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Capa Memória Coberturas Especiais 34º Congresso Nacional dos Jornalistas
34º Congresso Nacional dos Jornalistas Imprimir
Escrito por Matheus Pannebecker e Rafaela Haygertt   
Quarta, 25 de Agosto de 2010 - 10:08

34-congresso-jnunesDe 18 a 21 de agosto, estudantes e jornalistas brasileiros estiveram reunidos em Porto Alegre para participar do 34º Congresso Nacional dos Jornalistas e debater sobre "O Jornalismo a serviço da sociedade e a defesa da profissão". Também fez parte do evento o Encontro Latino-Americano de Jornalistas, onde o centro das discussões foi "O Brasil como referência na formação profissional".

A equipe da Agência Experimental de Jornalismo participou do evento e registrou os principais momentos e as manifestações dos painelistas, através de texto, vídeo e twitter, colocando em prática uma cobertura multimídia, no decorrer do 1º Ciclo de Conferencias, no Centro de Eventos do Hotel Plaza São Rafael. Acompanhe abaixo a cobertura diária:

19/08

É necessário uma nova forma de fazer jornalismo

por Rafaela Haygertt

No primeiro painel, que abordou "O Jornalismo como necessidade social e a Conjuntura Nacional", o ex - presidente da Federação Nacional de Jornalistas (Fenaj), Sérgio Murillo de Andrade, afirmou que na imprensa brasileira não se consegue mais distinguir onde começa a noticia e termina a fantasia. "Vemos jornalistas se posicionando ideologicamente e, até mesmo, partidariamente", reclamou Andrade, que emitiu um alerta à categoria: "Cabe a nós defendermos e apresentarmos outras formas de fazer jornalismo".

Nos últimos dez anos, principalmente no governo Lula, a imprensa sofreu duros golpes, como a retirada da exigência do diploma, enfatizou o jornalista Eimar Bones, editor do Jornal Já e diretor da Já Editores, um dos painelistas do Congresso.

Segundo o vice-presidente da Federação Internacional de Jornalistas (FIJ), o argentino Gustavo Granero, o problema é que as grandes empresas de comunicação sofrem pressão dos anunciantes. "O jornalismo se encontra em crise, e o que importa é o dinheiro e a concentração de riqueza", acredita Granero que enfatizou: "Temos que ser mais independentes".

20/08

Exigência do Diploma: uma luta da classe

por Rafaela Haygertt

Nenhum painel foi tão polêmico no 34º Congresso Nacional de Jornalistas quanto o da manhã de sexta-feira, dia 20 de agosto, que trouxe à discussão o tema " O Judiciário na contra-mão dos avanços democrático". Os debates giraram em torno da decisão do Supremo Tribunal Federal que desregulamentou a profissão de jornalismo.

O jornalista português, Manuel Chaparro, naturalizado brasileiro para poder exercer a profissão no país, disse que precisamos aprender a fazer jornalismo em tempos de 'liberdade' e não apenas em regimes ditatoriais. "Não há jornalismo de verdade sem ser independente", garantiu Chaparro.

Para o Procurador Geral e jornalista João dos Passos Martins Neto a retirada da exigência do diploma para exercer o jornalismo só foi possível porque não havia nada na Constituição Nacional que regulamentasse as profissões. "Os argumentos do Supremo Tribunal Federal (STF) deveriam ter sido discutidos no Congresso Nacional", explicou Neto.

O deputado Federal pelo PMDB-RS, Ibsem Pinheiro, também discorreu sobre o tema e até brincou com o argumento usado para derrubar o diploma, de que a sua exigência "feria a liberdade e expressão". Então, "o mesmo ocorre com a exigência da Carteira de Habilitação, pois ela fere a liberdade de ir e vir", ironizou o depuado.

A jornalista da Universidade Federal de Santa Catarina, Elaine Tavares, presente no painel, acredita que devíamos deixar claro para a sociedade por que lutamos pelo diploma. "É uma luta corporativista, e não há nenhum problema nisso", categorizou.

Cerca de 376 jornalistas estiveram presentes no evento. Alguns painelistas que estavam na programação não puderam comparecer. O escritor e jornalista gaúcho, Juremir Machado, assegurou que esse tipo de encontro é fundamental para a classe. "Nós precisamos parar para refletir e discutirmos nossa profissão" defendeu.

