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Personagens da Feira: um francês chamado Jean Marie e um gaúcho do Beira-Rio Imprimir
Escrito por Gisele Perna e Carlos Macedo   
Terça, 02 de Novembro de 2010 - 22:16

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A Feira do Livro também é lugar para conhecer figuras diferenciadas. É o caso de Jean Marie, um francês que ganha a vida com a música. Andarilho, quase um cigano, ele vive tocando e encantando em diferentes partes do mundo.

Seu instrumento? Um velho realejo que emite um som rouco que junto à sua voz, nos transpõem direto e sem escala para a França. Jean Marie é um cara simpático e comunicativo. Ele contou que veio à Feira do Livro há 10 anos pela primeira vez, através do convite da Aliança Francesa. Desta vez, ele veio por conta própria. Como vive sempre visitando feiras do mundo todo, por que não vir a Porto Alegre, não é mesmo? "Aqui é muito alegre, e tem bastante gente que fala francês. Me sinto em casa", comentou Jean Marie, rindo da minha tentativa de me comunicar em francês.

Jean Marie ainda vive na França, na cidade de Avignon, a "cidade dos papas". Sua atividade por lá? Bem, quando lhe perguntei qual era seu trabalho por lá, subitamente respondeu: "eu não quero trabalhar! Me sinto preso trabalhando", afirmou Jean dizendo que o que faz não é trabalho e sim arte. Enfim, aqui ou lá ou pelo mundo, Jean passa a vida tocando realejo.

Há 30 anos ele vive dessa forma nômade percorrendo o mundo. Ele, seu realejo e a música francesa, unidos em diversos caminhos. As tentativas de se fixar existiram. Chegou a comprar uma casa em São Luis do Maranhão,mas  acabou vendendo e retornando à estrada. Nada o encanta mais do que percorrer o mundo. Ele conta que já recebeu um convite para visitar uma feira na cidade de Bagé, no  interior do Estado. "Daqui acho que vou para o Chile, se não for para Bagé", enfatiza Jean com seu sotaque atrapalhado.

No final do bate-papo, pedi que Jean tocasse uma música de Edith Piaf, pela qual sou apaixonada. Jean, atencioso, aceitou o pedido e tocou Mon Légionnaire. O charme da Feira, a trilha sonora e voz rouca de Jean, se uniram criando um cenário único e inesquecível. Difícil de descrever, apenas vivenciando tal experiência. É nessas horas que o oficio de jornalista ganha sentido. Jean Marie era, com certeza, uma excelente pauta. E deveria ser descrita com sábias palavras. Não sei se fiz com exatidão a sua descrição, mas valeu a tentativa e valeu, ainda mais, tê-lo conhecido. Essa figura integra da 56º Feira do Livro.

 

Gaúcho da Feira

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Carlos Macedo

Mais conhecido como o Gaúcho do Beira Rio, Noé Melo Fernandes, 76 anos, se transforma em Gaúcho da Feira, durante os dezoito dias do maior evento literário realizado a céu aberto nas Américas. O caminho trilhado desde a "infância sem brincar", em Santa Maria, até hoje, em Porto Alegre, com as caracterizações que "fazem a alegria do povo", é para Noé um admirável acontecimento do destino.

Com a vestimenta criada há três anos, exclusivamente para a Feira do Livro, e mesmo tendo apenas o terceiro ano do ensino fundamental, ele é um amante das prosas e poesias. Ao receber em mãos um livro de um escritor divulgando seu trabalho pelos corredores da Feira, Noé começou a ler ali mesmo, no meio do povo, "mesmo sem os óculos". "No livro tinham algumas coisas que me tocavam o coração", conta o Gaúcho da Feira.

 


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