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Fórum da Liberdade X Fórum da Igualdade Imprimir
Escrito por Anselmo Cunha dos Santos e Matheus Pannebecker   
Sexta, 15 de Abril de 2011 - 11:55

liberdade-igualdadeA cidade de Porto Alegre vivenciou um intenso movimento cultural no início desta semana, de segunda (11/04) a terça-feira (12/04), com a realização concomitante de dois importantes eventos: o Fórum da Liberdade e o seu contraponto, o Fórum da Igualdade.

Promovido pela Central Única dos Trabalhadores (CUT) e coordenação dos Movimentos Sociais, o Fórum da Igualdade procurou mostrar nesta sua 1ª edição que há outras visões além do neoliberalismo e defendeu a reestruturação da imprensa brasileira, opondo-se aos grandes monopólios da comunicação.

Já o Fórum da Liberdade, em sua 24ª edição, discutiu temas como tecnologia e democracia, internet e liberdade e os desafios da imprensa na era digital, no decorrer de oito painéis.

Agência Experimental de Jornalismo cobriu algumas das mais importantes palestras dos dois eventos. E o resultado segue registrado pelos repórteres Anselmo Cunha e Matheus Pannebecker. Enquanto os liberais marcavam presença no Centro de Eventos da PUC para defender o fim da intervenção do estado na economia, os defensores da Igualdade ocupavam o Auditório Dante Barone, da Assembléia Legislativa.

Da redação da AJor

 

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A liberdade e a rebeldia de Lobão e Peninha

por Anselmo Cunha

Como era de se esperar, o já tradicional Fórum da Liberdade, atualmente em sua 24ª edição, levou centenas de pessoas ao Centro de Eventos da PUCRS. O evento ocorreu nos dias 11 e 12 de abril com o tema "Liberdade na Era Digital".

Nesta edição o evento contou com oito painéis que abordavam variados assuntos ligados ao tema principal. O primeiro painel trouxe o músico e apresentador de televisão Lobão e o jornalista e escritor Eduardo "Peninha" Bueno para debater o tema "Liberdade Individual: a arte de construir sua própria história".

Com a moderação do diretor do grupo Millenium, Paulo Uebel, os painelistas Lobão e Peninha comentaram, em um debate bem humorado, etapas de suas vidas e como se tornaram as personalidades que são hoje. Os assuntos variaram entre educação, ditadura e política, todos ressaltando o tema liberdade.

Lobão foi quem começou o debate falando das heranças da ditadura. Em seus primeiros minutos, o músico comentou que mesmo terminada a repressão as pessoas ainda se sentiam reprimidas, e isso, segundo ele, fere a democracia. "O alicerce da democracia é poder opinar sem medo de repressão" argumentou o músico. O painelista comentou também ter percebido que as pessoas perderam o habito de discutir, de trocar idéias. "Se você fala sua opinião as pessoas não argumentam, elas xingam". E polêmico como sempre acrescentou: "fazemos parte de um povo que não tem autonomia intelectual".

O próximo a falar foi Peninha que abordou o tema "internet". O jornalista comentou o fato de existir muitas informações interessantes na rede, mas que há também um número muito maior de inutilidades. "O conhecimento tá ali", disse referindo-se a internet, "mas também há mais lixo eletrônico que no espaço sideral. Cabe a você escolher o que dali se aproveita e o que não". Mas, para fazer essa filtragem de conteúdo, Peninha ressaltou a importância da educação, "Esses lados que a internet abre são extremamente libertários, mas para isso ser usado é preciso educação".

O evento mergulhou fundo na interatividade que a "Era Digital" pode fornecer e abriu espaço para perguntas não só dos presentes nos painéis, mas a todos que estivessem conectados ao microblog Twitter e à rede social Facebook. Após as falas iniciais dos convidados, o mediador Paulo Uebel leu algumas dessas perguntas, o que tornou o evento ainda mais dinâmico.

Neste segundo momento, Lobão falou brevemente de como via os movimentos políticos em sua juventude. Para ele, os movimentos de direita e os de esquerda eram praticamente a mesma coisa e o que o salvou e o levou a sua rebeldia foi a música, "Eu via a direita e a esquerda de um lado e o rock and roll do outro".

Peninha aproveitou para falar sobre o baixo índice de leitura no país e a relação com o alto preço cobrado pelos livros, "No Brasil o livro vende pouco porque é caro ou é caro porque vende pouco", provocou o escritor.

