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Aulão pelo Diploma mobiliza estudantes de Jornalismo do IPA Imprimir
Terça, 22 de Setembro de 2009 - 16:04

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Mobilizar os estudantes de Jornalismo na luta pela retomada do diploma e refletir sobre as ações possíveis para reverter a decisão tomada pelo Supremo Tribunal Federal (STF), que em julho desse ano desregulamentou a profissão, foram os principais pontos abordados no ‘Aulão pelo Diploma’, que ocorreu no dia 18 de setembro no Auditório da Biblioteca do Campus Central do Centro Universitário Metodista, do IPA.

Com a presença de membros do Núcleo de Estudantes de Jornalismo (NEJ) e com a participação de três convidados, os jornalistas Antônio Oliveira, Léo Nuñez e Jorge Adelar Finatto, o encontro fez parte de uma série de ações que estão sendo desenvolvidas com o intuito de questionar e reverter a medida tomada pelo Supremo.

Os estudantes de Jornalismo do IPA presentes acompanharam informações sobre as conseqüências da queda do diploma, assim como detalhes sobre os processos que estão sendo articulados para tentar retomar a exigência da formação superior para o exercício da profissão.

Para comentar sobre detalhes de questões jurídicas, Jorge Adelar Finatto, que além de jornalista é juiz de direito aposentado, foi convidado. De início, trouxe aos participantes da palestra a justificativa de voto do ministro Cezar Peluso, um dos membros do STF que votou contra a exigência do diploma. Em seguida, pontuou e questionou diversos argumentos utilizados para justificar a queda da exigência.

Ao considerar “um tremendo equívoco”, Finatto discorda terminantemente da idéia de que o jornalismo não seja uma ciência, uma das justificativas dadas pelo STF. “O jornalismo requer sim uma especialização através do estudo acadêmico. Não existe, nos dias de hoje, a menor possibilidade deste ofício ser aprendido nas redações como ocorreu em outros tempos”.

Segundo Finatto, as faculdades são importantes porque, além de responsáveis pelo aprendizado das técnicas são também responsáveis pelo desenvolvimento do pensamento dos jornalistas.

Para Léo Nuñez, que é secretário do Sindicato dos Jornalistas do Rio Grande do Sul, a mobilização dos estudantes e das próprias instituições acadêmicas é fundamental no movimento de se tentar retomar a exigência do diploma. “É uma pena que essa mobilização não ocorreu antes da decisão do Supremo. Talvez a história tivesse sido outra”, comentou o jornalista.

Porém Nuñez ainda acredita que, através de uma Proposta de Emenda à Constituição (PEC), o Congresso Nacional possa reverter o quadro e re-exigir o diploma para exercer as funções de jornalista. “Essa decisão causou uma enorme desordem institucional. É evidente que a regulamentação da profissão é necessária”.

Assim como Nuñez, o jornalista Antônio Oliveira, que já dirigiu o Sindicato de Jornalistas e  atualmente trabalha na comunicação da empresa de transportes Trensurb da capital, acredita que a mobilização de todas as esferas envolvidas na questão é fundamental. “Estamos conseguindo o apoio da sociedade e do poder Legislativo. A compreensão da população na importância da regulamentação do Jornalismo é um grande avanço”, comentou.

Oliveira também repudiou diversos argumentos do Supremo, e está convicto de que as grandes empresas de comunicação apoiaram a decisão. “Tenho certeza de que houve uma grande acordo, um grande negócio entre as empresas de e Gilmar Mendes e seus companheiros”, disse de forma contundente.

Para Nuñez, as grandes empresas não são bobas. Apesar de apoiarem a queda do diploma, acredita que não deverão  contratar pessoas sem a devida especialização superior para produzir reportagens. “A grande questão recai sobre os espaços autorais do jornalismo, como colunas, artigos opinativos, etc. Ali sim elas exercerão o controle”.

Oliveira vê na questão do controle justamente um dos maiores riscos da medida do STF. “Segundo o Supremo, a partir da queda do diploma, cabe às empresas de comunicação regulamentar a profissão. Dentre essas normas, inclusive as  éticas. Isso é um absurdo. São as donos de empresas que determinarão o que é ético ou não no jornalismo”.

Oliveira, apesar da indignação, ainda acredita que a medida possa ser revertida. “Espero que consigamos sair desse enorme vazio que os jornalistas encontram-se nesse momento”, finalizou.

Além do Aulão, outros atos estão programados para os  próximos dias, no processo de luta pelo diploma. Na capital, uma grande mobilização está programada para dia 23 de setembro, data que recebe a nomenclatura de Dia Nacional da Luta pelo Diploma. O ato ocorrerá na Esquina Democrática, localizada no cruzamento das ruas Andradas e Borges de Medeiros do centro de Porto Alegre, e começa ao meio-dia.

 


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