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Ter ou não ter diploma, eis a questão Imprimir
Escrito por Bruno Moura   
Segunda, 26 de Setembro de 2011 - 17:41

tira-jornalismo-diplomaNunca notei um assunto que gerasse tanta polêmica a ponto de não ser enterrado de vez. A não obrigatoriedade do diploma tornou-se um tema debatido entre profissionais da comunicação, beirando uma similaridade idêntica a uma guerra de idealismo. Verdade seja dita, os dois lados existentes, sejam os defensores dos profissionais diplomados ou os chamados "outro lado", possuem seus argumentos e pontos de vista fortificados e estruturados a ponto de defendê-los exaustivamente.

Eu, pessoalmente, sou a favor da não obrigatoriedade do diploma. Antes que comecem qualquer julgamento, peço que primeiro leiam as minhas posições antes de me julgarem com tochas à mão. Não raras vezes, presenciamos pessoas com opiniões determinadas que sequer param para escutar o outro lado, não possibilitando brecha para um debate justo.

Sou estudante de jornalismo e como tal pretendo me formar no curso pelo qual optei. Mas por que alguém que estuda para adquirir o diploma é contra a obrigatoriedade dele? Simplesmente pelo fato como o "canudo" vem sendo visto nos últimos anos. Como um pré-requisito para poder atuar na área da comunicação. Claro que a lei permite qualquer um trabalhar na área, pelo menos até o momento e sabe-se lá até quando. Mas a cultura permanece mesmo assim, resistindo pelo tempo que puder até que esta ideia de fato mude.

Há aqueles que se julgam superiores por terem o conhecimento da área. Julgam o curso com escárnio e só o fazem pelo diploma para que não tenha possíveis problemas mais além (prevenir nunca é demais). O engano começa pelo fato de que ninguém detém o conhecimento pleno da área, mesmo sendo formado ou pós-graduado. Logo, por mais que tenham o conhecimento em um nível elevado, sempre haverá o que aprender. Neste caso, creio que são pessoas que só almejam a formação pelo diploma e não pelo conhecimento.

Imagine um curandeiro de uma tribo indígena. Ele por si só detém conhecimento de várias ervas e sabe como tratar diversos quadros de "pacientes". Mesmo tendo a sabedoria adquirida com a vivência, nenhum hospital contrataria um curandeiro para atuar como cirurgião sem um diploma de medicina, documento que prova que ele recebeu o conhecimento de uma instituição preparada.

E o diploma o que é? Só um pedaço de papel que diz que você estudou anos para trabalhar na área da comunicação? Ou talvez seja um documento que atesta que você detém conhecimento específico na área, e que, diferente dos profissionais não diplomados, você tem conhecimento técnico adquirido em instituição de ensino superior. Já parou pra pensar que o diploma confirma que você é Bacharel em Jornalismo? Garanto que a maioria não percebe isso. Arrisco dizer que a maioria a favor da obrigatoriedade só o é por medo de não se garantir como bom profissional. Jornalistas formados que estudaram mais de três anos respirando teorias e conhecimentos estarão com medo de jornalistas autônomos? Para se ter uma exata ideia, nos EUA o diploma não é obrigatório e a imensa maioria dos profissionais são formados nas universidades.

Não podemos esquecer que a maior parte do conhecimento de jornalismo vem da rua. Vejo a faculdade como um guia apenas. Te dão o caminho, mas você só vai dizer que conhece se for lá. Você aprende a entrevistar alguém, mas só vai ter certeza que sabe quando começar a trabalhar sem a instrução do professor. Tem que se ter confiança, ousadia e perspicácia para atuar como um bom jornalista. Imagine um jornalista sem confiança trabalhando?

Verdade seja dita: sou totalmente contra essa obrigatoriedade. Para mim um profissional formado está muito à frente daqueles que não possuem o canudo. Mas há aqueles que nascem com o dom e nunca sequer pisaram numa faculdade. Seria injusto priva-los por não terem o diploma. Como seria se os Beatles tivessem sido barrados por não serem bacharéis em música?

Eles foram à exceção da área deles no tempo deles. Neste ponto de vista, penso que merece trabalhar quem é bom, seja possuidor do diploma ou não. Irei lutar pelo meu canudo, afinal, quero ter o orgulho de dizer que sou jornalista formado, bacharel em comunicação.

 


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