O Horror na biblioteca Imprimir
Escrito por Nícolas Andrade   
Quarta, 02 de Novembro de 2011 - 23:54

feira-horrorNo dia 31 de outubro, Dia do Halloween, o Santander Cultural apresentou nove obras de terror literário, segundo o autor e tradutor, Guilherme da Silva Braga. O evento faz parte da agenda cultural da 57° Feira do Livro de Porto Alegre.

A sala leste do espaço acolheu um bate-papo especial sobre o horror na literatura. Segundo Gulherme Braga, a interpretação de um livro de terror terá um "proveito muito maior se analisarmos a estética". Para ele, ao invés de tentar descobrir o que é real e o que não é, deve-se discutir a forma encontrada pelos autores de expressar as suas histórias. Braga fez uma breve lista dos principais livros do gênero e suas contribuições.

O Castelo de Otranto (1764) – H.Walpole

A obra conta a história da maldição do castelo onde vive o personagem Manfred. Segundo Braga, uma frase célebre do autor, levada para a maioria dos filmes do gênero foi: "Tudo conduz diretamente a catástrofe". Inspirado em autores antigos como Shakespeare na montagem dos seus personagens, Walpole, dá inicio a denominação "Gótica" para filmes que fugiam de uma literatura útil e didática que eram as premissas da época.

O Homem da Areia (1817) – E.T.A. Hoffmann

O conto é relatado em cartas escritas por Natanael, de forma perturbada, tendo em vista os traumas sofridos em sua infância. A obra escrita por um físico é avaliada por Braga, como "'cética e racional", ao dar a entender que tudo o que ocorreu na história é verídico.

Frankenstein (1818) – Mary Shalley

A primeira mulher a se destacar no gênero mostra um personagem que não tem temática definida. O público, segundo Braga, não identifica se o monstro é do mal ou do bem. Na história, o médico cria um monstro e este, por ser renegado pelo seu criador, se vinga. Outro aspecto apontado pelo palestrante é quando o autor original da obra "evoca sentimentos criando coisas e criaturas", justificando assim as rupturas com a realidade.

A Queda da Casa de Usher (1839) – Edgar Allan Poe

Em uma história de relações incestuosas o chamado "horror no sexo" é abordado de forma continua. Para Braga, os níveis do assunto extrapolaram a realidade de sua época. A principal contribuição do autor se dá na forma de leitura, que segundo ele não pode ser interrompida, portanto, durar entre meia hora e duas horas.

O Morro dos Ventos Uivantes (1847) – Emily Bronte

A história se desenlaça em um romance, com direito a paixões, casamentos e vinganças. Os saltos temporais e a dificuldade de adaptação às forças naturais, mostram um personagem que vai contra o mundo. Fatos que viriam a se repetir em muitas outras histórias do gênero.

O Médico e o Monstro (1886) – Robert Louis Stevenson

Um dos grandes clássicos do terror literário, mostra uma constante alteração de personalidade do médico protagonista da história. Na busca em vão do elixir que manteria em si só a parte boa da sua personalidade, o personagem mostra a proposta do autor de expor que "a literatura não é deus", segundo Braga.

Drácula (1897) – Bram Stoker

O conde vampiro apresenta uma história que foi definida por Guilherme Braga como "maniqueísta". A estrutura é uma mistura de todos os tipos de narrativa já vistos na temática do terror, desde cartas até narrações, sempre visando comprovar a realidade dos fatos.

A Volta do parafuso (1898) – Henry James

Uma documentação de fatos e o afastamento com a realidade deles. Seria essa a grande jogada do livro. Para o palestrante, é uma típica história, onde o "caso não se decifra". Muito em função das impressões sobrenaturais e racionais que podem ser tiradas lendo a obra.

A Cor que Caiu no Espaço (1927) – Howard Lovercraft

Ao chegar ao século XX, surge uma história de ficção científica no terror. Um meteoro atinge determinado local e este toma cores diferentes da realidade. Por fim, essa cor se torna cinza, o que é chamado por Braga de "horror cósmico". Não se sabe o que é mau e o que é bom, só se sabe que é um efeito da natureza.

 


Notícias relacionadas


Expediente

Mapa do Site :: Portal Universo IPA - 1º lugar na Intercom Nacional de 2008 :: Expediente
Creative Commons © 2005-2013 :: AJor - Agência Experimental de Jornalismo IPA