 

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Não existe liberdade sem igualdade

por Anselmo Cunha dos Santos

Debater sobre os problemas sociais e procurar soluções democráticas foi a proposta do 1º Fórum da Igualdade: uma outra comunicação é necessária, que transcorreu no Teatro Dante Barone, da Assembléia Legislativa de Porto Alegre.

O evento recebeu várias personalidades importantes do estado e do país, entre eles o governador Tarso Genro, o presidente da Assembléia Legislativa, deputado estadual Adão Vilaverde; a presidenta da Câmara de Porto Alegre, vereadora Sofia Cavedon e o secretário geral da Central Única dos Trabalhadores (CUT), Quintino Severo.

O Universo IPA marcou presença no painel 'Democratização da democracia: Existe liberdade sem igualdade?'

Na oportunidade foram debatidos temas como distribuição de renda, educação, meio ambiente, liberdade e comunicação. Integraram a bancada o secretário de imprensa da CUT-RS, Paulo Farias e a representante da Via Campesina, Eliane de Moura Martins. Os painelistas convidados foram o dirigente nacional do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra, João Pedro Stédile e o professor, doutor e mestre em Psicologia Social, Pedrinho Guareschi. Os debatedores foram o escritor e militante da classe operária Vito Gianotti e a jornalista reconhecida internacionalmente por seu premiado trabalho na Independent Community Television (ICTV), Verena Glass.

João Pedro Stédile foi quem abriu a discussão ao destacar a necessidade do debate para a compreensão dos problemas sociais. "É necessário que se discutam os problemas que tornaram a sociedade brasileira tão injusta", comentou o painelista. O representante do MST apontou alguns problemas referentes ao atual trabalho. "Nós temos hoje 50% da população economicamente ativa trabalhando informalmente. Isso garante renda, mas não propicia direitos trabalhistas ou sociais". Ele também citou problemas como concentração de riquezas, analfabetismo, falta de moradia e destruição do meio ambiente. "São esses problemas que devemos enfrentar se quisermos uma sociedade mais justa, mais fraterna e mais igualitária", ressaltou Stédile.

Em seguida o professor da Ufrgs e da Ufcspa, Pedrinho Guareschi, apresentou sua visão de liberdade. Para ele liberdade não é fazer o que se quer sem pensar no outro, mas sim "construir subjetivamente nossa singularidade". Para o professor, o ser humano precisa se relacionar, necessita do outro. "Nós somos os outros, somos todos companheiros". Pedrinho também ressaltou sua luta por uma comunicação como serviço e direito do cidadão e não como produto de mercado, "A comunicação não pode ser mercadoria, temos de exigir espaço para falarmos".

O mais polêmico presente na bancada, sem dúvidas, foi o escritor Vito Gianotti. Ele mostrou uma reportagem do jornal Folha de São Paulo, o qual chamou de "panfleto da direita brasileira", o qual rotula alguns estudantes de uma favela no Rio de Janeiro como filhos de traficantes, muitos envolvidos na criminalidade. Com isso o debatedor mostrou que a mídia do país é tendenciosa e reclamou do fato de não haver grandes jornais de esquerda no Brasil:"Nós da esquerda temos de ter uma comunicação imediata com a população".

A última a falar foi a jornalista Vereda Glass, que chamou a atenção da platéia para uma das obras do Programa de Aceleração do Crescimento (Pac): a construção da hidrelétrica de Belo Monte. "Será que nós temos o direito de sacrificar 40 mil famílias em Altamira para bancar o nosso ar-condicionado", questionou a jornalista.

Para finalizar a manhã de debate, participantes da platéia puderam ir até o palco manifestar suas ideias e fomentar o diálogo.

O representante do MST no fórum, João Pedro Stédile, em entrevista exclusiva ao Universo IPA comentou sobre o desinteresse do povo em discutir política, tema que considera essencial."Um dos problemas que nós temos na sociedade brasileira é a apatia da população em discutir política. E destacou: "Isso se torna também um problema para a democracia, que tem como essência a participação da população na disputa das idéias e nos rumos do estado e do governo".

No entanto, Stédile mostrou sua esperança em relação aos jovens para reverter a atual situação."Espero que essa moçada que vem surgindo se interesse cada vez mais em debater os problemas do povo".

 

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A imprensa na era digital

por Matheus Pannebecker

Interatividade, inovação, tecnologia, comunicação, tendências, democracia, educação e, liberdade são as palavras-chaves do Fórum, que possibilitou ao público interação pelas redes sociais (Twitter e Facebook) e também pelo site oficial do evento. No dia de encerramento, os painéis "Os Desafios da Imprensa e a Era Digital" e "A Educação no Futuro" discutiram a atual situação do jornalismo e o que podemos esperar da relação entre tecnologia e formação escolar.

