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Charme, sensibilidade e fibra, na maior feira de agropecuária Imprimir
Escrito por Moisés Machado   
Terça, 01 de Setembro de 2015 - 11:07

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Elas são 51,4% da população brasileira, responsáveis pelo sustento de 37,3% das famílias. São maioria nas universidades e entre os profissionais com ensino superior. Elas sustentaram as grandes estâncias que moviam a economia gaúcha em tempos de guerra, como a Revolução Farroupilha. O poeta chileno Pablo Neruda definiu em verso que: “Seu coração faz o mundo girar”. Vinícius de Moraes disse que “ela deve ter qualquer coisa além da beleza”. E, em outro momento, que “nada mais bonito que seus defeitinhos”. Ela conquistou seu espaço e inclusive é hoje a chefe maior da nação brasileira: a mulher.

Se historicamente a mulher sempre foi peça fundamental na engrenagem que sustenta a sociedade e o mercado de trabalho, nem sempre ela teve esse seu valor exposto na vitrine, em um ambiente que, por muito tempo, era visto como “coisa de homem”, e mesmo assim, elas vão conquistando seu espaço. A 38ª Expointer traz, a quem percorre os curtos e apertados corredores entre touros, ovelhas e outro animais, cenas que encheriam de orgulho a guerreira Anita Garibaldi.

Nos olhos rímel, lápis e um brilho daqueles que vislumbram longe. Na boca um batom neutro e um sorriso afável. Unhas azul royal combinando com a blusa de mesmo tom, brincos de pérolas, um singelo colar dourado, bombachas e alpargatas. Nas mãos firmes de quem sustenta a dura lida com o gado, ela segura um espécie de massageador que utiliza para tratar os animais da raça Zebú, da Cabanha Indubrasil, de Paim Filho/RS. O proprietário, Elair Bachi, fala com entusiasmo da funcionária. “O trabalho dela é muito detalhista. Eu acredito que a soma do trabalho dela com os demais é um casamento perfeito”, diz. E, ainda, acrescenta: “Espero que ela possa adquirir muitos conhecimentos aqui na feira, e que, somados aos adquiridos na faculdade, possa gerar uma integração de conhecimentos”.

“Ela”, a quem se refere Elair, é a moça de sorriso tímido, mas pulso forte, a estudante Juliana Dapont, 21 anos, primeira estagiária da cabanha, a quem já foi renovado o convite de retornar em 2016 a Expointer. A futura veterinária Juliana fala com carinho do trabalho que realiza diretamente com o gado, e diz não se ver trabalhando com outra coisa que não sejam os animais. Ela também revela que o segredo de ganhar a confiança dos animais é o carinho

A emoção, sensibilidade e carinho nas lidas da mangueira, também são traços fortes de Andressa Raddatz, 20 anos, estudante de medicina veterinária. Andressa chega ir às lágrimas quando fala da relação com os animais. “O dia a dia aqui com eles é como se fosse um salão de beleza. Preparo os animais desde o banho, até secar e tosar. Quando vai para pista para o julgamento das raças, ganha o brilho, espécie de esmalte no casco dos animais, e onde há manchas no pelo eu pinto”, diz a colaboradora da cabanha da Maya, de Bagé. Ela também lembra que os animais, desde o primeiro ano, são preparados para o contato diário com o ser humano. Assim que tu desmamas o terneiro é preciso cabrestear”, referindo-se ao ato de retirar o bezerro da companhia da mãe, buscando dar autonomia ao filhote e conduzi-lo de forma que ele se torne dócil ao convívio. “Me perguntam: mas como tu consegues ? Eu digo: é simples. Não tem o que o homem faça e que a mulher não consiga”, explica.

Mas, nem tudo são rosas, no caminho de Andressa. Ela lembra que já sofreu preconceitos e inclusive já foi rejeitada em vagas de estágio pelo simples fato de ser mulher. Questionada sobre como é o seu dia a dia, Andressa diz que ama o que faz, e é enfática ao destacar que: “Quem faz o que gosta, não trabalha , aproveita o dia a dia.”
O supervisor de Andressa, Alexandre Vargas, ao ser questionado sobre o trabalho de Andressa resume em uma frase. “Ela tem mais sensibilidade e dedicação para lidar com os bichos. Bota muito homem no bolso”, diz. Alexandre ainda lembra que cerca de 10% da mão de obra da cabanha é feminina.

O sexo frágil, erroneamente caracterizado, está em todas as frentes rurais. Sorriso fácil ao falar da profissão e o olhar de quem sabe e ama o que faz, são características de Cyntia Cavalcante, 38 anos, proprietária da Cabanha Chanfro Negro, que produz ovinos da raça da raça Hampshire Down.
Cyntia relata que suas ovelhas e o campo são tudo, depois do marido e da filha. Sócia ao lado do pai na cabanha, em Venâncio Aires, nos 10 anos como cabanheira dedica-se à parte prática da lida diária com os animais, enquanto o pai trabalha com a parte genética da raça. Inclusive conquistando grande destaque, pois a Chanfro Negro foi pioneira na inseminação artificial por laparoscopia.

As mulheres mostram na 38ª Expointer, que o ambiente rural, tido como rústico e bruto, pode ter a sensibilidade, o charme e a fibra da mulher gaúcha empenhados no dia a dia da lida do campo que sustenta a cidade.

Mulheres na expointer

 


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