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Guignard e o Oriente: China, Japão e Minas Imprimir
Escrito por Manu Rysdyk   
Terça, 28 de Setembro de 2010 - 11:05

guinardA exposição de Guignard e o Oriente: China, Japão e Minas revela o grande paisagista do modernismo brasileiro Alberto da Veiga Guignard (1896-1962). Em cartaz nas Pinacotecas do MARGS, a mostra expressa a relação natural e concreta do pintor, que viveu em Minas Gerais desde a década de 1940, com as tradições artísticas orientais.

Integra o acervo, um conjunto de 45 pinturas de Guignard e paisagens de seu contemporâneo, o mestre chinês Zhang Daqian, que viveu em São Paulo na década de 1950.

Gravuras japonesas da tradição Ukyio, fotografias e objetos como um biombo chinês, um relógio e um oratório de meados do século 17, com moldura de laca chinesa, também fazem parte da exposição que permanece no MARGS até o dia 7 de novembro.

Desde o início da década de 1980, historiadores do Rio de Janeiro apontaram referências de Guignard à tradição da pintura chinesa presentes nas paisagens verticalizadas que correm sobre a superfície da tela e dispensam a perspectiva linear com ponto de fuga.

O céu com balões ou pipas e os pássaros que parecem flutuar povoam as telas de Guignard. Na China, as pipas surgiram há mais de três mil anos e os balões, lanternas voadoras de papel, há mais de dois mil anos. De acordo com o curador da mostra, Paulo Herkenhoff, a presença desses elementos em um Guignard, independente da luz da paisagem, "é o que define a hora, ou seja, se há pipas é dia ou se há balões é noite".

As pesquisas de Herkenhoff levaram a concluir que a relação de Guignard com a arte chinesa é bem mais complexa e passa por outras questões representativas. "Com Guignard nós somos testemunhas do cosmos como uma relação diante do sublime", declarou Herkenhoff.

Vestígios históricos

O curador conseguiu estabelecer um importante foco da relação de Guignard com o Oriente. Trata-se das chinesices que proliferaram nas igrejas coloniais em Minas Gerais. Outro ponto de sua argumentação relaciona a obra de Guignard à Fundação do Serviço de Proteção ao Patrimônio Histórico e Artístico Nacional. Segundo Herkenhoff, uma paisagem de Guignard pode ser um complexo campo arqueológico da história. "A matéria pictórica não se sobrepõe como camadas de sedimentos, mas realiza seu oposto: o signo pictórico expõe índices - melhor seria chamá-los de vestígios. A transparência do óleo aposto e o traço inicial do pincel constituem vestígios daquilo que alguns denominariam memória e outros, história".

Ao afirmar que "O pincel do arqueólogo é um dos instrumentos de retirada de toda matéria sedimentar que paulatinamente se depositou e encobriu os objetos encontrados de um sítio arqueológico", o curador reforça o papel do principal instrumento de trabalho de Guignard. E ainda referindo-se à obra, Paulo Herkenhoff, destaca: "Sua operação arqueológica é constituir a presença da história".

Artista brasileiro, com formação europeia e influência chinesa

O pintor mineiro, nascido em Nova Friburgo, teve sua formação alicerçada na cultura européia. Viveu na Alemanha dos 11 ao 33 anos e freqüentou a Academia de Belas Artes de Munique, onde dedicou-se à pintura, tendo como mestres o artista Herman Groeber e o renomado botânico e ilustrador de Florença, Adolf Engeler.

Além de pintar, Guignard dedicou-se ao ensinou da arte, e entre seus alunos estão as crianças da Fundação Osório do Rio de Janeiro, com quem trabalhou por dez anos, a partir de 1931. O corpo do artista mineiro jaz na Igreja de São Francisco de Assis, em Ouro Preto, onde viveu por muitos anos, até falecer, em 1962.

É imperdível para os gaúchos, a oportunidade de conhecer as obras de destaque de um dos maiores pintores brasileiros e a sua relação com a arte chinesa, ao lado de pinturas do mestre chinês Zhang Daqian, seu contemporâneo na década de 1950.

Serviço

Guignard e o Oriente: China, Japão e Minas
Período: 15 de setembro a 7 de novembro de 2010
Visitação: terças a domingos, das 10h às 19h – entrada franca
MARGS: Praça da Alfândega, s/n – Centro | Fone: 51 3227 2311

 


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