Em "Os Desafios da Imprensa e a Era Digital", o Fórum da Liberdade trouxe o presidente da Globovisión Televisão, da Venezuela, Guillermo Zuloaga. Ele, que hoje está exilado nos Estados Unidos, é um símbolo internacional da liberdade de imprensa e, em seu discurso, priorizou essa luta e destacou as dificuldades em fazer um jornalismo sem censuras: "Hoje nós estamos sofrendo muitas ameaças à liberdade de expressão. São momentos difíceis, onde, inclusive, algumas opiniões são consideradas criminalizadas".

Atacando ferrenhamente o presidente Hugo Chávez, Zuloaga disse que o prêmio de liberdade de imprensa, concedido ao presidente pelo governo argentino, equivale a celebrar o ditador líbio Muammar Kadafi com o Nobel da paz. "Toda manifestação contra o funcionário público é vista como ofensa. Segundo o palestrante, "Chávez usa o direito penal como arma de intimidação".

Quem também participou do painel foi o colunista do jornal O Globo, Merval Pereira. O jornalista destacou a força da opinião pública no Brasil e como a imprensa está se tornando cada vez mais atuante. Como exemplo, trouxe situações políticas: "Nem mesmo o presidente Lula conseguiu aprovar certas propostas que não refletem a média da opinião pública. Nosso país tem resistências importantes, mas a presidente Dilma está se mostrando mais aberta e flexível que seu antecessor".

A questão da não obrigatoriedade do diploma, claro, não poderia estar ausente. Para ele, o diploma é um desafio na imprensa. Merval considera a obrigatoriedade do diploma como uma forma de controle de conteúdo. "Columbia é a melhor faculdade de Jornalismo do mundo. E, curiosamente, fica nos Estados Unidos, onde não é obrigatório o diploma. Jornalismo se aprende no dia-a-dia da redação", comentou.

 

A educação precisa mudar

por Matheus Pannebecker

O segundo painel da tarde de terça-feira (12/04) debateu "A Educação no Futuro". O primeiro palestrante, Alexandre Dias, engenheiro que já presidiu a DIRECTV e que também foi diretor geral do Google Brasil, foi categórico ao relacionar a educação contemporânea com a tecnologia. Para ele, esses dois segmentos sempre vão caminhar juntos. Entre os temas, Dias abordou a necessidade da transformação da instituição escola, e as projeções para o futuroe enfatizou a necessidade da tecnologia estar à disposição de qualquer indivíduo. Ao destacar o sistema "online education" dos Estados Unidos, o palestrante apontou a velocidade com que a tecnologia está invadindo as salas de aula: "Temos que tomar cuidado ao misturar educação e tecnologia. A velocidade é muito rápida e isso pode causar uma quebra nos modelos educacionais. A solução é que a educação precisa acompanhar as evoluções tecnológicas".

Enfatizando a concepção de que os professores são as "autoridades do conhecimento", Dias sugere uma mudança definitiva nesse modelo educacional. "Os professores têm muita resistência. Eles precisam deixar essa posição de donos do conhecimento para, na verdade, tornarem-se organizadores de comunicação, direcionando ao aluno as informações necessárias", aponta.

Dividindo o painel, o administrador de empresas Ricardo Pelegrini também deu pleno destaque às transformações não só na educação, mas também no mercado. Para ele, é desafiador falar do futuro, já que não existem certezas. Mas, em contraponto, apresentou suas análises do presente: "Os profissionais brasileiros têm muita dificuldade em se expressar com assuntos técnicos, tanto na forma verbal quanto na forma escrita".

Pelegrini diz que a economia está se transformando e que o modelo educacional precisa se preparar para encontrar uma demanda cada vez mais urbana e idosa. "Temos que usar a tecnologia para apoiar essas nossas necessidades. Precisamos de estratégia de educação. A sociedade está cada vez mais instrumentada, interconectada e inteligente", define o administrador.

Tecnologia, mídias e, claro, liberdade, foram os grandes temas da 24ª edição do Fórum da Liberdade. E, a julgar pela platéia cheia, pelo rico conteúdo abordado por cada palestrante e pelas autoridades reunidas nos painéis, pode-se dizer que a missão do Fórum foi cumprida com louvor mais uma vez!

 


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