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Livros digitais ainda são coadjuvantes na Feira Imprimir
Escrito por Gabriel Guidotti   
Segunda, 18 de Novembro de 2013 - 21:09

ce4Os cabelos brancos condenaram a idade de Carmino de Moraes. Aos 82 anos, ele afirma seu amor pelos livros impressos e a possibilidade de manuseá-los, cheirá-los ou conhecê-los por intermédio da sinopse na contracapa. Nesse contexto, a adaptação às novas tendências é um processo que ele refuta de imediato, de modo que garante: nunca migrará para os ebooks. “Nem que me paguem”, diz com uma risada. O formato, contudo, é uma realidade e está se difundindo cada vez mais no país, mas parece não influenciar a Feira do Livro de 2013.

Pelas alamedas da Praça da Alfândega é difícil encontrar visitantes manuseando tablets ou ereaders. A administradora Paula Severo, 27 anos, assinala que viveu a época de transição dos impressos para os ebooks, destacando sua tentativa de adaptação à leitura no celular. Sem sucesso, voltou aos livros convencionais. “Em meu círculo, a maioria ainda prefere os impressos”. E complementa: “Aqui na Feira não vi ninguém lendo no tablet. Acho que essa é uma questão cultural”.

Isatir Bottin Filho, 46 anos, da Isasul Livraria, uma das mais antigas da Feira, informa que só trabalham com ebooks as editoras ou as mega livrarias. Para ele, o livro de papel não acaba. “Seguirá uma forma mais modesta, um pouco mais acanhada, mas não termina”. Isatir destaca ainda que as pessoas gostam de ter o livro consigo. “Foi divulgado que teve um crescimento nas vendas. Eu acho que anos atrás o mercado livreiro tinha insegurança à vinda dos ebooks, mas isso foi passageiro”. Valorizando os impressos, ele ressalta que muitas vezes os visitantes da Feira não compram o livro, mas tocam, leem, têm curiosidade em conhecer. “Isso, no ebook, não é possível”, conclui.

Livros digitaisO espaço para os livros digitais é pequeno na Feira. De acordo com Marco Sena, vice-presidente da Câmara Rio Grande do Livro, há estandes que oferecem alguns títulos, e os interessados podem adquiri-los por intermédio de um cd ou pen drive. Marco não considera que o evento tenha resistência em ingressar no meio digital, mas sim que o mercado não está “pegando como deveria pegar”. “Eu acho o ebook bacana, pois ele forma leitores, mas o livro impresso sempre terá sua fatia”. Como exemplo, ele declara que não conhece uma única pessoa que tenha lido um livro digital.

Marco explica ainda que o hábito da leitura está em sair, manusear e sentir o cheiro do papel. No futuro, prevê um evento com dois nichos: o impresso e o digital. “O ebook te proporciona várias coisas, como a interatividade. É quase um jogo, uma brincadeira. Consigo ver uma geração a longo prazo que venha a consumir o ebook, mas também vejo uma Feira com os dois formatos de livro”, conclui.

Durante a semana, um encontro discutiu o tema no Centro Cultural Erico Verissimo. Mediado por Juremir Machado da Silva, o painel “O cérebro do futuro e o imaginário em rede” reuniu autoridades internacionais para debater o futuro do livro. Na ocasião, Juremir destacou “A ideia é discutir como as transformações tecnológicas afetarão o cérebro, o leitor e o livro. Daqui a 50 anos, a feira será de autores, e não de livros”.

Texto escrito para a oficina de Jornalismo da Record. Acesse: http://www.correiodopovo.com.br/blogs/oficinadejornalismocp/

 


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