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‘Rádio IPA Entrevistas’ conversou com João Derly Imprimir
Escrito por Giovani Gafforelli   
Segunda, 10 de Junho de 2013 - 12:26

joao derly

Para compartilhar a sua experiência no Judô e explicar os projetos de incentivo ao esporte do governo, o vereador de Porto Alegre e bicampeão mundial de Judô, João Derly, compareceu, na quarta-feira (28), ao estúdio da Rádio IPA, para uma entrevista com os estudantes de Jornalismo do Centro Universitário Metodista, do IPA, Giovani Gafforelli e Leonardo Souza.

Via telefone, outros dois entrevistados se uniram ao debate: o professor da PUCRS, Nelson Todt e o esgrimista, medalha de bronze no Pan-americano de Guadalajara, Tywillian Guzenski.  As três autoridades gaúchas mostram que comungam idéias, mas também apresentam visões divergentes, como em relação às políticas de curto prazo para o incentivo ao esporte que se instituíram no Brasil.

No programa foram abordadas diversas questões, como iniciação ao esporte, patrocínios esportivos, Copa do Mundo em Porto Alegre, projetos de incentivo ao esporte do governo e os Jogos Olímpicos.

João Derly foi o primeiro sul-americano a vencer duas vezes a Copa do Mundo de Judô. O atleta também é bicampeão pan-americano e medalha de ouro nos jogos Pan-Americanos de judô.  No início do ano letivo de 1988, surge Antonio Carlos Pereira, o Kiko, que treinou João durante toda sua trajetória esportiva. Segundo João Derly, a sua estréia em um campeonato profissional foi com 17 anos na Itália, onde se sagrou campeão.

Iniciação esportiva

Para João Derly o Centro Estadual de Treinamento Esportivo (CETE), é de extrema importância para que as crianças vivenciem o primeiro contato com o esporte. Ao ouvir o comentário do amigo e esgrimista Tywillian Guzenski, sobre a sua iniciação na esgrima, através do Projeto Criança da SOGIPA, Derly afirmou que conhece bem o projeto que  abrange a iniciação ao judô, o tênis, a ginástica olímpica, a esgrima , o atletismo e diversas outras modalidades esportivas. 

Ao ser questionado se projetos como este ajudam a encontrar novos talentos, o ex-judoca foi enfático: “com certeza, eu acho que o esporte e a educação devem andar juntos. Nós temos muitas dificuldades, porque vamos ver a infraestrutura das nossas escolas, e muitas não têm um ginásio ou uma quadra coberta”. E para esclarecer, Derly cita o exemplo de  Porto Alegre, que  se inscreveu  no programa do Ministério do Esporte, ‘Centros de Iniciação ao Esporte’, o CIE,  o qual  beneficia de três a quatro mil crianças ao incluir a prática de 21 modalidades de esportes. “O que acontece é que a gente pode desafogar as escolas, botando a criançada para praticar esportes nestes locais”, explica o desportista.

Existe outro projeto chamado ‘Atleta na Escola’, que, segundo João, “serve para mostrar a força de dois ministérios se unindo: o Ministério do Esporte e o Ministério da Educação, agregando ainda o Ministério da Defesa. Haverá competições dentro das escolas para detectar talentos, e no final do ano, entra o Ministério da Defesa, quando vamos encaminhar estes atletas para treinar em locais militares, o esporte de alto rendimento”, explica Derly.

Patrocínios Esportivos

Veio do esgrimista da SOGIPA, via áudio, a queixa que a esgrima ainda não tem muito apoio e que o dinheiro que recebem é pouco, sendo os patrocínios insuficientes. Para Tywillian, há alguns outros esportes que contam com maior apoio, pela visibilidade que  possuem, mas geralmente o que a empresa procura é mostrar a sua marca. A solução para o problema, segundo ele, é mais publicidade. Derly classificou a “luta” do esgrimista como algo comum no mundo do esporte, e conta que em suas palestras, quando é questionado sobre a sua luta mais difícil, ele não vacila ao responder que são “os patrocínios”.

