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Por que Crepúsculo faz tanto sucesso? Imprimir
Escrito por Matheus Pannebecker   
Quinta, 15 de Julho de 2010 - 10:43

crepusculo

Desde que Harry Potter e O Senhor dos Anéis saíram do papel para o mundo da sétima arte, não se via um fenômeno literário tão celebrado nas bilheterias como a saga Crepúsculo. Mais do que isso, não se via uma história que tocasse tanto com o imaginário do mundo adolescente.

A saga criada pela escritora Stephenie Meyer narra o relacionamento de Bella com o vampiro Edward. E, no meio dessa turbulenta relação – que, inclusive, traz inúmeros perigos para a vida da humana Bella – surge o lobisomem Jacob, que também se apaixona pela mocinha da história. Bella, portanto, fica num impasse: se tornar vampira e viver toda a eternidade com Edward ou, então, escolher Jacob e ter uma vida normal como qualquer ser humano.

Criticada pelo amadorismo de sua escrita e por seu limitado vocabulário, Stephenie Meyer alcançou um feito extraordinário (ou seria apenas sorte?): conseguir que uma história com uma temática batida acumulasse reconhecimento mundial. Ao passo que tantas outras produções do mesmo assunto não acarretam tanto alvoroço, fica a pergunta: por que a saga Crepúsculo tem tanta celebração?

Gostando ou não, é impossível ir contra a grande massa que defende a história de amor entre Edward e Bella. E, assim, a escritora Stephenie Meyer se vê em uma posição muito confortável: rica, cheia de sucesso e adorada por boa parcela dos adolescentes do mundo. Agora, ela se importa com quem a despreza? Dificilmente.

Para a jornalista e publicitária Ana Kamila Azevedo, existe um consenso geral de que a juventude atual perdeu muito dos valores de antigamente e que, hoje, é tudo muito liberado e os adolescentes estão cada vez mais precoces. Por isso, ela acredita que existe uma certa incongruência no sucesso da série. "Se os jovens são tão modernos e precoces, por que eles se identificariam com uma história pura, inocente e virginal?", questiona.

Ana Kamila responde a própria pergunta e afirma que tanto os livros quanto os filmes encantam aquelas pessoas que, no fundo, ainda acreditam que pode existir o ideal de um "grande amor". Ela também ressalta a forma como a figura masculina é retratada. "Uma figura como Edward Cullen apela muito ao imaginário feminino porque ele tem qualidades que todas as mulheres procuram em um parceiro.", afirma.

Já a estudante de Jornalismo, Gisele Hirtz Perna, discorda e acha que o saldo da saga Crepúsculo é muito negativo. Ela apóia a ideia de que a história resgata o amor lúdico. Entretanto, tem outra percepção do personagem Edward. "Não concordo com a forma como esse príncipe encantado é imposto. Dentro de uma sociedade onde a mulher pede tanta liberdade e igualdade, como podem aceitar um homem controlando e impondo o que elas têm que fazer da vida?", destaca a estudante.

Gisele ainda ressalta outros aspectos da história dos livros e dos filmes, bem como da abordagem da escritora Stephenie Meyer e do tratamento cinematográfico da saga: "É um filme machista, que vem de um livro mal escrito, de uma mórmon, que tem preceitos morais diferentes dos nossos e da sociedade norte-americana, a qual ainda mantém a idéia patriarcal de família, do homem como membro maior e absoluto".

Portanto, o que se pode aprender, com todas as filas imensas para se assistir "Eclipse" (em cartaz na capital) ou com todo o falatório em torno dos livros, é que basta uma história resgatar preceitos sentimentais esquecidos há muito tempo, numa sociedade cada vez mais submersa na racionalidade do que no sentimentalismo, que a celebração está garantida. O antigo volta a ser moda.

A unanimidade pode até ser "pouco inteligente", mas, consegue, facilmente, eclipsar quem vai contra. Ana Kamila ainda adverte: "Há que se dá o braço a torcer à saga. Uma obra que consegue gerar tantas reações diversas assim tem que ter alguma coisa especial...". Agora, se você é a favor ou contra, ou se você acha que é especial ou não, aí é outra história... Mas fica a dica: quer gostemos ou não, é impossível fugir desse fenômeno. Ele está por todos os lados.

 


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