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Projetos de Educação no Campo são apresentados por professores na Expointer Imprimir
Escrito por Thayna Iglesias   
Segunda, 07 de Setembro de 2015 - 19:47

Professores expointerA agricultura familiar produz cerca de 80% dos alimentos consumidos, detém aproximadamente 75% dos recursos agrícolas do mundo inteiro e, segundo a ONU, tem papel fundamental no combate à fome mundial. Mas como garantir que esse mercado continue crescendo em um tempo tão moderno, quando mesmo os jovens nascidos e criados no campo são atraídos pelas oportunidades das cidades grandes? Esse é o objetivo dos projetos de Educação no Campo, exibidos no pavilhão de Agricultura Familiar da 38ª edição da Expointer.

Segundo a assessora da coordenadoria da educação Ana Paula Baggio, o projeto da Escola de Ensino Fundamental Carlos Gomes, localizada em Campo Novo, procura criar o amor pelo cultivo. Os resultados têm sido positivos, mas ela admite que encontra dificuldades em chamar a atenção dos jovens para a agricultura. “Não está fácil conquistar o aluno para ficar no campo, porque hoje em dia se faz para subsistência. Não se consegue competir com o grande produtor. Enquanto você planta uma beterraba orgânica, sem veneno, o grande produtor ás vezes planta dez hectares cheios de produto químico”, explica ela.

O projeto ‘Raízes Transformadas Em Delícias’ procura também influenciar na saúde dos estudantes. A mandioca, cenoura e beterraba plantada e colhida pelos alunos, mais tarde, se transformam em refeições e sobremesas nutritivas que são servidas na merenda escolar. O mesmo aproveitamento acontece na Horta Escolar, da escola Arlindo Martini, em Taquara. A diretora do colégio, Debora Ribeiro, comenta que antes da Horta ser iniciada, em 2014, havia um grande desperdício de todos os tipos de salada nas refeições das crianças. Com o cultivo, isso acabou. Ela afirma que “se eles colhem, eles querem comer”.

Para a professora Juliana Piotrowski, o cultivo na escola deve ter a finalidade de motivar os alunos, não apenas para trabalhar no campo, mas também para os estudos. Juliana, que coordena o projeto Horta Orgânica Escolar: Meu Pedacinho de Chão, realizado na escola Tomé de Souza, em Alpestre, diz que “além desse trabalho com o cultivo da terra, a gente trabalha todas as disciplinas relacionadas. É todo um trabalho integrado da escola. Então é também para cativar o aluno para a aprendizagem em si”.

Outros professores escolhem dar prioridade à consciência ecológica, essencial para a vida no meio rural. Um exemplo disso é a Escola Padre Aleixo, da cidade de Ibiraiaras, onde os estudantes participam de uma série de projetos na disciplina de Práticas Integradas à Agropecuária. Entre estufas, galinheiros móveis, agroflorestas e vários outros trabalhos em conjunto com os estudantes, o que mais se destacou nos relatos do diretor Elder Bruscatto foi a cisterna – um dispositivo para captação e aproveitamento da água da chuva, construído em 2005. Em um ano, o projeto trouxe uma economia de 71,52% da água consumida pela escola no poço artesiano da cidade. O projeto influenciou toda a comunidade de Ibiraiaras e logo chegou também à cidade de Moçambique, uma região muito seca do interior do RS que, com a ajuda da escola e do Centro de Tecnologias Alternativas Populares (CETAP), conseguiu construir suas próprias cisternas e reduzir o problema de falta d’água. “É um orgulho a gente contar isso. Estamos caminhando e trabalhando para ser uma escola sustentável”, o diretor completa.

A questão da água é tão importante para a educação no campo que, na Escola Antônio Martins Rangel, o projeto de Cartografia Social e Mapeamento foi totalmente voltando para a conscientização dos estudantes e da comunidade de Taquara.

A coordenadora de educação ambiental, Sabrina Amaral, explica que, após o minicurso de Cartografia Social, o grupo de 15 jovens estudantes começou o projeto. Fizeram entrevistas com moradores, tiraram fotos aéreas com uma pipa gigante, montaram cartilhas explicativas sobre o projeto, e até mesmo ofereceram oficinas de saneamento para os pais, professores e comunidade. Tudo para que, no final, eles pudessem construir um grande mapa colaborativo, apontando práticas positivas e negativas de saneamento na cidade.

Sabrina destaca o interesse e protagonismo dos alunos durante todo o projeto: “No final do minicurso, quando pensamos em boas práticas que poderíamos construir na escola, a gente pensou em construir uma intervenção. Eles fizeram quatro”. Toda essa dedicação rendeu a eles o prêmio de Melhor Projeto do II Congresso Internacional de Educação Ambiental, em Portugal, competindo contra outros 387 projetos de 52 países.

Embora os jovens pareçam se distanciar cada vez mais do trabalho campestre, são iniciativas como estas que os atraem e estimulam a querer participar ativamente do meio agrícola. O professor, ao criar projetos que mostram como o campo pode ser divertido e interessante para as crianças e adolescentes, ajuda no desenvolvimento de uma nova geração ecologicamente correta e consciente, que um dia levará com orgulho o título de trabalhador rural.

 


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