banner multi
Capa Memória Coberturas Especiais Diploma de Jornalismo Estudantes e jornalistas se unem em defesa do diploma
Estudantes e jornalistas se unem em defesa do diploma Imprimir
Quarta, 01 de Julho de 2009 - 00:58

20090624_manifestopelodiplomaAo meio dia de 24 de maio, cerca de 300 manifestantes reuniram-se no centro de Porto Alegre para protestar contra a decisão do Supremo Tribunal Federal, que derrubou a obrigatoriedade do diploma para se exercer a profissão de jornalista. A passeata, que partiu da esquina democrática e terminou na Assembléia Legislativa do Rio Grande do Sul, contou com a participação de estudantes de jornalismo e profissionais da classe, além de simpatizantes pelo retorno da regulamentação da profissão.

Com o principal intuito de questionar a decisão, os participantes aproveitaram o encontro para refletir sobre as ações que serão tomadas a partir da deliberação do Supremo. Com a presença de membros do Sindicato dos Jornalistas do Rio Grande do Sul e da Federação Nacional dos Jornalistas (Fenaj), foram traçadas medidas para recorrer da derrubada do diploma.

Segundo o presidente do Sindicato dos Jornalistas do RS, José Nunes, presente no ato, um dos principais movimentos para tentar regulamentar novamente o jornalismo, será propor ao Congresso Nacional uma medida provisória ou uma proposta de emenda à constituição (PEC). “Essa última instância do STF é completamente comprometida e arbitrária, de um órgão que não representa a nação brasileira”, comentou. De acordo com Nunes, é importante que a sociedade toda se envolva nessa questão, uma vez que decisões semelhantes podem ser tomadas, pelo Supremo, em relação a outras profissões.

Para o assessor parlamentar e estudante de Ciências Sociais, Miguel Idiarte Gomes, A decisão do Supremo é um grande equívoco. “Em um país onde cada vez mais lutamos para democratizar os meios de comunicação e para termos uma graduação de maior qualidade, essa medida é um retrocesso”.

A qualidade jornalística parece ser um dos fatores que mais preocupa  os profissionais da área. Segundo o jornalista José Antônio Silva, a profissão requer grande responsabilidade para a sociedade e não pode ser exercida sem o devido preparo, inclusive acadêmico. “Se as faculdades não são perfeitas e têm defeitos nos seus currículos, elas devem ser melhoradas, mas não extinguidas”, completou.

Outro ponto que incomoda a classe  são as questões trabalhistas, como por exemplo, alterações ou não cumprimento do piso salarial. Silva teme que alguns direitos adquiridos ao longo dos anos, pelos profissionais do jornalismo, sejam perdidos. “Corremos o risco de que se alterem legislações específicas, aglutinadas nesse grande movimento mundial neoliberal que sempre tenta derrubar as conquistas dos trabalhadores de todos os segmentos”.

Para o jornalista, professor de comunicação e vice-presidente da Fenaj, Celso Schroeder, o diploma foi uma conquista dos jornalistas e da sociedade, há 40 anos. Isso tem sido reafirmado em todos os congressos de jornalismo ao longo desse período, principalmente nos últimos 20 anos, quando, desde o governo de Fernando Collor de Melo, as grandes empresas de comunicação vêm tentado desregulamentar a profissão.

Schoreder diz não ter dúvidas de que, nesse caso, as grandes empresas de comunicação foram decisivas na ação do Supremo.  “O STF curvou-se a uma visão empresarial”. Para o jornalista, o ponto mais preocupante, é a questão da democracia. “As empresas, a partir dessa decisão, têm o poder absoluto de ditar o que é notícia e o que não é”.

O estudante de jornalismo e integrante do Núcleo de Estudantes do Sindicato do RS, Lion Espíndola, acredita que tudo ainda é muito recente e que, aos poucos, os efeitos reais poderão ser percebidos. Porém, Espíndola percebeu uma grande decepção e frustração por parte de alguns colegas. “A queda do diploma, de certa, forma desestimula as pessoas que estudaram, discutiram ética, fizeram provas, leram vários livros e se qualificaram para exercer essa profissão.

Para Jéssica Costa, que também estuda Jornalismo, o especialista, mesmo que domine determinados assuntos, não está credenciado a tornar-se um jornalistas. “Esta função vai muito além. Requer um censo crítico dos assuntos, de contextualização dos temas, saber lidar com as fontes e retratar  a verdade. Para isso, o estudo é imprescindível no domínio dessas técnicas”.  Jéssica acredita que o poder da mídia é muito forte e que necessita de regulamentações. Porém considera que a mobilização veio um pouco tarde.  “Se tivéssemos protestado mais, antes da votação”, ressalta, “talvez isso não tivesse ocorrido”.

Tarde ou não, ao menos pelos deputados estaduais, o movimento organizado por estudantes e profissionais foi bem recebido. Ao dirigir-se à Assembléia Legislativa do Rio Grande do Sul, a manifestação obteve apoio por parte de alguns integrantes da casa. Entre eles, o próprio presidente da Assembléia, deputado Ivar Pavan (PT). Descontente com a decisão do Supremo, que segundo ele, vem exercendo funções que competem ao poder legislativo, Pavan mostrou-se simpatizante à tentativa de se tentar, por meio de uma PEC, reverter a deliberação do STF.

Durante o ato, a manifestação recebeu ainda apoio dos deputados Edson Brum, (PMDB), Paulo Borges (DEM),  Dionilso Marcon (PT) , Heitor Schuch, (PSB) e Adão Villaverde (PT). Todos prometem interceder junto aos colegas do Congresso Nacional, a fim de regulamentar a profissão de jornalista, com a volta da exigência do diploma universitário.

galeria

 


Notícias relacionadas


Expediente

Mapa do Site :: Portal Universo IPA - 1º lugar na Intercom Nacional de 2008 :: Expediente
Creative Commons © 2005-2013 :: AJor - Agência Experimental de Jornalismo IPA