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Gregório Duvivier, um multitalentos, lança seu livro na 60ª Feira do Livro de Porto Alegre Imprimir
Escrito por Moisés Machado   
Quinta, 13 de Novembro de 2014 - 23:06

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 O que se pode chamar de "homem renascentista moderno", ou ainda de "homo universalis", talvez defina o pequeno notável de 1,70m, Gregório Duvivier, 28 anos, chamado pelo mestre de cerimônias, o jornalista Roger Lerina, de factótum, o que não deixa de ser uma verdade, pois se um factótum se julga ser capaz de tudo fazer, Duvivier mostra ser artista de várias artes e de muitas habilidades. Escritor, poeta, cronista, ator, roteirista, humorista, profissional de diversas mídias, é um dos idealizadores do canal do youtube "Porta dos Fundos".

O multipotencial Duvivier esteve presente ontem, 12/11, na 60º Feira do Livro de Porto Alegre, para lançar o livro "Put some farofa" que reúne as principais crônicas publicadas no jornal Folha de S. Paulo, do qual Duvivier é colunista. A obra ainda contém roteiros das melhores esquetes do Porta dos Fundos e textos inéditos do autor para esta edição, uma mistura entre ficções, memórias de infância, ensaios sobre artistas que o influenciaram, artigos panfletários, exercícios de linguagem e outras experimentações. Na oportunidade ele ainda comentou sobre a obra de poesias "Ligue os pontos - Poemas de amor e Big Bang", lançada ano passado.

A chuva insistente não afastou mais de uma centena de pessoas que lotaram a Tenda de Pasárgada para um bate-papo com Gregório Duvivier, no final da tarde da quarta-feira. Quem não conseguiu senha se espremeu entre o gradil para acompanhar as tiradas bem humoradas do ilustre visitante, que pela primeira vez se fez presente na Feira do Livro de Porto Alegre.

Simpático, Gregório falou com o público, em sua grande maioria jovens, por cerca de quarenta minutos, respondendo perguntas, sobre humor, poesia e política. Duvivier iniciou falando sobre sua obra de crônicas e destacou que na crônica o autor se desnuda diante do leitor, passando este a ser íntimo de quem escreve. Bem humorado, ele comenta ser estranho sair na rua e as pessoas saberem das suas vergonhas, deficiências, intimidades. "As pessoas sabem que eu fumo maconha (risos), que sou pai de filhos separados, por exemplo". Gregório ainda relatou a diferença do trabalho do ator e do autor, citando a questão de que o ator possui a máscara do personagem, o autor não. "Quando você escreve algo e publica, aquilo é você. Então se alguém me odeia pelo que escrevo, ela não odeia o personagem, é a mim que ela odeia, de verdade, por que aquilo sou eu. Assim como quando amam, também amam de verdade", comenta.

Após, questionado sobre abrir seu voto para presidente Dilma Roussef, no segundo turno das eleições presidenciais de 2014, Gregório relatou que seu apoio inicial, ou seja no primeiro turno, era na gaúcha Luciana Genro, por ter ideologias semelhantes a sua. "Na minha opinião era o projeto mais à esquerda, o que ela defendia eu acreditava. Foi a primeira vez que alguém falou sobre transfobia em um debate, por exemplo. Então nada mais natural que no segundo turno eu ficar com o projeto mais à esquerda", frisa.

Durante o bate papo Duvivier, comentou sobre as polêmicas com o ator Dado Dolabella, que iniciaram após sua posição de apoio à candidata petista. Destacou ainda a divisão do país durante as eleições. Ele observa que os dois lados se contaminaram com o ódio, atrapalhando as discussões.

