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A Bienal junto à cultura popular brasileira Imprimir
Escrito por Cissa Madalozzo   
Quinta, 05 de Novembro de 2009 - 10:54

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O percurso urbano “A Cidade Desejante”, organizado pelo artista Júlio Lira, atraiu no último sábado (31/10) curiosos do mundo inteiro, desde a África, México e América Latina, para conhecer a realidade de um Brasil paupérrimo, mas que tem ginga na arte popular. A intervenção, que durou mais de três horas, percorreu o Parque Farroupilha, a vila Chocolatão e terminou na sede da Comunidade Autônoma Utopia e Luta.

A primeira intervenção foi na própria Bienal, no reconhecimento das conexões da cidade através da obra de Nicholas Floch. Em seguida todos se encaminharam para o antigo ônibus de linha que buscou aproximar os visitantes numa parte da cidade ignorada. “Não queremos ser uma cápsula, aqui não seremos turistas”, definiu Lira. O percurso oportunizou conhecer a realidade dos moradores de rua que ocupam os galpões do Parque Farroupilha, como Jeferson, que há anos mora na rua e trabalha como catador de papel. Ele possui um vocabulário extenso e muitas reivindicações. Com tanta gente ao redor lhe observando, ele desabafa: “Nem todo morador de rua é ladrão; se um for, prejudica os honestos”.

Ao lado da estância Farroupilha está a Vila Chocolatão, localizada entre a imensidão dos prédios de órgão público, como a Câmara Municipal de Porto Alegre e a Receita Federal. A vila abriga em torno de 187 famílias que sobrevivem como catadores e têm como cenário o lixo.

O Secretário da Associação dos Moradores da Vila Chocolatão, José Luiz Ferreira, guiou os visitantes para conhecer as moradias e para mostrar como sobrevivem do lixo. Ele aproveitou para explicar sobre o projeto pedagógico em que trabalha ao preparar a comunidade que será transferida para o Humaitá. Muito além das questões governamentais, Luiz – como prefere ser chamado – está reeducando a comunidade, e frisou: “Não adianta trocar a miséria de lugar, mas temos que ensinar as pessoas a viverem respeitando as diferenças”. Luiz também destacou a importância do lixo para os moradores da vila, mas disse que isso não quer dizer que é certo viver no meio dele.

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A visita foi longa e suficiente para compreender a realidade no ponto de vista cultural e artístico, a partir da intenção de conhecer e, de alguma forma, ser tocado nas ações que acontecem ao redor de quem as percebe. A proposta do Percurso Cidade Desejante busca interferir nas questões sociais ao ponto de revelar a beleza do lixão, como na frase escrita no muro que protege a rampa de lixo, um emblema do Chocolatão: “Tenha fé, porque até no lixão nasce flor”.

A última visitação do grupo foi à sede Utopia e Luta, que conquistou o primeiro prédio público do país destinado à moradia popular localizada no centro da capital. O imóvel pertenceu ao INSS e foi ocupado em 2005 pelos integrantes do Movimento Nacional de Luta pela Moradia.

Atualmente a comunidade se mantém com autogestão e com a própria horta que germina no terraço do prédio. Há também as oficinas culturais realizadas à comunidade. Esta última visitação foi inversa às outras e instigou a pergunta aos participantes: qual a diferença entre ocupação e invasão?

 


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