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A luta pela reconquista do diploma Imprimir
Escrito por Anselmo Cunha   
Segunda, 20 de Junho de 2011 - 16:57

A manhã chuvosa desta sexta-feira (17/06) não impediu que jornalistas e estudantes de Comunicação se reunissem na Esquina Democrática, em Porto Alegre. O motivo do encontro era lembrar que há dois anos a decisão do Supremo Tribunal Federal (STF) acabou a obrigatoriedade do diploma para exercício da profissão de jornalista.

Membros do Sindicato dos Jornalistas Profissionais do RS (SindjoRS), profissionais e estudantes de Comunicação aproveitaram a data que marca os dois anos da lei que retirou a obrigatoriedade do diploma para o exercício da profissão, a fim de se manifestarem contra a decisão do STF.

Cartazes com frases de protesto foram erguidos para alertar o cidadão e fotos dos oito ministros que compõe o Superior Tribunal Federal foram colocadas no chão para serem pisadas pelos populares.

Mesmo debaixo de muita chuva, os manifestantes não deixaram de lembrar ao povo de que há dois anos lhes foi retirado o direito de receber informações de profissionais qualificados e preparados para o exercício da profissão de jornalista. Para o presidente do sindicato, José Nunes, a decisão do STF não é apenas contra o profissional do ramo, mas também contra a educação, pois não incentiva a qualificação através do estudo. "Quando o Supremo retirou a obrigatoriedade do diploma para a profissão do jornalista, ele diz não à educação no Brasil", airmou José Nunes.

Nunes defende que a queda do diploma foi um "retrocesso" para o país, pois, segundo ele, a forma ideal de preparar um bom profissional, de qualquer área, é através do estudo e da busca pelo conhecimento, "A melhor forma de criar um jornalista é passando pelos bancos escolares. A questão ética, social, filosófica é extremamente importante para o profissional", lembra o presidente do sindicato.

Estudantes de Comunicação da Universidade de Santa Cruz (UniSC) também participaram do evento em Porto Alegre. Entre eles estava Khymn Porto, um dos estudantes que participou do manifesto em sua universidade contra o presidente do STF, ministro Gilmar Mendes, que esteve na instituição. O estudante também aproveitou o momento para deixar um recado aos seus colegas: "saiam da sua zona de conforto, provoquem discussão e debates. O diploma não é só um papel, é o significado de todo o tempo que a gente passa dentro de uma academia nos qualificando, nos preparando para fazer um jornalismo de qualidade".

Quem também esteve presente no evento e demonstrou apoio à causa foi o presidente da Assembléia Legislativa, deputado Adão Villaverde. O deputado chamou a decisão do STF de "inaceitável" e comentou a necessidade da instrução acadêmica para os jornalistas no país. "Para se fazer um jornalismo sério e formar uma rede de opinião pública que não só reproduza a informação, mas tenha também uma capacidade crítica, é necessário que essa relação da sociedade e a comunicação seja feita com base numa formação profissional e na capacidade cientifica com formação ética", defende Villaverde.

Além da retomada do diploma para o exercício da profissão, o SindjoRS procura também criar o Conselho Nacional da Comunicação. Este órgão serviria para garantir maior participação popular na fiscalização da profissão de jornalista, assim como revisão e votação para concessões de rádio e televisão, e assim verdadeiramente democratizar a informação.

 


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