Após comentar sobre sua formação em Letras, falou do seu preparo como poeta em uma oficina do professor Paulo Henrique Brito, e também destacou seus poetas preferidos, que incluem Carlos Drummond de Andrade, Vinícius de Moraes, Manuel Bandeira e o poeta marginal, Chacal. E na sequência leu uma das poesias de seu livro "Ligue os pontos - Poemas de amor e Big Bang"

Posto nove e meio

açaí açaí — você conhece o waldo — olha o mate — waldo

que waldo — é o melhor musse do rio de janeiro — agora

joga um spray nas minhas costas — conheço um waldo que

morreu — meu musse é o melhor — o waldo não morreu quem

morreu foi o walter — foi o waldo — empada praiana — foi o

walter — sabe que — açaí — no fundo — açaí — eu acho que

o nome dele era — olha — waldo mesmo — o mate — porra

tu — guaraplus — tacou spray — guaraplus — no meu olho

— o waldo — mate — ele mesmo — então, morreu — olha o

mate — para morrer, meu amigo — mate — basta estar vivo.

Em seguida, o painel foi aberto para perguntas do público, que esperavam ansiosos pelo momento. Duvivier, relatou o início de sua carreira no teatro aos 9 anos, frisando que foi ali que decidiu o que queria fazer. "As pessoas riam de mim, mas eu gostei disso, foi nesse momento que decidi que queria fazer as pessoas rirem propositalmente", comenta.

Depois de explicar como se dá o processo de construção dos vídeos e séries do Porta dos Fundos, Duvivier foi questionado sobre a diferença entre poesia e humor, ao que de forma perspicaz respondeu: "A poesia e o humor são vistas como contraditórias. A poesia como um olhar afetivo, carinhoso e apaixonado. O humor, como cínico, agressivo, um olhar que julga. Eu não concordo, a poesia tem que estar cheia de cinismo e o humor cheio de afeto." E ainda encerrou afirmando que tanto a poesia, quanto o humor tem que ser anti estereótipos .

Questionado sobre seu processo de criação e o fato de ser um profissional de diversa áreas, Gregório Duvivier, destacou ser "muito filho da internet". Declarou ter DDA (Distúrbio de Déficit de Atenção) e que gosta de ler tudo, ao mesmo tempo. "Acredito muito que isso é um traço da nossa geração, quase que uma volta ao período humanista, onde essa geração se interessa por tudo", comenta. Ele ainda rebateu a críticas de que hoje se lê pouco no Brasil. "Acredito que as pessoas nunca leram tanto. A internet te possibilita um novo humanismo, onde tu podes ler e te interessa por tudo, formar comunidades para debater assuntos em comum. Eu mesmo me interesso e acredito que tem muito a ver com esse DDA".

Novamente questionado sobre seu voto e por que Chico Sá foi demitido, Duvivier relatou não saber o porquê Chico Sá foi demitido e ele não. "Talvez eu tenha sido mais sutil, o Chico (Sá) mais panfletário, o que está certo, é um direito dele. Acho bobagem não poder declarar voto, mas no Brasil nenhum veículo é imparcial", disse.

Por fim, falou sobre TV aberta, o que levou a fundação do canal Porta dos Fundos, onde destacou que o grupo não concordava com as inúmeras restrições impostas pela TV aberta no Brasil, como o fato de não poder falar de marcas, religião, política. Comentou que a TV deveria ser mais "aberta", a mudanças, a novidades. Que o mundo muda o tempo todo e a TV também deveria mudar. Destacou os novos projetos e o foco do canal Porta dos Fundos em séries.
E para encerrar, leu mais uma poesia:

Você é a última dos moicanos do pacote:

você é a última dos moicanos no pacote

de jujubas a cereja do bolo no topo

do milk-shake de creme de la crème

brûlée aquela música do cole porter

o topo do top de todos os pokémons

você é aquele que me diz calma tá tudo

bem agora você é o meu beatle preferido

tem dias em que é o eorge e dias em que

é o paul e dias em que é o chico buarque

e dias em que é aquele feriado que cai

no meio da semana e a gente enforca

pros dois lados imagine um réveillon fora

de época é você uma terça-feira de carnaval

em plena sexta-feira da paixão e minha

paixão é um sábado que não termina nunca.

 


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