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Jornalista gaúcho Roberto Kovalick é homenageado na 38ª Expointer com o Troféu Guri Imprimir
Escrito por Moisés Machado   
Sexta, 04 de Setembro de 2015 - 00:34

 MG 5936

Andar pelo mundo e reportá-lo está entre as mais típicas ocupações do jornalista na era da globalização. Mas uma nuance mais glamurosa do jornalismo é também o sonho de muitos acadêmicos. Roberto Kovalick, gaúcho de Sant’ana do Livramento, é chefe do escritório da Rede Globo em Londres, na Inglaterra. O jornalista foi agraciado com o Troféu Guri, que homenageia gaúchos de destaque em diversas áreas e inclui a imprensa que leva o Rio Grande do Sul aos quatro cantos do mundo. O prêmio já é tradicional na Expointer e, neste ano, chegou a sua 18ª edição.

Roberto Kovalick formou-se em Jornalismo, em 1986, na Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS). Depois de atuar na Rádio da Universidade, iniciou a sua carreira na Rádio Gaúcha de Porto Alegre, onde atou com a professora Lisete Ghiggi, do Centro Universitário Metodista, que na época trabalhava na emissora. Mas quando foi chamado para cobrir as férias de um repórter na RBS TV, teve certeza que ele não voltaria ao rádio, pois era o perfil certo para TV. A professora guarda boas lembranças do colega. “Sempre foi uma pessoa especial, simples, de bem com a vida e talentoso. Sua escalada na TV foi rápida. E, graças ao seu profissionalismo, faz jus ao posto, que hoje ocupa em Londres, e ao Troféu Guri, da RBS, casa que lhe acolheu desde o início da sua carreira”, disse. Como repórter da Gaúcha, o santanense participou de grandes coberturas, como a do motim do Presídio Central de Porto Alegre, em 1987. Depois da Gaúcha, Kovalick atuou como repórter da RBS TV por três anos.

Na Rede Globo desde 1990, o repórter participou de diversas coberturas importantes, como a da Chacina da Candelária e a do Sequestro do ônibus 174. Em 2009, se tornou o primeiro correspondente da emissora no Japão, onde cobriu o terremoto e o tsunami daquele país. E, em 2013, assumiu o posto de correspondente em Londres.

Na cerimônia de entrega do Prêmio Guri, o jornalista concedeu uma entrevista exclusiva para o Universo IPA, onde falou da sua trajetória de correspondente, deu dicas a quem pretende galgar o sucesso na carreira e ressaltou a emoção de ser reconhecido na terra onde começou sua carreira, há quase 30 anos.

Ao falar no seu dia a dia como correspondente, Kovalick resumiu o seu trabalho com a palavra “espetacular”. Mas, entretanto, alertou para as dificuldades e ressaltou a importância de estar preparado. O jornalista disse que sempre se preparou para ser correspondente, e lembrou como é bom alcançar um sonho. ”É sensacional, é recompensador. Mas é difícil, porque exige muito o lado pessoal. Você viaja para vários lugares, o fuso horário é terrível”, disse. E, ainda brincou: “Todo mundo pensa que ser correspondente é só glamour, mas a gente rala pra caramba”.

O fato de trabalhar praticamente sozinho, lembra Kovalick, exige do correspondente uma série de habilidades, as quais nem todos são dotados, incluindo tomar decisões de forma independente.“Quando você trabalha em uma redação, há com quem trocar ideias. Também a chefia vai te orientar e tem colegas. Quando você está no exterior, praticamente sozinho, é você. E, todo mundo está olhando, porque é uma vitrine muito grande, e você tem que acertar. Então é um desafio muito grande também”, diz.

Questionado sobre os passos que devem ser seguidos pelos acadêmicos, Kovalick é incisivo ao dizer que não existe sorte na vida. “Uma vez ouvi o Bernardinho, do vôlei, dizer que sorte é a mistura de preparação com oportunidade. Então, para ter sucesso, em primeiro lugar, você tem que se preparar muito bem, ler, escrever bem, treinar suas habilidades, estar pronto para quando as oportunidades surgirem ”. Ainda destacou que, mesmo em grandes empresas, há sempre oportunidades a serem criadas, e que o crescimento na carreira pode ocorrer através de novas ideias e iniciativas.

Quando a Rede Globo inaugurou o seu escritório no Japão, Kovalick foi o primeiro correspondente da emissora por lá. Ele lembra que foi uma “oportunidade de ouro”. As dificuldades da distância e do idioma fizeram com que muitos não quisessem abraçar o desafio aceito pelo gaúcho. “Eu percebi que, quanto mais difícil, menos as pessoas esperam de você. Então é muito bom você abraçar a dificuldade, porque as pessoas vão dizer: nossa, ele fez isso, apesar da dificuldade”. E ressaltou: “Aproveitar as oportunidades é o grande segredo”.

O gaúcho da fronteira com o Uruguai, que iniciou sua carreira em Porto Alegre, mostrou-se emocionado ao ser homenageado em sua terra. Disse que, ao saber que receberia o prêmio, fez uma viagem ao passado e às emoções vividas. “Quando a gente está começando, tem muitas incertezas, e as principais são: será que eu vou adiante? Será que vou ter sucesso? Um dia eu chego lá? E concluiu: ao trilhar uma carreira de 30 anos, olhar pra trás e descobrir que aquele período foi de aprendizado, “é maravilhoso”. A sensação se repete, segundo o repórter, ao voltar para a casa que o acolheu e onde passou um período especial da sua vida.

 


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