21/08

Congresso encerra com reflexão
sobre o ensino no jornalismo

por Matheus Pannebecker

No ultimo sábado, o trigésimo quarto Congresso Nacional dos Jornalistas encerrou as suas atividades. Na manhã final, o evento trouxe nomes como Sérgio Gadini, integrante do Fórum Nacional dos Professores de Jornalismo, Marcelo Canellas (repórter da Rede Globo), Antônio Hohlfeldt , jornalista, professor e escritor universitário e José Marques de Melo, presidente de honra da Intercom. Os últimos paineis do Congresso tiveram como tema "A Defesa da Profissão e o Futuro do Jornalismo" e "A Perspectiva do Ensino no Brasil".

Sérgio Gadini abriu o painel destacando a visão do Fórum Nacional dos Professores de Jornalismo em relação a atual situação da não-obrigatoriedade do diploma. "Reverter essa situação do diploma é um desafio para os professores. Precisamos, também, repensar o perfil das escolas, que tratam os projetos laboratoriais como produtos de assessoria de imprensa", comenta Gardini. Ele ainda trouxe dados que indicam, em âmbito nacional, a existência de mais de 300 escolas com habilitação em Jornalismo e 6.000 professores da área de comunicação, dos quais cerca de 80% no setor jornalístico.

Logo em seguida, foi a vez de Marcelo Canellas assumir o painel. O repórter da Rede Globo trouxe fotos pessoais de 24 anos atrás, quando fez parte de um movimento que protestou contra uma possível ação que tinha como objetivo tirar a necessidade do diploma para os jornalistas. Canellas fez uma comparação, comentando que os argumentos usados hoje para a não-obrigatoriedade da formação são os mesmos de 24 anos atrás. Mas, ele questiona o que mudou, já que há 24 anos os protestos impediram que a ação não fosse em frente e, hoje, isso já não foi o suficiente? O repórter indica que existe um certo "relaxamento" por parte dos acadêmicos e do movimento estudantil de se envolver nessa luta.

Ele, também, trouxe outros tópicos para a sua apresentação. Ao falar um pouco sobre sua rotina na redação do Jornal Nacional, Canellas enfatizou a importância do jornalista nunca se tornar submisso. "Nós temos nossas desavenças na redação, mas se o jornalista quiser realmente interferir na agenda de cobertura com novas ideias, precisa ter embasamento teórico. Nós precisamos ser críticos, curiosos e insubmissos. Muita coisa depende da postura do jornalista", aponta.

Depois de Gadini e Canellas, foi a vez da participação de Antônio Hohlfeldt. Ele ressaltou o orgulho que sente em fazer parte do Sindicato dos Jornalistas e trouxe para discussão a importância da formação acadêmica no futuro profissional. Hohlfeldt comentou que as instituições de ensino apostam muito no estudo de teoria, mas que ninguém dá atenção para a importância da leitura de textos de grandes jornalistas e de grandes reportagens já realizadas. Ele ainda aponta a falta de consciência dos jornalistas sobre as suas próprias responsabilidades dentro dos veículos como um dos grandes problemas atuais na profissão.

Encerrando a última manhã de atividades do Congresso, aconteceu uma miniconferência sobre 'A Perspectiva de ensino no Brasil', com o professor e escritor José Marques de Melo. Segundo ele, o diploma deixou de ser obrigatório, porém, mas não deixou de ser necessário. "Os veículos ainda priorizam a contratação de profissionais diplomados e a faculdade continua sendo a 'fiadora' dos futuros profissionais de Jornalismo", comenta. Melo protesta que as universidades precisam de um modelo mais aberto e maior interação com a sociedade, dando mais liberdade aos acadêmicos. "É hora da FENAJ arregaçar as mangas! Um dos grandes desafios pedagógicos é unir a teoria à prática e criar um sistema universitário sempre aberto a inovações", defende.

Carta de Porto Alegre

O Congresso encerrou com a aprovação da Carta de Porto Alegre, um documento que estabelece as diretrizes da categoria aaté 2012. Entre elas, está a preocupação com a formação acadêmica dos futuros jornalistas. No sábado à note, ocorreu a posse da nova direção da Federação Nacional dos Jornalistas( Fenaj), sob o comando do jornalista e professor, Celso Augusto Schöreder.

Vídeos

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