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Um beatle com sotaque gaúcho! Imprimir
Escrito por Lisete Ghiggi   
Terça, 09 de Novembro de 2010 - 11:08

paulDepois do papa João Paulo II, somente sir Paul McCartney ousou dizer, em terra estranha e distante da sua, motivado pela calorosa acolhida e com seu sotaque inglês legítimo, "eu sou gaúcho". A Igreja Católica que desculpe a comparação, mas sou fã desse senhor inglês que tocou, cantou e encantou a todos, por quase três horas, sobre alguns centímetros de salto, sem esmorecer e nem beber um gole de água. Um verdadeiro milagre. O milagre do preparo e da dedicação; da interpretação e da sensibilidade que se espalha pelo mundo desde a década de 1960.

Além de 'Mas bah e Trilegal', palavras que percorrem o mundo midiático virtual e impresso para descrever o histórico show do beatle em Porto Alegre, o público também foi alvo de um comentário que, creio, só poderia partir de alguém que se sentiu em casa e gostou do que viu: "Este foi o melhor show que já fiz na América Latina". E tomara que, mesmo depois de sua ida à Argentina, a capital dos gaúchos continue sendo a uma referência para a nossa América.

Saí do show comovida com tanta beleza oferecida pela tecnologia, em termos de som, imagem e produção, somada à linda noite com que fomos presenteados, entretanto, não nego que deitei preocupada.

Mesmo contemplando mais de 50 mil pessoas, quase duas vezes o número de habitantes da minha terra natal, Veranópolis, deitei com uma dúvida e dormi com ela: Paul gostou dos gaúchos? Será que 'Sir James Paul' mostrou-se alegre e descontraído porque este é o seu estilo: um lord que vem para uma terra desconhecida e quer saber tudo sobre ela. Não só eu como alguns amigos que me acompanhavam, também cultivavam essa dúvida atroz quanto ao sentimento do ilustre visitante. É claro, no dia seguinte, a dúvida foi dirimida ao ler e ouvir a reprodução das falas do beatle, pronunciadas nos bastidores para a grande imprensa.

Mesmo tendo aplaudido o roqueiro e jazzista, seguindo o espírito e o clima que invadiam aquele estádio, o qual não era do meu time, mas abrigou um espetáculo ímpar, fiz o que todos fizeram: acompanhei os movimentos das arquibancadas, dos vips e do gramado; repeti os refrões, fotografei, segui o ritmo e cantei trechos das músicas que integram as melhores lembranças da minha infância, adolescência e boa parte do meu ciclo vital, ainda em andamento.

E depois pensando conclui: difícil aparentar o que não se sente por quase três horas exposto a uma multidão uníssona por cultuar o mesmo ídolo. Pessoas de todas as idades, sexos, cidades do nosso Estado e de outros estavam por lá, e entraram de forma comportada para receber e prestigiar um lord. Mesmo sem deixar de enfrentar hilárias confusões nas filas, não vi ninguém perder a compostura, sem receber o aviso: calma aí, isso é uma festa! Pequenos desacertos frente a tanta organização e esmero, não empanaram o brilho de um espetáculo que, mesmo depois de percorrer por muitos anos "The long and winding road, chegou a Porto Alegre. Deitei com incertezas, mas ao relembrar aquele espetáculo tive a convicção de que James Paul Mc Cartney não nos esquecerá tão cedo.

Come back Paul!

 


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