banner multi
Capa Memória Coberturas Especiais Diploma de Jornalismo Apitaço contra a queda do diploma
Apitaço contra a queda do diploma Imprimir
Quarta, 24 de Junho de 2009 - 16:43

20090623_passeata_ipaProfessores e alunos de Jornalismo do Centro Universitário Metodista IPA realizaram um apitaço em protesto à decisão do Supremo Tribunal Federal (STF), que na semana passada extinguiu a necessidade de diploma para se trabalhar como jornalista. Munidos de narizes de palhaço, faixas e apitos, os manifestantes percorreram o Campus central IPA, no início da noite de terça-feira, dia 23, demonstrando descontentamento com a decisão dos ministros.

Nem a chuva forte que caía no momento impediu o ato, que contou também com a presença da coordenadora de jornalismo do IPA, Maricéia Benetti. Para os participantes, mesmo que uma decisão do STF seja a instância máxima no Brasil, no que se refere ao poder judiciário, ações como essas são de extrema importância, como conta o segundo secretário do Sindicato dos Jornalistas do Rio Grande do Sul, Léo Nuñez: “Qualquer movimento que se faça nesse momento contra esse equívoco do STF é muito bem vindo, acreditamos que de alguma forma surtirá algum efeito”.

Além de difundir o debate na sociedade, Nuñez considera que é interessante no momento discutir entre a classe e estudantes de Jornalismo, formas de tentar reverter a decisão do ponto de vista legal. “Eu não perdi as esperanças. Creio que poderemos, a partir do congresso nacional, que independe Supremo, criar alguma lei que volte a regulamentar a profissão através do diploma”.

O procedimento que Nuñez comentou se trata de uma Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que, através dos poderes legislativo e executivo poderiam agir com autonomia. “A Federação Nacional dos Jornalistas (FENAJ) inclusive conta com o apoio de diversos deputados federais para elaborar uma PEC sobre o diploma de jornalismo”, completou.

Para o organizador do manifesto, o estudante de Jornalismo, Ismael Moreira, a desregulamentação de uma classe é um retrocesso sob qualquer ponto de vista. “Além de tudo é uma desvalorização do ensino superior”, comentou.

Segundo Moreira, o STF cometeu uma grande confusão ao alegar que a queda do diploma é uma medida que depõe a favor da liberdade de expressão: “A necessidade de um diploma de ensino superior, uma conquista de 40 anos, nada tem a ver com isso. As normas repressivas geradas pela ditadura através da Lei de Imprensa não tem a menor ligação com a regulamentação de uma profissão”, disse.

Um dos maiores receios, a partir da queda do diploma, é que ocorra uma perda de qualidade no exercício da profissão, além de um descomprometimento com veracidade, de acordo com o estudante. “Trabalhar com informação que requer muita responsabilidade. Não basta sair assinando uma coluna ou colocar a cara na TV para comentar sobre um assunto qualquer”, completou Moreira.

Outra preocupação que ronda a cabeça dos estudantes e jornalistas é a perda das garantias trabalhistas adquiridas ao longo dos anos. Segundo o estudante, a categoria corre o risco de que haja uma desvalorização na prestação dos serviços que competem a um jornalista.

Para o acadêmico de Jornalismo, Alexandre Magno Paz, essa é a sua maior preocupação, além da possível queda de qualidade no mercado. “Eu tenho medo que com a desregulamentação do diploma a classe possa sofrer também uma desvalorização financeira”, comentou. 

Entre receios e prognósticos, o fato é que as mobilizações não devem cessar tão cedo, no que depende de boa parte dos estudantes de jornalismo e da classe dos jornalistas. O debate sobre a queda do diploma e as medidas a serem tomadas, a partir dessa decisão, bem como as consequências que serão geradas no mercado, ainda terão inúmeros capítulos.

 


Notícias relacionadas


Expediente

Mapa do Site :: Portal Universo IPA - 1º lugar na Intercom Nacional de 2008 :: Expediente
Creative Commons © 2005-2013 :: AJor - Agência Experimental de Jornalismo IPA