros. As três primeiras compõem o núcleo feminino de artistas presentes e fazem parte do movimento artístico da Body Art, uma vertente da arte contemporânea que utiliza o corpo como suporte da arte.

Abramovic, com seus vídeos e fotos mostra o quanto leva a sério a ideia de desafiar o corpo como arte, muitas vezes até se mutilando como forma de protesto. Suas performances sempre foram mostrar o quanto ela está disposta a afrontar o expectador. Ana Mandieta e Valie Export são outras artistas que estão no time e que utilizam o corpo como forma de protesto bem como suporte da arte. As obras são da série Silueta, de Ana Mandieta, produzidas no México e em Iowa, de 1973 a 1980. Um dos trabalhos mais comentados da mostra, reúne mais de cem obras em que a artista faz a silhueta de seu corpo aparecer em meio à natureza. Já Valie Export apresenta uma série de fotos artísticas tendo ela como modelo e onde mostra sua genitalha como forma de resgatar no corpo, todo o pluralismo poético.

Não poderia esquecer de mencionar Helio Oiticica, artista brasileiro da década de 60, membro de movimentos como a o Neoconcretismo brasileiro. Revolucionário, atuou com obras que remetiam suas opiniões políticas, visto que a sua época como artista foi marcada pelo regime militar e pela severa censura. A exposição traz uma série de documentos, depoimentos sobre o artista e alguns vídeos de suas performances. Outro destaque na mostra e é Joseph Beuys. Na exposição podemos ter acesso a uma discussão em que o artista trava a respeito da arte e de suas possíveis acessibilidades. Denominado como Escultura Social, o seu trabalho é uma entrevista com o artista e serve como base para compreender o quanto sua obra é orgânica na medida em que ela se concretiza através da fala e do corpo. Apesar de muitos críticos se oporem a essa qualificação, o caracterizam como artista conceitual.

A exposição conta ainda com outros artistas como: Gordon Matta-Clark, em sua primeira exposição para os gaúchos, Nancy Holt, Vito Acconci, Dennis Openheim, compondo a média de 16 artistas e 72 obras. A iniciativa desta exposição é uma parceria, bem como a reunião das obras de várias instituições culturais internacionais como Fundación Cisneros, Eletronic Arts Intermix e James Cohan Gallery.

Para quem admira a arte contemporânea e quer ter o prazer de desfrutar as obras tão instigantes desses artistas, vale a pena prestigiar a exposição do Santander Cultural, na Praça da Alfândega. A exposição segue até dia 15 de agosto, de segunda à sexta, das 10 às 19h. E aos sábados e domingos, das 11h30 às 19h. Outras informações, acesse o blog: Horizonte Expandido. A entrada é franca.

 


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