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Escrito por Manuela Risdik   
Sexta, 23 de Julho de 2010 - 20:10

a-barcaEstá em cartaz, no Museu de Arte do Rio Grande do Sul, a exposição 'Portinari na Coleção Castro Maya', que apresenta o artista na visão de um colecionador. Quem for até o centro da cidade para  conferir a mostra vai encontrar um Portinari com traços mais leves, sem os contornos pontiagudos que caracterizam a sua face mais expressionista.

Lá está uma coleção de 50 obras incluindo pinturas, desenhos e gravuras, realizadas entre 1938 e 1958, e que raramente deixa o Museu da Chácara do Céu, uma das unidades do Museu Castro Maya, no Rio de Janeiro, detentor do maior acervo público do artista. A mostra fica até 29 de agosto, nas Pinacotecas do MARGS.

A exposição é o olhar de um colecionador: Portinari na visão de Castro Maya de forma mais estruturada. Trata-se de “Um olhar adocicado e ameno e não um olhar áspero e critico social, como as obras tradicionais de Portinari”, segundo o doutor e professor Renato Dias de Mello. Ele lembra a obra Os retirantes de 1944, onde a deformação é maior e “chega a um desespero”. Isso não se encontra nas obras de Castro Maya, pois ele procurava um Portinari pra se sentir bem. “Essas deformações estão presentes na exposição, mas de forma bem reduzida, aparecem na tela O BarcoO Sapateiro, mas no resto não. É um Portinari mais lírico.”

A mostra está dividida em três módulos: colecionador, amigo e mecenas. Logo na entrada da exposição, o visitante descobre um pouco da trajetória de Portinari pintor e de Castro Maya, com as diferentes facetas de sua atuação como colecionador e amigo. A seleção das obras é de responsabilidade da curadora Anna Paola Baptista, que ressalta a posição dos colecionadores. ”O papel dos colecionadores tem sua importância ao lado das instituições para a fixação da arte moderna”.

O primeiro módulo é  o ' Colecionador', onde se encontram 11 obras, óleo sobre tela, adquiridas por Castro Maya. Nessa parte da exposição estão demonstradas as diferentes facetas da obra de Portinari e também o olhar do colecionador.  As Lavadeiras estão nesse núcleo, uma obra fluida e leve, diferente de um Portinari clássico. “Isso mostra a sensibilidade de Castro Maya como colecionador”, diz a curadora. As obras que estão expostas no MARGS não são secas, contundentes como os Portinari tradicionais.

Ainda no módulo 'Colecionador', estão os desenhos da série especial D. Quixote.  “Eu gosto muito do Portinari desenhista. Nessa época, cerca de 1956, Portinari já estava intoxicado pelas tintas, o que o levou à morte”, lembra a curadora, ao apontar os desenhos, todos pintados a lápis de cor. “Ele vai além de um simples ilustrados, ele faz uma crítica.”

No módulo 'Amigo' estão as gravuras e o retrato de Castro Maya, presente de Natal ao amigo. A obra ficava no closet de Castro Maya, e este cômodo está representado na exposição através de um grande painel. O módulo 'Mecenas' foi dedicado a trabalhos encomendados pelo colecionador, nesta parte da mostra estão os cartões de Natal que Castro Maya costumava comprar de seu amigo Portinari.

A obra que recepciona a exposição é O menino do papagaio, um óleo sobre tela de 1954, que pertence ao acervo do MARGS.  Portinari na Coleção Castro Maya fica no Museu até o final deagosto. Essa é uma ótima oportunidade de conhecer um outro Portinari, na visão de um colecionador. Essa mostra já percorreu várias cidades brasileiras, como São Paulo e Curitiba. Agora é a vez dos gaúchos apreciarem a obra de Portionari.

 

Serviço

O que?  Exposição Portinari na Coleção Castro Maya
Onde? MARGS – Praça da Alfândega s/n
Quando? Até 29 de agosto
Quanto? Entrada franca

 

Para referência

Cândido Portinari. Nasceu em 1903, numa fazenda de café em Brodowski, interior de São Paulo. Desde cedo manifestou talento para a pintura. Começou a desenhar aos seis anos e aos nove participou, durante vários meses, dos trabalhos de restauração da igreja de Brodowski, auxiliando pintores italianos. Aos 15 anos, mudou-se para o Rio de Janeiro e frequentou a Escola Nacional de Belas Artes. Ainda jovem, ganhou um prêmio de pintura e foi se aprimorar em Paris, na França. Voltou ao Brasil para registrar imagens ligadas ao povo e foi quem melhor retratou a identidade do trabalhador brasileiro. O escritor Mário de Andrade considerava que o amigo era a mais útil e exemplar aventura de arte que já se viveu no Brasil. Foi reconhecido nacional e internacionalmente, virou tema de livros e realizou mostras dentro e fora do país. Além de desenhos, pinturas e gravuras, Portinari destacou-se com seus painéis e murais. Entre os exemplos estão o Conjunto Arquitetônico da Pampulha e os painéis que decoram o edifício-sede da Organização das Nações Unidas/ONU, em Nova York. A produção de Portinari, ao longo da vida, é estimada em aproximadamente cinco mil obras. O artista morreu no Rio de Janeiro, em 1962.

Os Museus Castro Maya, Rio de Janeiro – Museu do Açude e Museu da Chácara do Céu – foram criados em 1963, quando Raymundo Ottoni de Castro Maya (1894-1968) transformou sua coleção particular em patrimônio público. Hoje, a instituição integra o Instituto Brasileiro de Museus/IBRAM, do Ministério da Cultura. Filho de colecionadores, Castro Maya aumentou consideravelmente sua coleção, com obras nacionais e estrangeiras, que foram produzidas entre os séculos 4 a.C. e o século 20. A coleção engloba peças de arte moderna brasileira, arte oriental, arte européia dos séculos 19 e 20, mobiliário, porcelana e prataria, azulejaria e louça do Porto, arte popular brasileira, livros raros, entre outros.

Castro Maya foi editor de livros, criou a Sociedade dos Cem Bibliófilos do Brasil, a Sociedade dos Amigos da Gravura, e também foi fundador e primeiro presidente do Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro; e ainda, presidente da Associação de Amigos do Museu Nacional de Belas Artes e membro do Conselho Federal de Cultura. Na década de 1940, coordenou a reforma da Floresta da Tijuca, no Rio de Janeiro, e presidiu a comissão preparativa das comemorações do IV Centenário da Cidade do Rio de Janeiro.

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