O judoca obteve seus primeiros patrocínios através de rifas de amigos e família e vendia “muita pizza” para financiar suas viagens de treinamentos. “Meu primeiro patrocínio real só veio em 2005, quando me tornei o primeiro sul-americano a conquistar um título mundial. Então com um grande título, os patrocinadores vieram”, relatou João.

Projetos de incentivo ao esporte do governo

O esgrimista Tywillian Guzenski, que já veio ao programa Rádio IPA Entrevistas em outra ocasião, abordou o assunto do  Bolsa Atleta, e ressaltou  que não abandonou a esgrima por causa do projeto. Também explica, “que é um bom apoio, mas ainda não é suficiente para o desportista  buscar “vôos maiores”.  Questionado sobre o programa Bolsa Atleta, o vereador João Derly respondeu que não é suficiente, mas que é um começo. “Entretanto, para um atleta do nível do Tywillian, só o Bolsa Atleta não basta”, mas  ressalta que o projeto é um apoio muito importante, pois sem ele o esgrimista teria abandonado o esporte.

Para o professor e  especialista em Estudos Olímpicos, Nelson Todt, o governo vem tomando medidas de curto prazo. Para ele, estas práticas não dão resultado, pois o que deve ser feito é um plano de desenvolvimento do esporte, onde se colham resultados a longo prazo. O professor classificou tais medidas como “efêmeras”. E justificou:  “não acredito que em três anos se formem atletas de alto- rendimento”. Ele também explicou o que acontece com muitos atletas: “muitos talentos que surgem no país, não sobrevivem a vida adulta, pois não tem estímulo, não tem dinheiro. E se não for de uma modalidade tradicional, não terá atenção. ”

Ao ouvir a declaração do professor da PUCRS, o vereador não concordou: “eu acho muito difícil a gente parar um processo que vem dando certo. Hoje nós já temos atletas de auto-rendimento. E o atleta na Escola é um programa de longo prazo para formação de novos talentos”. “Creio também que três anos não são suficientes para formar novos atletas, mas a gente acaba potencializando os que já existem”, explicou o vereador.

Mega-eventos

Para o professor da PUCRS, as transformações que o Brasil deverá sofrer até a Copa do Mundo e os Jogos Olímpicos, não serão poucas. Para ele, “se apontarem uma lente de aumento para problemas como: mobilidade urbana, infra-estrutura, hotelaria, restaurantes, preparação das pessoas que vão prestar serviços aos estrangeiros, idioma, a diversidade cultural brasileira, a violência, a segurança e os aeroportos, as criticas não serão poucas”. Entretanto, ressalta: “talvez, com competições deste porte, como Copa do Mundo e Olimpíadas, o Brasil possa crescer como país”. 

O presidente da Comissão Especial da Copa do Mundo na Câmara Municipal de Porto Alegre, a CECOPA, João Derly, discordou: “não seriam apenas essas dificuldades. Uma coisa que não é dita é o fortalecimento da cultura esportiva. Quem nunca sonhou em ir a uma Olimpíada, ou a uma Copa do Mundo!” E complementa: “Vai resolver a questão de trânsito para a Copa? Talvez não, mas vai melhorar muito para nós, os moradores da cidade”, comentou o presidente da CECOPA.


João Derly contou que trabalha muito o lado psicológico dos jovens atletas do judô da Sogipa, e revelou a sua conversa com o judoca brasileiro, integrante da Seleção Brasileira de judô, e atleta da Sogipa, Felipe Kitadai, quando disputava os jogos Olímpicos de Londres: “era aniversário do Kitadai quando ele me ligou, e eu disse: ‘amanha tu vais lá, se tu ganhares a medalha ou não, tu tens que sair vencedor de lá; tens que brigar por aquilo que tu quer brigar pela medalha. Então entra com isso que tu já vais sair vencedor de lá’. Para Derly  o pior que pode acontecer é sair com o sentimento de que podia ter feito mais; e “quem acompanhou os jogos de Londres, viu como ele defendeu aquela medalha com unhas e dentes”. Pela  manhã ele mandou uma mensagem: ‘não vou sair daqui, com menos do que eu vim buscar: minha medalha’. E aquilo me deixou muito feliz”, contou João.

 


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