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Capa Memória Cultura 23 anos de carreira, três horas de show e um sentimento de "até logo"
23 anos de carreira, três horas de show e um sentimento de "até logo" Imprimir
Escrito por Andrey Cidade   
Quinta, 14 de Outubro de 2010 - 17:28

DSC07450Como já se esperava, o Green Day entrou elétrico no palco do Gigantinho. O trio californiano que se dizia brasileiro mostrou o que todos queriam ver: um verdadeiro punk rock. Fogos de artifícios, explosivos e números musicais dividiram o espaço com o vocalista Billie Joe, que não parou de interagir com o público ao chamar fãs para o palco, além de fazer caras e bocas e declarar o seu amor ao país.

A banda surgiu em 1987 e só conseguiu reconhecimento em 1994, com o álbum Dookie, um verdadeiro divisor de águas, ao mostrar o que dê melhor a banda podia fazer.

Com riffs de guitarras marcantes, o Green Day levou a platéia ao delírio, assim que eram tocados os primeiros acordes. A canção abre alas do show foi "21st Century Breakdown", nome do mais recente álbum da banda (2009). Mas faltava a primeira música do estilo punk rock que deu sucesso ao trio californiano, e foi "Nice Guys Finish Last" a escolhida.

O punk estava de volta e mostrou um enorme amadurecimento até na forma de tocar músicas compostas há mais de dez anos. Aquele foi o primeiro momento que levou os fãs presentes ao Gigantinho às lágrimas, pois esperar para ver os ídolos no palco, emociana.

Canções como Boulevard of Broken Dreams, Geek Stink Breath, 2000 Light Years Away, She, Basket Case fizeram todos presentes perceberem que não seria um show qualquer o que estavam vendo, e sim o show de suas vidas.

– Onde estão os fãs old school do Green Day? Old School significa "velha escola", termo americano indicando nossos fãs antigos.

E não demorou pra Burnout, faixa de abertura de Dookie, criar uma enorme roda punk, verdadeira e honesta, com uma letra em tom de desabafo, no fim da música é refeita a pergunta.

– Onde estão os fãs old school?

E eis que começa Going to Pasalacqua, seguida de 2.000 Light Years Away, Hitchin a Ride e When I Come Around, com toda aquela juventude rebelde, que tem muito a falar, o grupo entoou as suas melhores músicas dos anos 90.

"Mas antes, precisamos de um cantor. Um verdadeiro cantor para essa música", dizia Billie Joe, ao procurar no público um fã. E eis que o vocalista escolheu uma menina para cantar "Longview". Apesar da falta de afinação e de um probleminha com o tempo da canção, a menina demonstrou personalidade e ganhou o público que foi solidário. Além do dia de glória assumindo os vocais do Green Day, a sorte foi ainda maior quando ao término da música, o vocalista entrega sua Guitarra Fender à menina, que certamente não deve ter dormido essa noite.

Apesar da enorme aceitação do público com as musicas novas e de todo o show ser cantado em coro pela platéia, o ponto alto foram os clássicos. When I Come Around, que teve toda a música cantada, ou berrada pelo público, enquanto a galera pulava ao som de um verdadeiro hino entre os adolescentes.

A última música dos anos 90 foi a polêmica King for a Day, que trata principalmente sobre a homossexualidade na juventude, em um tom descontraído. Longe de ser homofóbica, a canção, a exemplo de outras, contou com um figurino todo especial. Chapéus coloridos, óculos, fantasias e até um músico da banda de apoio fantasiado de Elvis Presley, fizeram parte do visual

Nos momentos finais da apresentação, a banda interagiu ainda mais com a platéia e mostrou que o espetáculo apresentado aos gaúchos era mais do que um show do Green Day, era um show de rock de uma geração. Músicas como Blitzkrieg Bop dos Ramones, Sweet Child o' Mine, dos Guns N' Roses, Highway To Hell, do AC/DC e Hey Jude, dos Beatles, tiveram seus refrões devidamente cantados pela banda e aceitos pela platéia, num total clima de felicidade.

21 Gun mostrou toda a grande produção e espetáculo que é o show da banda. Próximo do refrão final, fogos de artifícios caíram sobre o palco, dando a impressão de chuva, um efeito especial para todos. E, ainda teve Minority, que contou com chuva de papéis picados.

O primeiro bis veio começou com American Idiot, crítica direta ao comportamento americano, letra que Billie Joe compôs após os atentados as Torres Gêmeas em 2001, seguida de Jesus of Suburbia. A canção de nove minutos não fez o público acalmar nem por um segundo e o desejo era de que o show não se acabasse jamais.

Após uma nova saída, e empunhando o seu violão, Billie Joe tocou o primeiro acorde de Wake Me Up When September Ends, e o público foi ao delírio mais uma vez. Time of Your Life encerrou dignamente o espetáculo e a noite de todos ali presentes.

Com palmas, palmas e mais palmas, junto às lágrimas dos jovens fãs e dos mais antigos, também, a banda saiu do palco e agradeceu com um português um pouco arranhado: "obrigado, obrigado, obrigado, Porto Alegre".

Dever cumprido e uma noite que vai ficar para sempre na memória. Um show inesquecível para a nova geração, que cantou os sucessos recentes e os clássicos, e também para a antiga, que pôde conferir um pouco de cada um dos discos da banda. Quase três horas de música e de sentimento: um verdadeiro espetáculo!

 


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