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Quando almejar a arte é uma questão de vida Imprimir
Escrito por Gisele Perna   
Terça, 02 de Novembro de 2010 - 22:27

renato-araujoEra mais um dia de cobertura da Feira do Livro. O movimento tomava conta da praça. Nós estávamos pautados para analisar a repercussão das Eleições 2010 que havia encerrado no domingo (31). Com os objetivos bem determinados para as pautas, avistei ao longe, em frente da Tenda Passárgada, um espaço para contar histórias infantis. Um jovem que trabalhava como monitor, me chamou a atenção. Em seus olhos havia algo que instigava o conhecimento. Muito além dos meus objetivos de pauta política, porém sabia que, de alguma maneira, havia algo para se conhecer.

A abordagem

Dirigi-me, singelamente com um semblante indagador para saber o que rolava na tenda. O sorriso aberto por ele me, deu certeza que havia mais para saber. Então, foi que aos poucos ele liberava, ainda que meio tímido, um pouco de sua história. Escritor desde os 19 anos, sonha em publicar um livro. Ironicamente está agora trabalhando na Feira do Livro onde um dia quer estar autografando sua obra.

Renato Araujo, jovem de 26 anos, formado em técnico do Meio Ambiente, escreve sonetos com tamanha sabietude para sua idade. Suas obras revelam um tanto de amor, dor, sofrimentos e felicidades. Mesmo para quem não viveu o tanto que a literatura exige para se escrever sobre sentimentos, Renato consegui transpor para as folhas de papel, um pouco de cada momento passado. "Antes eu produzia apenas com a presença da dor. Hoje, eu sei escrever quando estou feliz"

A criação

Para ele, escrever transpõe o ato de criação; é como dialogar com o papel. Aos 19 anos quando começou a escrever, transpunha tudo o que via através de poemas e sonetos. "A expressão se dá através dos pensamentos. A poesia é um recurso que uso para colocar no papel o que eu vejo ou sinto".

Com uma vasta produção de sonetos e contos. Hoje, Renato sonha em publicar seu trabalho e se qualificar como escritor. Formou-se no curso de Produção Literária da Unisinos, e agora cauca os degraus de uma possível trajetória como escritor.

Se para alguns críticos e professores que ele teve durante a vida, lhe falta leitura e vivência, ele fala que até Schopenhauer defende que a leitura só deve ser feita quando não existe mais a inspiração. E inspiração ele tem de sobra. E também um texto inspirador para quem gosta do gênero poético.

E a vivência? Bom, o olhar do escritor deve ir longe. Saber que amar é possível e que a dor existe para sabermos como é o sabor do alivio. Tudo se faz presente através das dualidades, mesmo que a idade não nos permita ter pleno conhecimento dos fatos, falar de sentimentos é uma arte. Sendo assim, Renato será um bom artista, quiçá um bom escritor.

 Mesmo sabendo que a vida em meio a literatura não é fácil por aqui, ele não desanima. Busca o conhecimento mesmo que este ainda esteja tardio. Como um escritor solitário, é difícil adentrar num meio seleto como este mercado e, até mesmo, competir com bons escritores. Porem, seus poemas e sonetos, merecem sair do anonimato e ocupar um lugar aos olhos dos leitores.

E assim termino mais um artigo falando das figuras que a Feira do Livro nos propicia conhecer.

Eu temo a vida
Não pela partida
Outrora vivi
E não era
Eu

Quiçá ser
Quem eu sou

Hoje escuto o passado
Altivo e inocente
Por isso
Agora
Escrevo

Mas quem escreve
Não sou eu
É aquele temor
De viver

Trecho de poema sem titulo. Autor: Renato Araujo

 


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