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Escrito por Carlos Ismael Serevo Moreira   
Quarta, 02 de Junho de 2010 - 10:30

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"Este homem pegou uma nação destruída, recuperou sua economia e devolveu o orgulho ao seu povo. Em seus quatro primeiros anos de governo, o número de desempregados caiu de 6 milhões para 900 mil pessoas. Este homem fez o produto interno bruto crescer 102% e a renda per capita dobrar. Aumentou o lucro das empresas de 175 milhões para 5 bilhões de marcos, e reduziu uma hiperinflação a no máximo 25% ao ano. Este homem adorava música e pintura, e quando jovem, imagina seguir a carreira artística".

Ao final deste texto é apresentada uma fotografia de Adolf Hitler, seguida da seguinte afirmação: "É possível contar um monte de mentiras, dizendo só a verdade. Por isso, é preciso tomar muito cuidado com a informação e o jornal que você recebe". Este é o texto de uma famosa propaganda do Jornal Folha de São Paulo, feita pelo publicitário Nizan Guanaes em 1987, mas que traz uma mensagem talvez mais importante hoje, do que na época em que foi criada.

Esse comercial ilustra perfeitamente o quanto a decisão de acabar com a exigência do diploma de Jornalista para o exercício da profissão, julgada pelo Supremo Tribunal Federal em junho do ano passado, é absolutamente estapafúrdia e perigosa. Jornalismo é uma atividade da mais alta complexidade e seriedade. Exige rigor técnico, especialização, empenho e, acima de tudo, compromisso com o dever de bem informar a sociedade de forma honesta. Não é ofício para qualquer um.

Mesmo para os espaços opinativos é preciso fundamento. Opinião se forma com base em fatos, dados, comprovações, na busca de explicar aos leitores aquilo que ainda não está claro, ou de revelar faces dos acontecimentos que outros tentam esconder. Jornalista não tem que escrever para defender os interesses de A, B ou R, muito menos para se vangloriar. Uma coisa é ser formador de opinião, outra é ser opinador, palpiteiro, ou ainda, articulista, como preferem alguns para dar mais pompa e circunstância. Quem articula é político. Jornalista informa.

Mas nem tudo está perdido. Tramita na Câmara Federal a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) nº 386/09, de autoria do deputado Paulo Pimenta (PT-RS), que visa restabelecer a obrigatoriedade do curso superior em Jornalismo para o exercício da profissão. O projeto já passou pela Comissão de Constituição e Justiça e, na última quarta-feira (26/05), foi instala a Comissão Especial que irá analisar o mérito da proposta. Ficou definido que o deputado Vic Pires (DEM/PA) irá presidir a Comissão. O parlamentar Hugo Leal (PSC/RJ) fará a relatoria da matéria. Apesar de o prazo para que o relator dê um parecer seja de até 40 sessões, um acordo de lideranças reduziu este tempo para 10 sessões. A expectativa é que isso ocorra até o dia 24 de junho.

Mais do que uma luta da categoria profissional, a aprovação desse projeto é de extremo interesse da sociedade como um todo, que precisa garantir informação de qualidade na imprensa. E aos mal informados que se agarram com todas as força no argumento furado de que a exigência do diploma de Jornalismo é uma herança da ditadura, é preciso alertar que essa é uma luta da classe desde muito antes. Fora o fato de que a decisão do STF pela queda do diploma, mostra a completa desvalorização do Ensino Superior, em um país que tanto necessita se qualificar na área educacional. Essa medida é carregada de um viés mercantilista, visando o esmagamento de salários, pois haverá sempre um amador disposto a receber a metade do piso, que já é absurdamente achatado. Além disso, abre espaço para a prática feudal de se contratar qualquer um que seja do interesse dos donos das empresas de comunicação, o amigo do anunciante, o parente, num círculo nauseante de troca de favores.

Na terça-feira (01/06), a Comissão vai se reunir para traçar um plano de trabalho e aprovar requerimentos para a realização de audiências públicas sobre o tema. A população deve manifestar seu apoio a PEC 386/09, para assegurar que as informações veiculadas diariamente pelos meios de comunicação sejam apuradas por profissionais qualificados, com honestidade, precisão e comprometimento com a verdade.

Contato: Este endereço de e-mail está protegido contra spambots. Você deve habilitar o JavaScript para visualizá-lo. . Essa edição foi enviada aos jornais
Tribuna Popular, Cenário de Notícias, Correio Gabrielense, A Notícia, e Jornal da Cidade.

 


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