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Fronteiras do pensamento: Marina Silva e Fernando Gabeira debatem a questão ambiental Imprimir
Escrito por Filipe Chagas. Fotos: Anselmo Cunha   
Terça, 04 de Junho de 2013 - 16:37
Fronteira dois
Duas vozes que atuam no movimento ambientalista e são responsáveis pela criação do Partido Verde (PV) em nosso país, o jornalista e escritor, Fernando Gabeira, e a ex- ministra do Meio Ambiente, Marina Silva, discutiram, na última segunda-feira (27/05), no Fronteiras do Pensamento, a questão ambiental no Brasil, e não pouparam críticas ao atual governo Dilma.
 
Gabeira iniciou o seu politizado comentário com um relato do contexto histórico referente à importância que os países e líderes internacionais atribuíram à questão ambiental, com ênfase nos avanços conquistados na redução de gases de efeito estufa na atmosfera. Segundo ele, o ex-presidente José Sarney tentou recuperar o prestígio com a Rio-92, porém ressaltou que internamente o Brasil sempre teve uma grande dificuldade em superar as resistências entre 'crescer a todo custo e preservar o meio ambiente'. Já no governo Fernando Henrique houve resistência de quem produzia e queria avançar sem os grandes empecilhos que a questão ambiental trazia. Logo após, no início do governo Lula, que ainda estava “caudatário à visão comunista do leste europeu”, houve a intenção de dar às pessoas melhores condições materiais, com o intento de combater o fascinante caráter do capitalismo. Ao longo do tempo, mesmo que essa concepção estivesse fixa na cabeça de seus líderes, o PT conseguiu se sensibilizar sobre a questão ambiental. 
 
Entretanto, de acordo com o palestrante, no atual governo, estamos enfrentando mais um retrocesso, pois a presidente Dilma Rousseff não tem uma visão real da importância do assunto, e trata o meio ambiente como um obstáculo ao desenvolvimento. Ele ressalta que a infraestrutura não consegue acompanhar o crescimento avassalador que move as metrópoles e argumenta: “se todas as pessoas quiserem sair de carro, não teremos como nos mexer nas cidades”. Ao finalizar sua fala, o ambientalista  ressaltou a necessidade de se repensar e construir um modelo de cidade mais sustentável e, de forma inteligente, revitalizar pontos abandonados, além de adotar a prática do consumo consciente. 
 
Amiga de Fernando Gabeira no movimento ambientalista, Marina Silva deu início à explanação afirmando que o mundo encontra-se em crise em diversos setores: no econômico, avassala a Europa; no social, as pessoas vivem com apenas dois dólares por dia; no ambiental há perda da biodiversidade, poluição e aquecimento global, com as mudanças climáticas; na política, a maioria das pessoas está insatisfeita com suas representações e há uma crise de valores éticos, que resulta numa crise civilizatória. 
 
Marina se aliou a Gabeira ao criticar a política energética do país. Ela considera inaceitável a posição do Ministério de Minas e Energia que  privilegia as fontes poluentes, como carvão e petróleo, e esquece o potencial das energias limpas. Para a ex- ministra, o Brasil utiliza muito pouco a energia solar e não existe um plano no governo para reverter esse estado. “Não tem um único parágrafo sobre energia solar, no país com a maior insolação do planeta”, destaca. Em sua exposição, também criticou a forma como o governo trata as questões ambientais e arrancou aplausos da platéia.
 
A ambientalista lamenta, mas defende a necessidade de proteger o meio ambiente em nosso próprio ambiente, e explica: “Se os gaúchos continuarem preocupados com a Amazônia e não se preocuparem com o problema da geração de energia limpa aqui; e o pessoal da Amazônia ficar preocupado com a geração de energia aqui, e não se preocupar com a proteção da Amazônia lá, a gente cria uma lógica de proteger o meio ambiente no ambiente dos outros". E conclui: "chegou a hora de proteger o meio ambiente no nosso ambiente, pois assim teremos mais sucesso na luta pelo meio ambiente".
 
A palestrante fez um apelo para que as pessoas mudem a forma de pensar, de consumir e de produzir, a fim de conseguirmos viver em um mundo sustentável. E ao finalizar a sua participação, afirmou, ao som das palmas da platéia, que há necessidade de rever a forma de governar, pois “é preciso criar políticas de longo prazo em nossos curtos prazos políticos”.
 
O Fronteiras do Pensamento Porto Alegre é um projeto cultural que conta com a parceria da Braskem, Unimed Porto Alegre, Weinmann Laboratório, Santander, CPFL Energia, Natura, Gerdau, Grupo RBS e UFRGS, entre outras entidades. O ciclo de palestras acontece no Salão de Atos da UFRGS.
 
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